Força, potência, consumo e até turbo lag são informações necessárias quando você está buscando um veículo — principalmente se você for um gearhead. Basta alguma montadora colocar um novo carro no mercado que o consumidor encontra milhões de detalhes sobre o desempenho do veículo. Contudo, quando falamos em tecnologias embarcadas e o quanto elas podem ser benéficas — ou não —, existe um certo buraco. Pegamos para teste o novo Ford Fiesta 1.0 Ecoboost 2017 e estamos aqui exatamente para isso: mostrar as tecnologias que o carro oferece.

A Ford anunciou a estreia do Fiesta 1.0 Ecoboost no mês passado. O modelo chega como top de linha da linha Fiesta (Titanium Plus) e tem um preço de R$ 71.990. Por ter 125 cavalos, o motor turbo do carro é o mais potente 1.0 disponível atualmente, batendo concorrentes como o Volkswagen Up! TSI e o Hyundai HB20 Turbo, que registram 105 cavalos de potência.

Mais detalhes técnicas sobre o motor, só para não passar despercebido? É um Ecoboost de 3 cilindros com um turbocompressor, que não é flex – ou seja, é abastecido somente com gasolina –, com um câmbio automatizado de dupla embreagem e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos. Uma das melhores partes do pequenino motor turbo é seu torque máximo, de 17,33 kmgf, que já é sentido logo na faixa intermediária das 6.000 rpm que o propulsor alcança.

Pronto. Passados os números que a Ford garante, agora você vai conhecer mais sobre os sistemas de tecnologia que a montadora colocou no Fiesta 2017.

Ford Fiesta 2017

Sem touch, mas com experiência completa

Assim que você entra no novo Fiesta, caso tenha na memória imagens do modelo anterior, é possível notar algumas mudanças no desenho do painel. Veja: o design central e as disposições são praticamente as mesmas, porém o material utilizado no entorno dos botões abaixo do computador de bordo é mais brilhante e entrega uma aparência mais premium ao veículo.

Talvez, por causa dessa aparência premium, uma tela grande e sensível ao toque é esperada. Ela não vem, mas a Ford colocou um pequeno computador de bordo (tela 3,5") que, apesar do tamanho, tem espaço suficiente para passar todas as informações de maneira clara, sem que você tenha que apertar os olhos.

O SYNC Media System é bem intuitivo, mas peca na falta do touch

Se o seu smartphone é a sua vida, pode ficar bem tranquilo. O sistema multimídia que a Ford oferece, chamado de SYNC Media System, oferece uma interação intuitiva. A disposição dos botões no painel e a maneira como o sistema é apresentado no computador de bordo — e também quando falamos em portas e possibilidades de conexão — tornam o acesso mais fácil, além de rápido.

Você pode conectar o seu smartphone via USB, entrada auxiliar ou conexão Bluetooth. É interessante notar que as portas USB/AUX ficam logo abaixo do freio de mão, com espaço próprio para acomodar o celular. Ou seja: nada de ficar com um dispositivo "sambando" enquanto dirige. O SYNC também roda CDs e MP3s, caso você ainda esteja preso nos anos 90 — tente levar na brincadeira.

Justiça seja feita, em partes: o Fiesta não é o carro top de linha da Ford. Apesar de oferecer muitos pontos que lembram um veículo premium, é necessário lembrar que os mimos e as tecnologias de ponta são realmente colocadas em carros como o Fusion e o Edge, que partem de R$ 114 mil e R$ 229 mil, respectivamente. Mesmo com o bom trabalho que o SYNC faz, ele poderia fazer melhor — principalmente por estar em um carro na faixa dos R$ 70 mil. Sendo claro: o Chevrolet Onix (na faixa dos R$ 40 mil) e o novo Gol (na faixa dos R$ 50 mil) chegam com uma tela sensível ao toque de tamanho suficiente e espelhamento iOS e Android. 

Dedos, por que os ter?

Utilizar os dedos para mexer no menu enquanto dirige é um erro, pois você tira os olhos da rua e de outros veículos. Frente a isso, o SYNC oferece uma opção bem clara e fácil de usar, que são os comandos de voz.

Por meio dessa tecnologia, você pode atender ligações que chegam no smartphone e realizar outras, pode enviar mensagens de texto SMS e também ouvi-las. Isso significa que você não precisa ficar olhando para a tela do smartphone e arriscar o perigo de entrar na traseira de uma carreta.

Mesmo assim, se você é uma pessoa que gosta de usar os dedos, o volante está cheio de botões. Só no lado esquerdo, você encontra: 

  • Controles de áudio
  • Controles de volume de som
  • Controles de telefone
  • Controles de trocas de estação/música
  • Controles de climatização (por voz via SYNC)

Já no lado direito do volante, a Ford incluiu algo que é esperado num carro com esse valor, que é o piloto automático. Você consegue determinar uma velocidade a ser mantida constante na estrada por meio de alguns cliques com o dedo.

