Uma unidade de mineração no norte de Myanmar tornou-se bem famosa por ser o local da queda de um enorme pedaço de lixo espacial nesta última quinta-feira (10). Simultaneamente com o primeiro e maior impacto, uma parte menor de detritos com marcas chinesas caíram destruindo o telhado de uma casa da cidade próxima. Felizmente, ninguém ficou ferido em nenhum dos incidentes.

O objeto maior tem forma de barril e mede cerca de 4,5 metros de comprimento, com um diâmetro de pouco mais de um metro. "Os objetos de metal são possíveis partes de um satélite ou peças do motor de um avião ou míssil", de acordo com um relatório da polícia local.

O governo chinês não confirma e não nega se ambos os lixos espaciais pertencem a eles. Embora possa não servir de confirmação, é importante notar que no mês passado a Nave chinesa Tiangong-1 fez sua reentrada na atmosfera da Terra. É possível que estes detritos sejam parte dela.

Este incidente aponta para o crescente problema do lixo espacial em volta do nosso planeta. A NASA estima que há mais de 500.000 pedaços de detritos orbitando a Terra atualmente, e em velocidades de até 28.162 km/h.

Perigos da era moderna

Essa acumulação de lixo espacial é resultado dos projetos de exploração espacial que vem acontecendo desde a guerra fria. Estes detritos vêm principalmente de satélites desativados ou peças descartadas de lançadores. Por se moverem em velocidades absurdamente altas, eles apresentam sérios perigos para a Estação Espacial Internacional e outros satélites, bem como naves ou outros veículos espaciais de transporte humanos — vide o filme Gravidade, com Sandra Bullock e George Clooney.

Reprodução/Daily Mail

Estes destroços também poderiam colidir com a Terra sem aviso, como foi o caso de Myanmar. Um grupo da Suíça propôs o envio de um satélite equipado com um tipo especial de rede para recolher detritos espaciais. Embora estes esforços são louváveis, uma solução mais abrangente para a questão é necessária – como uma em que cada país que contribuiu para lixo espacial aloque recursos para limpá-lo.

Se queremos enviar seres humanos à Marte ou para um possível turismo espacial, temos de garantir que os foguetes espaciais estão a salvo de lixo espacial potencialmente destrutivo em nossa órbita.

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