Que a “tecnologia melhora nossa vida”, todo mundo já sabe. Basta olharmos para nossos computadores, tablets e smartphones para que possamos perceber o quanto é mais fácil viver em um mundo com tecnlogia avançada disponível. Mas você sabia que a tecnologia pode ir muito além dos gadgets pessoais e tornar as cidades mais confortáveis e inteligentes? Pois é isso mesmo que já começa a acontecer em todo o mundo.

Nos últimos anos, um novo conceito de cidades inteligentes (ou Smart Cities, em inglês) começou a ser desenhado em todo o mundo e hoje já é possível ver algumas das consequências disso no planeta. Cidades com sistemas elétricos mais autônomos, redes hidráulicas controladas por centrais remotas, semáforos programados para o conforto dos pedestres e muito mais.

Mas como isso pode ser aplicado? É o que urbanistas e outros profissionais vêm pensando há algum tempo. Encontrar formas de encaixar projetos desse tipo nos orçamentos públicos é um grande desafio. Mas é algo que vale a pena e você vai concordar com isso depois de conhecer um pouco mais sobre os conceitos de cidades inteligentes que iremos apresentar hoje.

Cidades não são iguais

Antes de mais nada, é preciso entender que cidades não são produtos. Elas precisam ser interpretadas como organismos vivos e individuais. Ou seja: cidades possuem necessidades específicas e reagem a tudo de acordo com as características de suas células (as pessoas). É por isso que as cidades inteligentes não serão iguais em todas as regiões do planeta e é por isso que as soluções tecnológicas de uma podem não ser tão necessárias em outra.

Por exemplo: na cidade A, uma instalação de sensores que torne o trânsito mais autônomo pode ser mais importante do que um projeto que reduza a quantidade de lixo na rua. Já na cidade B, a grande necessidade está em permitir que agentes de saúde tenham mais controle sobre verificações realizadas na caça ao mosquito da dengue, sem qualquer preocupação com o trânsito.

É claro que o ideal seria que todas as cidades pudessem otimizar todos os seus setores, mas é claro que isso se torna praticamente impossível em qulquer região – tanto por questões financeiras quanto por viabilidade e tempo das obras. Mas é importante saber que existe um caminho a ser trilhado.

Como tornar uma cidade mais inteligente?

Como já dissemos, não existe uma receita pronta para fazer com que uma cidade se torne algo inteligente e autônomo, mas existem caminhos que podem ser seguidos e que, certamente, melhoram a qualidade de vida das pessoas. As redes elétricas fazem parte de um segmento em que há grandes chances de isso acontecer. Projetos como o Smart Grid pretendem levar economia e eficiência para residências de todo o mundo.

Com sensores medindo gastos individuais, o sistema é capaz de informar aos consumidores quais são os aparelhos que mais gastam e os que desperdiçam, por exemplo. Mais do que isso, espalhar chips ao longo das redes de distribuição pode garantir a rápida localização de falhas e pontos de anexação ilegal (os famosos “gatos”). Indo além, em casos de queda de energia torna-se possível redirecionar a rede de outros pontos, sem qualquer problema.

Para que não nos prendamos ao exemplo da energia elétrica, podemos levar os conceitos também para as redes hidráulicas. Sensores de medição podem saber a quantidade de água que passa por um cano e a que não chega no seguinte para que vazamentos sejam neutralizados. Partindo para o trânsito, saber em que pontos existe afogamento para ressincronizar semáforos não parece uma ótima ideia? E isso vai diretamente ao ponto mais importante disso tudo: as cidades inteligentes não são reativas.

Cidades ativas: a resposta em tempo-real

Até alguns anos atrás, sempre que uma região ficava sem energia elétrica, os moradores precisavam pegar seus telefones e ligar para as companhias de distribuição para informar o problema. As centrais das empresas eram congestionadas porque uma grande quantidade de pessoas repetia o processo. Com as redes inteligentes, isso não é mais necessário em alguns locais, pois a identificação acontece automaticamente e as informações são enviadas em tempo real para as centrais.