É bom notar que não tivemos qualquer dificuldade para utilizar a tecnologia SYNC. Toda a disposição é bem intuitiva e, tanto conectando o celular via USB, AUX ou Bluetooth, o processo é bem tranquilo. Porém, caso você vá fazer a conexão com as mãos, sem os comandos de voz, é recomendável estar com o carro parado — mais rápido e sem riscos.

Uma das tecnologias que a Ford incluiu no SYNC é o AppLink. Ela age como uma intermediária entre você e os aplicativos no seu smartphone. Isso significa que você pode interagir com apps por meio de comandos de voz. Por exemplo, você pode navegar pelo Spotify e Google Music, trocar músicas e listas de reprodução com apenas algumas palavras.

A noite é escura e cheia de terrores

Bem, digamos que o Ford Fiesta 2017 ameniza esses terrores. Se você é uma pessoa que gosta de LED e está pensando em comprar o carro em questão, vá fundo. O painel é bem iluminado e todos os botões possuem uma luz azul de indicação — e fique tranquilo, tudo foi muito bem dosado pela Ford, você não vai encontrar uma árvore de natal.

Nada de perder a visão por luz excessiva

Os faróis do Fiesta também contam com uma tecnologia de acendimento automático bem interessante. Assim que o carro "percebe" que está anoitecendo e ou chovendo, os faróis são acionados automaticamente. Vale notar que os faróis não percebem quando você está em uma estrada durante o dia, então, de acordo com as novas leis, se não quiser tomar uma "multinha", acenda por conta própria.

Outra tecnologia que se faz presente é o retrovisor eletrocrômico. O que isso significa? Sabe quando você está dirigindo e o carro de trás tem aquele farol desregulado que atrapalha a sua visão? A tecnologia eletrocrômica ataca exatamente neste ponto e atenua as luzes recebidas e refletidas no retrovisor. Sabe qual é o mais legal disso? Ela funcionou bem em nossos testes e, realmente, as luzes mais fortes não atrapalharam o quanto poderiam.

Painel bem iluminado

Hit the Road, Jack

Um ponto para notar antes de você saber como o veículo se sai nas ruas: ele possui um botão Power para acionar o motor. Isso mesmo, não há necessidade de chave de ignição — ela serve apenas para abrir as portas. Basta apertar um botão e você está pronto para sair dirigindo.

As tecnologias suportam bem a dirigibilidade do New Fiesta 2017. Se a direção hidráulica já é um ponto positivo e praticamente obrigatório, a direção elétrica presente no Fiesta é um maná para os braços mais cansados.

Como pudemos notar, a força aplicada necessária para esterçar o volante é automaticamente ajustada de acordo com a velocidade em que o carro está: bem leve em baixa velocidade e extremamente leve em velocidades mais altas.

O volante elétrico aumenta o conforto ao dirigir

O volante ainda melhora a experiência de pegar uma estrada — ou uma rua mais esburacada. Isso porque ele oferece um sistema de cancelamento de vibrações que funciona bem e neutraliza com sucesso vibrações e solavancos dos pneus.

Tudo isso que foi citado permite que o carro compacto alcance uma velocidade alta e mantenha uma dirigibilidade agradável. Por causa do motor Ecoboost de 125 cavalos, do design e do câmbio automatizado de dupla embreagem, se você não tomar cuidado, vai passar do limite de velocidade nas ruas sem notar e com bastante facilidade.

Ainda, por causa das tecnologias de comandos de voz, é possível focar mais no que acontece no trânsito ao seu redor — o que até deixa as "esticadas" mais seguras.

Se você não tomar cuidado, vai passar do limite de velocidade

Ford Fiesta Titanium Plus 1.0 Ecoboost AT

Vale a pena? Veja só, R$ 71.990 é um preço alto para um carro intermediário. O KA, modelo de "entrada" da Ford, parte de R$ 40 mil — o que também pode assustar. Ainda, se você estiver de olho em uma tela grande e sensível ao toque, com uma tecnologia de integração com sistemas operacionais móveis bem robusta, talvez seja melhor olhar para outro lado. Porém, a montadora está, em partes, justificando o valor ao incluir pontos premium nos veículos mais "baratos".

Note que, no Fiesta Ecoboost, você encontra um sistema SYNC que, felizmente, faz diferença na hora de dirigir, mesmo que ele não seja sensível ao toque com uma tela grande. Vale mencionar, claro, o piloto automático. Bacana, não?

Além disso, só com a mão no volante você realmente consegue sentir como a dirigibilidade do Fiesta é boa. Não falta potência, principamente para rodar em uma cidade grande; e o câmbio que funciona sem engasgos é uma dávida para o trânsito. 

Digamos que o Ford Fiesta 2017, se nos permitem uma comparação rápida, seja um smartphone Moto G com 4 GB de RAM: o preço pode ser alto, mas ele cumpre o seu papel e ainda traz capacidades presentes em produtos tops de linha.

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