No início do ano passado, a Fundação Mozilla anunciou que havia começado o desenvolvimento de um sistema operacional voltado para dispositivos móveis, que mais tarde ficou conhecido como Firefox OS.

Em meados de 2012, já se sabia quais empresas seriam as primeiras a produzir gadgets com essa plataforma, que o sistema seria compatível com cerca de 75% dos aplicativos desenvolvidos para Android e iOS — os, por enquanto, soberanos dessa categoria — e que o SO estaria em breve disponível para desenvolvedores.

Agora, quase um ano após a revelação de sua existência, o Tecmundo teve a oportunidade de experimentar a versão 1.0.0.0 Pré-release do Firefox OS, ou seja, uma das suas edições “embrionárias”. Confira quais foram as nossas primeiras impressões sobre o sistema operacional da Raposa.

O principal: a interface

A interface do Firefox OS combina de forma sutil e elegante traços das duas principais plataformas da atualidade: iOS e Android.

A tela principal do sistema possui unicamente um relógio e a data. Movimentando o dedo da esquerda para a direita, você acessa o mecanismo de pesquisa do SO e, no sentido contrário, explora os aplicativos instalados — algo bem parecido com o que acontece no produto da Apple.

Mantendo o dedo pressionado por alguns segundos, é possível mudar o plano de fundo a partir da galeria de wallpapers e de imagens ou tirando uma foto. Ao menos na versão que testamos, não é possível adicionar atalhos personalizados à área de trabalho como ocorre no sistema da Google.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Embora a estrutura dos menus de configuração do Firefox OS seja semelhante à da plataforma do robozinho verde, os botões que ativam os recursos lembram muito os modelos usados no sistema da Maçã. Esses são apenas alguns exemplos dessa miscigenação de características do Android e iOS.

E devemos deixar bem claro que não estamos dizendo que isso é um ponto negativo. Na verdade, a interface da novidade da Mozilla nos agradou bastante, apresentando uma aparência muito bonita e organizada.

Aliada a isso, a tradução de todo o sistema para o português permite que você encontre tudo o que deseja com muita facilidade — além de, quem sabe, revelar que o nosso país está em destaque nos planos da Fundação Mozilla e pode ser um dos primeiros mercados a receber o Firefox OS.

Outras características bacanas

A área de notificação é outro recurso desse sistema que possui um visual descolado, tendo um fundo transparente, além de disponibilizar botões de acionamento rápido a funcionalidades usuais (incluindo Wi-Fi, Bluetooth, modo avião e configurações do sistema).

A barra de recursos “estáticos” na parte inferior da tela é mais uma característica que merece ser citada, pois possui suporte para rolagem lateral e pode exibir mais do que os quatro ícones que estamos acostumados a ver nos demais sistemas operacionais adotados em smartphones.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Além dos tradicionais botões de telefone, contatos, mensagens de texto e navegador, o Firefox OS (por estar em fase de desenvolvimento) apresentava um mecanismo para envio de feedbacks. Apesar de mostrar que pode comportar mais ícones, não encontramos uma forma de customizar ou adicionar esses atalhos, o que nos gerou uma dúvida se isso será liberado em sua edição final.

Tela de desbloqueio

Ainda no que tange a parte visual do Firefox OS, a tela de desbloqueio do sistema nos causou certa estranheza. Ela pareceu meio retrógrada e tem um mecanismo o qual exige que você acesse um menu e pressione um botão para desbloqueá-la. As formas de liberação das versões mais recentes tanto do Android como do iOS são muito mais intuitivas, bastando deslizar o dedo pela tela do aparelho.

Navegação de primeira

Como era de se esperar do sistema operacional de uma organização especializada em browsers, o Firefox OS foi bem satisfatório quando o assunto é navegação pela internet. Embora o Firefox nativo desta plataforma aparente ser uma das suas primeiras versões lançadas para o Android, ele aguentou bem a demanda de carregamento de sites, serviços online e redes sociais que impomos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

O contato que tivemos com o navegador em sua própria plataforma revelou um excelente suporte para HTML5 e uma funcionalidade descomplicada e de fácil adaptação. Podemos afirmar que esse foi o aplicativo com o melhor desempenho da versão do Firefox OS que experimentamos.

Em relação ao browser, apenas sentimos falta de avaliar a sua integração com versões acessadas de outras plataformas, o que é possível com o recurso Sync — o qual não estava disponível na edição do SO que testamos, mas deve ser viabilizado em futuras atualizações.

Não quero compartilhar informações

Ao explorar a web, nós estamos suscetíveis a termos nossos dados e comportamentos de navegação analisados e armazenados pelas páginas e serviços que visitamos. Por isso, atualmente é comum encontrarmos nos principais navegadores a funcionalidade que impede esse rastreamento.

O Firefox OS transferiu esse mecanismo comum em browsers para todo o sistema operacional. Ao ativar o recurso “Não Me Rastreie”, a plataforma informa a cada site, serviço ou programa que você não quer ser monitorado.