Essa é uma amostra clara da importância de um sistema integrado e equipado com sensores. E isso vale para qualquer outro segmento em que queiramos ver os conceitos de Smart Cities aplicados. Voltando ao que falamos do trânsito, as possibilidades são muitas. Imagine que sensores possam contar a quantidade de carros que passam por uma via. Para evitar congestionamentos, eles poderiam cruzar dados em tempo real para fazer com que os semáforos fossem rapidamente alterados.

Em poucos segundos, diversas vias teriam seus fluxos alterados para evitar engarrafamentos. Caso essas possibilidades fossem estendidas aos carros, rotas alternativas poderiam ser sugeridas aos motoristas para que o organismo inteiro funcionasse sem travamentos. E se você acha que isso é “futurista demais”, dê uma olhada no que a Universidade de Michigan já estava testando no ano de 2012.

Os exemplos da América Latina

Em um evento realizado no início de maio de 2015, a empresa SAP organizou uma palestra para mostrar como os conceitos de Smart Cities estão sendo instalados ao redor do mundo – sendo a própria empresa uma das responsáveis por isso, graças ao seu projeto Urban Matters, que vende tecnologia e treinamento para que as cidades possam se organizar em projetos como os mostrados aqui.

Um dos pontos do evento foi referente aos países da América Latina, sendo que Rio de Janeiro e Buenos Aires são algumas das cidades que mais se destacam. Na capital argentina, um dos grandes destaques está na instalação de soluções da SAP Mobile Platform. Elas permitiram que aplicativos fossem criados para que os inspetores possam informar rapidamente a existência de qualquer problema na cidade (incluindo lâmpadas queimadas e irregularidades nas calçadas).

Essas informações são enviadas em tempo real para as centrais, que então encaminham as requisições para as empresas responsáveis por cada um dos problemas encontrados. Mas uma forma ainda mais interessante de tornar a cidade inteligente está no Ministério de Meio Ambiente e Espaços Públicos da cidade. Em 2014, Buenos Aires foi premiada mundialmente por seu sistema de tratamento do lixo sólido.

E isso não veio somente com a ação dos cidadãos (algo vital, logicamente), mas também com a instalação de sensores que permitiram mais controle sobre as coletas de lixo. Isso ainda entra em consonância com o exemplo anterior, pois os inspetores também são responsáveis por indicar locais com acúmulo de resíduos. Uma das consequências mais interessantes disso: Buenos Aires quase dobrou a quantidade de chuvas que podem ser recebidas sem riscos de enchentes.

Voltando ao Brasil. Como a SAP explicou recentemente, o Rio de Janeiro possui sensores e câmeras que são usadas para o monitoramento de trânsito, segurança e outros aspectos faz dela uma cidade inteligente. Mais que isso, esses sensores quando ligados a centrais meteorológicas, permitem que ações preventivas sejam tomadas rapidamente em casos de tempestades ou qualquer outra situação que fuja do planejamento.

Ainda no Brasil, um exemplo curitibano também merece destaque. Recentemente, mais de 100 semáforos especiais para pedestres foram instalados na capital paranaense. Equipados com sensores para cartões magnéticos (que são usados por idosos e portadores de necessidades especiais), eles podem permanecer abertos por mais tempo para que pessoas com mobilidade reduzida tenham mais facilidade nas travessias. Um ótimo exemplo que mostra que as soluções também podem ser locais e sem interligações mais complexas.

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É difícil ler sobre todas essas possibilidades e não ficar com a dúvida: “Quando veremos isso sendo aplicado em todo o mundo?”. Infelizmente, ainda vai demorar muito para que todas as cidades ganhem todos os recursos possíveis. Mesmo assim, é interessante que todos estejam atentos às novidades que surgem frequentemente.

As grandes metrópoles estão constantemente precisando de novas soluções e, certamente, veremos muitas delas em um futuro próximo. Você consegue se lembrar de algum exemplo que faça a sua cidade ser mais inteligente? E quais os que você mais gostaria de ver sendo instalados aí perto da sua casa?