Coração no bico da chuteira, amor à camisa e força de vontade acima de tudo. Foi-se o tempo em que o futebol se resumia muito mais aos aspectos passionais do esporte do que à tecnologia e ao planejamento realizados fora das quatro linhas. Mais do que o esporte do povo, o futebol se tornou uma indústria rentável e a cobrança por resultados cresceu à mesma medida que os lucros vieram.

Na atualidade, para formar uma equipe vencedora não são necessários apenas atletas de ponta, uma completa infraestrutura de treinamento e profissionais qualificados no plantel técnico. É preciso ir além, fazendo a diferença e utilizando todo e qualquer recurso extra disponível.

Mas como a tecnologia pode auxiliar os treinadores a buscar um algo mais dos seus atletas? No que depender dos softwares, eles podem sim servir como um ótimo complemento fora das quatro linhas, fazendo com que os atletas possam visualizar no mundo virtual algumas das situações que podem encontrar dentro de campo.

Tecnologia liderando o campeonato

Até a nona rodada do Campeonato Brasileiro, o líder da competição é o Corinthians. O clube, dirigido pelo técnico Tite, está três pontos à frente do segundo colocado, com um jogo a menos e ainda invicto na competição. Para o treinador, um dos diferenciais do seu trabalho reside na utilização de um software.

Tite utiliza, desde a época que trabalhou nos Emirados Árabes, um software chamado eBeam. Com ele é possível transformar uma parede, um quadro ou até mesmo uma tela de TV em uma espécie de lousa interativa. O recurso é ideal para as preleções junto ao grupo, realizadas em vestiários que nem sempre contam com a infraestrutura necessária.

Além do aplicativo, Tite exibe vídeos de partidas e paralisa jogadas para explicar por que determinado gol saiu ou por qual razão é mais fácil penetrar na defesa do adversário por um lado específico do campo. Antevendo as jogadas, os atletas têm como buscar um melhor posicionamento no gramado, evitando desgastes desnecessários.

Um exemplo claro de resultado obtido com a aplicação do programa pôde ser visto no clássico entre Corinthians e São Paulo, vencido pela equipe alvinegra por 5x0. Com o placar ainda em 0x0, o atacante Jorge Henrique voltou à sua própria área para marcar, seguindo um exemplo do atacante Villa, do Barcelona, na final da Liga dos Campeões da Europa contra o Manchester United.

Reunindo o material necessário

Para alimentar as imagens do aplicativo, o Corinthians conta com uma equipe de cinco profissionais para captura de imagens. Depois de assistir aos vídeos, Tite seleciona o conteúdo que deseja passar aos atletas e pede para que eles, individualmente, decorem seu posicionamento e estudem o adversário.

Depois de definir a tática que a equipe adotará na partida, o esquema tático em 3D entra em campo. O técnico pode movimentar as peças em seu quadro virtual como se estivesse mexendo com os jogadores num campo de futebol de botão.

Alternativa europeia

Outro software profissional do gênero leva a assinatura de um dos mais renomados técnicos do mundo, o português José Mourinho, atualmente no Real Madrid. Ele empresta a sua imagem ao aplicativo Tactical Board, disponível para Windows, Mac OS, Linux e Android.

Similar aos modos de edição de atletas de jogos de video game como FIFA 11 ou PES 2011, o Tactical Board permite não só se preocupar com o posicionamento dos atletas, mas também dar a eles características e qualificações valendo-se de dados obtidos em testes físicos e médicos. Assim, calcula-se o limiar de desempenho do jogador, permitindo dosar a maneira como ele é utilizado nas partidas.

180 milhões de treinadores