A grande novela da Google com um de seus produtos mais ousados e revolucionários – pelo menos no papel –, apesar de quase ter sido dada como encerrada, segue firme e forte, para alegria dos fãs de tecnologia. Mesmo que ainda não se saiba qual as mudanças para a segunda encarnação do Google Glass, é fato conhecido que alguns parceiros da empresa – integrantes do Glass at Work – já estão com o dispositivo em mãos. Uma nova leva de patentes por parte da companhia, porém, pode dar algumas dicas sobre o futuro do aparelho.

A documentação aprovada pelo USPTO – órgão de registro de patentes nos EUA – no último dia 7 indica que a Google pode ser mais uma das grandes do mercado a apostar no sistema de eye-tracking. Ainda que não seja nenhuma novidade no setor, a tecnologia desenvolvida pela Gigante das Buscas – teoricamente – parece mais avançada do que a de concorrentes. Também é válido lembrar que, ao rastrear os olhos do usuário, o dispositivo pode se focar apenas nessa interação, sem exigir os burocráticos comandos por voz ou através de gestos.

Basta analisar um pouco as imagens e o texto do projeto para se ter quase certeza que essa é a mentalidade da Google na nova fase do Glass. Com base na patente, é possível especular que o vestível deve ganhar um complexo sistema para monitorar qual o objeto de interesse do usuário a todo momento. Pequenas fontes de luz garantem uma visão clara da região dos olhos ao mesmo tempo em que uma dupla de câmeras analisa tanto o ambiente ao redor do aparelho como a atenção do proprietário.

Enquanto uma delas é voltada para a frente, a fim de avaliar a cena, outra câmera – implementada no próprio prisma que exibe o minúsculo display dos óculos – se foca no olhar de quem veste o dispositivo. Batendo as duas imagens o Google Glass calcula com uma boa eficácia para onde a visão está direcionada. Mesclando esses dados com posicionamento GPS e particularidades do usuário, o wearable pode passar a exibir informações sobre o que está sendo observado, como menus de restaurantes ou promoções de uma loja, por exemplo.

Volta do hype?

Um sistema assim tem o potencial de fazer o Glass ficar muito mais próximo das promessas iniciais promovidas pela Google, ainda que, nessa altura do campeonato, todo mundo vai querer ver antes de crer cegamente nesses recursos. A patente registrada na semana passada também mostra óculos com dois visores, o que pode indicar uma busca ainda maior pela imersão por parte da empresa. Dois displays, porém, trazem outro problema à tona, podendo agravar ainda mais a distração de quem sai andando por aí com os olhos focados no vestível.

De qualquer maneira, é melhor não ter muitas esperanças de ver qualquer dessas coisas tão cedo. Como sempre fazemos questão de deixar claro quando o assunto são projetos de grandes empresas, é comum que elas façam dezenas ou centenas de registros todos os anos, com poucos deles chegando efetivamente a ver a luz do dia. Ainda assim, será que veremos um retorno digno do Google Glass ou ele vai ficar apenas no campo dos produtos que não atingiram a expectativa do público? Deixe sua opinião na seção de comentários.

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