(Fonte da imagem: PPLware)

A Google é poderosa e destemida. A julgar pela avaliação da Renesys, que faz medição e monitoramento de atividades na internet em escala global, a empresa foi além das críticas à intenção do governo anunciada pela presidenta Dilma Rousseff de exigir o armazenamento local de dados nacionais. A Google nega que o seu serviço DNS deixou o Brasil em antecipação à nova lei.

Para efeitos de informação, DNS (Domain Name System) é uma ferramenta importante da internet que faz a tradução dos endereços na rede. Em outras palavras, é isso o que possibilita a todos nós digitar simplesmente google.com em vez de 74.125.131.99, o “código” por trás do nome simplificado.

Desde 2009, a Google tem a sua própria versão desse sistema, batizada de Google Public DNS. De acordo com a Renesys, a versão da Google é utilizada por pequenos provedores brasileiros a partir de São Paulo.

A questão está exatamente aí: a Renesys alega que “no mês passado, percebeu que o Google DNS para a América Latina parou de responder de São Paulo e começou a encaminhar consultas de DNS para os EUA. Ao mover a resolução de DNS para fora do Brasil e novamente aos EUA, o Google DNS agora opera fora da jurisdição brasileira”, diz o relatório da Renesys.

(Fonte da imagem: Renesys)

Google nega

Destemida, a Google nega que um tema esteja ligado com o outro e diz que não há qualquer relação com novas regras à localização de dados. “A alteração no roteamento dos servidores de DNS faz parte das nossas operações normais de rede. Não há absolutamente qualquer relação com potenciais novas regras relativas à localização de dados”, disse.

A opinião da Renesys, que fez a medição estatística, é que a Google está esperando para ver. “Parece apenas prudente que, ao saber da nova lei de privacidade no Brasil, a Google tenha iniciado o processo de descontinuidade de seus serviços no país, aguardando uma possível revisão da legislação por parte de seu corpo jurídico”, diz o site de monitoramento.

A Renesys aponta ainda que isso poderia ser encarado de duas formas: uma boa, em que, se a Google deixasse o Brasil, como fez na China, isso poderia incentivar a produção e competição local desse tipo de serviço; e a ruim, bem, é que não teríamos DNS da Google por aqui.

E certamente a segunda opção não seria nem cogitada para deixar de existir.

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