O uso de exoesqueletos para permitir que pessoas debilitadas “recuperem” seus movimentos sempre foi uma meta e tanto para a medicina. E parece que, depois de tanto tempo, estamos chegando realmente perto de conquistar este objetivo.

Basta conferir o vídeo acima para entender. Nele, vemos um exoesqueleto ajudar Mark Pollock, um medalhista cego que sofre de paralisia nas pernas desde um acidente que quebrou sua espinha em 2010, dar seus primeiros passos em anos, logo depois de equipar um dispositivo feito por cientistas da Universidade da Califórnia.

Ficou impressionado? Pois saiba que o resultado se mostrou ainda melhor, segundo o artigo da pesquisa publicado na IEEE Engineering. Isso porque, após apenas cinco dias de treino no aparelho, Pollock foi capaz de dar milhares de passos nas duas semanas seguintes. E o mais incrível: os movimentos foram realizados somente utilizando os próprios músculos do atleta, sem a ajuda de motores – algo nunca antes feito.

Salto tecnológico

É importante notar que este não é o primeiro aparelho a conseguir a façanha de recuperar uma pessoa debilitada; de fato, você provavelmente viu um exoesqueleto fazer o mesmo no início da Copa do Mundo de 2014. Mas, como deve ser perceptível neste caso, a diferença na tecnologia é grande: no caso deste projeto, temos um aparelho muito menor e mais discreto, do tipo que poderia ser usado por baixo da roupa sem chamar a atenção de outras pessoas.

Além disso, como dito anteriormente, o exoesqueleto não apenas “carregou” as pernas de Pollock até a posição correta, mas permitiu a ele ter controle sobre os músculos de sua perna. Para tal, o sistema utilizou um conjunto de estimuladores elétricos na espinha do atleta, energizado por uma bateria acoplada, que “reviveu” a conexão entre o cérebro e os membros.

Tudo isso, vale notar, não é um processo invasivo ao paciente de maneira alguma. Ou seja: as pessoas, no futuro, poderiam comprar um exoesqueleto como esses em uma loja, vestí-lo e já começar a usá-lo (isso sem considerar a parte dos vários dias de treino).

Com algumas limitações, por enquanto

Mas se os estimuladores é que controlavam os movimentos de Pollock, qual a utilidade do exoesqueleto em si? Infelizmente, eles são necessários para dar suporte ao paciente, visto que tanto ele quanto os outros candidatos a testarem o mecanismo de estímulos elétricos não foram capazes de usar o sistema para sustentar seu próprio peso.

Mesmo assim, tudo indica que um exoesqueleto como esses tende a se tornar cada vez mais eficiente, tanto com os avanços tecnológicos quanto pelo próprio treino de quem o utiliza. “Para pessoas que estão severamente feridas, mas não completamente paralisadas, temos todos os motivos para acreditar que eles terão a oportunidade de usar esses tipos de intervenções para melhorar seu nível de função. Eles devem melhorar ainda mais”, disse Reggie Edgerton, autor sênior da pesquisa e professor de biologia integrada, fisiologia, neurobiologia e neurocirurgia na Universidade.

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