Câmera ainda bem limitada

É sabido que o Firefox OS ao qual tivemos acesso está bastante “cru”. Contudo, o software de captura empregado para a câmera deixou bastante a desejar. Obviamente, ele deve evoluir nas próximas edições, até ser oficialmente lançado com o SO final. Todavia, isso não diminui a má sensação que tivemos desse recurso.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Ao abrir a câmera, nós só tivemos acesso a botões que alternavam entre captura de imagens ou vídeos. O aplicativo não ofereceu qualquer outra opção de configurações, como ajuste de cores, aplicação de filtros, temporizador, entre outros.

Além disso, embora as fotografias tenham sido registradas normalmente, quando as fotos eram tiradas a tela de exibição sofreu distorções bizarras de cores e reprodução de imagem, parecendo que o display havia sido batido e quebrado — o que, temos que admitir, nos assustou um pouco.

Teclado

Outro recursos de extrema importância em um sistema operacional móvel é o teclado. E nisso o Firefox não nos decepcionou. O teclado virtual empregado possui um visual bonito e teclas bem espaçadas, proporcionando uma digitação bastante natural e com poucos erros — mostrando-se bem responsivo, apesar de a tela do aparelho no qual avaliamos o SO não colaborar muito no quesito tamanho.

Ainda faltam alguns detalhes um pouco mais avançados, mas comuns nas demais plataformas, para que a experiência de digitação do Firefox OS seja equiparada ao dos seus concorrentes. Dois exemplos são a configuração automática para caixa alta em início de frases e após pontos e a disponibilização de uma tecla “.com” quando selecionados campos de email.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Falha na barra de rolagem

Sem dúvida, o que mais nos incomodou nesta edição experimental do SO da Mozilla foi uma falha no sistema de rolagem. Em determinados programas, como a loja e o emulador de apps, enquanto você realiza a rolagem para baixo, uma faixa branca vai subindo e assumindo toda a tela, até o momento que você não enxerga mais nada do conteúdo exibido pelo software.

Esse é mais um problema de início de desenvolvimento que a equipe da Raposa deve estar corrigindo — se é que já não o fez.

Lentidão?

Quando o assunto é desempenho, precisamos ter muita cautela ao “avaliar” um sistema em desenvolvimento, principalmente pelo fato de o Firefox OS ter sido enviado com um smartphone que não apresenta configurações de alto desempenho. Na verdade, seria injusto realizar benchmarks e testes mais pesados nesse sentido, por isso resolvemos não nos aprofundar nesse assunto.

O fato é que, de uma forma geral, o sistema apresentou uma certa demora para carregar os programas e um pouco de retardo nas transições de telas. Não foi nada extremamente irritante, mas que levemente afetou a nossa experiência de uso e deve ser mencionado em nossas primeiras impressões.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Todavia, voltamos a salientar que tal lentidão está mais relacionada com o potencial de processamento de hardware do eletrônico. Por ser baseado em um conceito de software livre e voltado para OEMs, a expectativa é que o Firefox OS possa rodar até em modelos de entrada, ou seja, equipamentos menos potentes.

Se as configurações dos primeiros aparelhos com a plataforma, modelos Peak e Keon, anunciadas pela Mozilla forem confirmadas, você não precisa se preocupar com isso, pois os processadores Snapdragon, os 512 MB de memória RAM e os 4 GB de armazenamento devem dar conta do recado.

Considerações finais

Ainda é cedo demais para afirmarmos qualquer coisa sobre o futuro do Firefox OS. Primeiramente pelo fato de que, como pudemos observar na versão testada, a plataforma ainda tem muito a ser desenvolvida, correspondendo a inúmeras melhorias.

Ele vai conseguir encarar os poderosos iOS e Android? O sistema da Mozilla tem um bom potencial competitivo, principalmente pela sua interface amigável e descomplicada e ótima experiência de navegação. Contudo, compará-lo com ecossistemas já consolidados e que possuem um histórico de investimentos pesados não faria qualquer sentido.

(Fonte da imagem: Divulgação/Mozilla)

Para sairmos de cima do muro, o que podemos fazer é mencionar o Ubuntu for Phone, a versão do Linux para dispositivos portáteis que tivemos a oportunidade de ver de perto durante a CES 2013.

Entre as plataformas que observamos na feira de eletrônicos em Las Vegas e a que tivemos contato recentemente, fica claro que o produto da Canonical está alguns passos à frente e, a princípio, mais perto do mercado. Contudo, nada impede que a Raposa vire esse jogo.

Em suma, nossas impressões iniciais do Firefox OS são positivas mas cautelosas. O que esperamos é que ele evolua bastante e possa ser mais uma boa opção de sistema operacional para nossos gadgets, afinal nada melhor do que uma nova concorrência para promover ainda mais avanços tecnológicos.

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