A Google inaugurou na última segunda-feira, 4 de abril, seu novo centro de pesquisas e desenvolvimento em Belo Horizonte. Com o novo espaço de 4.800 m², a empresa poderá contar com até 200 engenheiros trabalhando nos mais variados projetos, contra uma equipe atual de cerca de 100 pessoas.

O primeiro centro de P&D da companhia no Brasil foi inaugurado em 2005, quando a Gigante das Buscas comprou uma startup mineira chamada Akwan. A pequena empresa desenvolvia software voltado para recolhimento de informação na web, que é parte central do buscador da Google atualmente. Um dos fundadores dessa startup hoje é o diretor do centro brasileiro, Berthier Ribeiro Neto, que também é o chefe de engenharia da Google para a América Latina.

No evento, junto com colegas que ajudaram a abrir o centro na capital mineira em 2005, Ribeiro Neto comentou como a Google enxerga com bons olhos o talento brasileiro na área do desenvolvimento.

Berthier Ribeiro Neto, chefe de engenharia da Google para a América Latina

Ficou muito claro que o Brasil era um lugar de tremendo potencial em termos de capital humano e qualidade das universidades

“Luiz André Barroso, o nosso colega que veio de Mountain View para a inauguração, sempre comentou que, quando a Google pensou em abrir um escritório de engenharia na América Latina e fez uma comparação entre os países, ficou muito claro que o Brasil era um lugar de tremendo potencial em termos de capital humano e qualidade das universidades”, explicou o diretor do centro.

Segundo ele, mesmo com a situação de crise atual, a companhia enxerga bons resultados para o seu futuro no Brasil. Por conta disso, o investimento está sendo feito aqui para colaborar com projetos em nível global.

O que se faz em BH para a Google

O centro de pesquisas de Belo Horizonte está entre os mais importantes da empresa no mundo em termos de desenvolvimento de ferramentas que melhoram o buscador online.

Um dos engenheiros, Hugo Santana, comentou ao TecMundo que a “2ª melhoria mais importante” já feita no buscador veio do escritório brasileiro. Ao todo, 250 melhorias já foram aplicadas pela equipe mineira, o que impacta em 100% das buscas feitas no Google no mundo inteiro.

Em todas as pesquisas que você faz no buscador, pelo menos 1 dos 10 primeiros resultados é impactado pelo que o time de desenvolvimento de Ribeiro Neto faz. Um dos exemplos mais palpáveis seria os resultados de “buscas locais”.

Em todas as pesquisas que você faz no buscador, pelo menos 1 dos 10 primeiros resultados é impactado pelo que o time de desenvolvimento de BH

Há cerca de quatro anos, a Google decidiu alterar a forma como o buscador interpretava informações e buscas relacionadas a locais: bares, restaurantes, praças esportivas, pontos turísticos e vários outros tipos. Os resultados eram desencontrados e, raramente, traziam informações diretas para o usuário.

Espaço "relax" para os engenheiros da Google

Atualmente, a busca por locais é bem mais concisa e mostra resultados diretos. Durante a inauguração, Bruno Pôssas, líder do time de buscas no Brasil, fez uma demonstração de como isso funciona atualmente: com uma pergunta sobre um estádio de futebol específico, o buscador mostra um cartão com informações diretas sobre o local, como foto, nome oficial, avaliação dos visitantes e tipo de estabelecimento.

É possível ter ainda mais detalhes clicando nesse elemento, mas o essencial já é mostrado de cara, e também existe a possibilidade de obter direções para chegar ao lugar através do Google Maps.

O escritório ainda lidera os esforços da Google em trazer informações sobre saúde mais confiáveis e de forma simples para os usuários. O projeto se chama Google Health Search e já possui mais de 400 doenças catalogadas com sintomas e possibilidades de tratamento, o que gera resultados objetivos na hora da busca.

“As soluções desenvolvidas nesse escritório afetam resultados de busca para todos os usuários do mundo, então o impacto é muito claro”, afirmou Ribeiro Neto.

Em volta da UFMG

Grande parte do corpo de engenheiros da Google no Brasil é formada por egressos da Universidade Federal de Minas Gerais. O próprio diretor do centro e o líder de desenvolvimento em buscas passaram pela instituição, sendo que Berthier Riberio Neto foi inclusive professor.

A Akwan, fundada por ele e alguns colegas, foi “encubada” dentro da universidade e, quando a Google fez a aquisição, os criadores resolveram fazer uma doação milionária à UFMG.

Atualmente, o novo centro de pesquisas da Google em BH abriga profissionais de 12 estados brasileiros e de 7 países diferentes. Fora isso, a companhia procura ter um impacto mais positivo na comunidade como um todo.

Precisa de um café? Eles têm um espaço totalmente dedicado a isso!

“Colaboramos com escolas, universidades, pesquisadores e desenvolvedores construindo soluções locais que impactam no desenvolvimento da comunidade do empreendedorismo e capital humano”, explicou Ribeiro Neto.

Como funcionam as buscas

Em uma das demonstrações de projetos da Google durante o evento, Hugo Santana explicou os procedimentos básicos de como o processo de buscas é feito.

Para ele, o sistema funciona mais ou menos como um antigo catálogo de grandes bibliotecas. Elas organizavam em cartões as informações principais referentes ao conteúdo de cada livro, e, consultando esse material, os leitores poderiam ir em busca de um título específico nas prateleiras, sem ter que, de fato, vasculhar cada exemplar.

Google recebe visitantes com café e lanches mineiros, além de pipoca.

No caso do Google, esse procedimento é feito de forma automatizada com 60 trilhões de páginas na web, que são basicamente todos os sites e páginas que existem online atualmente. Um catálogo virtual é feito por um bot, que separa em “compartimentos” informações similares.

O bot da Google vasculha 60 trilhões de páginas na web e cria um catálogo de nada menos que 100 Petabytes, o que representa 100.000 TB

Esse catálogo do Google tem hoje nada menos que 100 Petabytes ou 100.000 TB. Com isso armazenado e em constante atualização, o usuário pode fazer sua busca. Quando as palavras digitadas são enviadas para o buscador, ele as processa separadamente e também em grupo e, com isso, determina quais compartimentos do catálogo são pertinentes para aquela busca.

Em seguida, outro procedimento identifica todo o conteúdo que pode ser relevante para o usuário, ordena cada resultado e mostra na tela do computador ou smartphone. Assim, os itens que têm mais chance de corresponder à sua pesquisa ficam acima, e os demais surgem logo abaixo.

Como trabalhar na Google em Belo Horizonte

Como a Google está expandindo seu corpo de engenheiros de software em Belo Horizonte, você pode estar se perguntado: como eu faço para entrar nessa? Naturalmente, você precisa ser engenheiro de software graduado ou não e ter alguns dos requisitos listados pela empresa aqui. Nesse link, você encontra as opções de trabalho na empresa e detalhes para se candidatar a alguma vaga.

Uma vista inspiradora

O diretor do centro explicou ao TecMundo que eles não estão com pressa para atingir a capacidade de 200 colaboradores no novo espaço. Eles precisam mesmo encontrar as pessoas certas. Por isso, você não precisa correr. É possível conferir mais informações oficiais sobre o escritório mineiro aqui.

O TecMundo viajou a Belo Horizonte a convite da Google para a cobertura dessa inauguração.