Para John Sculley, líderes precisam ter o direito de falhar e de aprender com os erros (Fonte da imagem: Tecmundo/Baixaki)

A palestra de abertura do evento InfoTrends 2012, que aconteceu hoje (21), em São Paulo, ficou por conta de John Sculley, ex-CEO da Apple que atuou na empresa durante o período de 1983 a 1993. Por quase duas horas, o profissional apresentou detalhes de sua passagem pela Maçã e também um pouco da sua convivência com Steve Jobs, além de abordar os projetos em que trabalha no momento.

E a Gigante de Cupertino não é o único grande nome no currículo do palestrante. O que levou Steve Jobs a contratar os serviços de Sculley foi o trabalho dele com a Pepsi, durante a década de 70, o que fez com que o refrigerante se tornasse uma ameaça real à dominação de mercado da Coca-Cola.

Tanto na Pepsi quanto na Apple, a estratégia divulgada por Sculley era muito semelhante: não vender produtos, mas sim uma experiência. Desde que apresentou o conceito para Jobs, a Apple começou a adotar esse tipo de pensamento. Não é à toa, por exemplo, que Steve Jobs costumava comparar computadores pessoais com uma espécie de “bicicleta para a mente”.

Sobre o afastamento de Steve Jobs da Apple, em 1985, Sculley parece se arrepender e diz que gostaria de ter tido um mentor naquela época. Talvez, dessa forma, ele teria evitado a briga com Jobs ou pudesse recontratá-lo logo em seguida, para voltar a liderar a empresa que ele mesmo fundou.

Inovação e medo de errar

Ao abordar temas como a inovação e as características de um grande líder, Sculley foi bastante claro: além de uma curiosidade insaciável e vontade de mudar o mundo, um visionário não deve temer o erro. Uma cultura que permita a alguém falhar é imprescindível para o processo de criação de soluções inovadoras.

Jobs e Sculley em reunião anual da Apple, em 1984 (Fonte da imagem: Bloosmberg)

E a Apple teve muitas falhas. Em sua apresentação, Sculley listou alguns exemplos, como o Macintosh 1985 e o Power Mac G4 Cube. Curiosamente, foi durante a gestão do próprio Sculley que a empresa lançou outro fracasso de vendas: o computador de mão Newton, que, apesar de tudo, acabou abrindo caminho para o iPhone, anos depois.

Com 73 anos de idade e trabalhando como conselheiro de investimento e mentor de startups, Sculley também alerta que uma pessoa visionária consegue perceber o óbvio com muita antecedência. Quando questionado sobre "como prever” o futuro, o ex-CEO da Apple foi categórico: “É preciso ter curiosidade e olhar o mundo de muitas formas diferentes, ter múltiplos pontos de vista”.

Atualmente, Sculley tem investido seu trabalho em inovações para a área de saúde, reunindo tecnologias de sensores que monitoram o corpo e a praticidade da computação em nuvem para que cidadãos dos EUA tenham acesso mais rápido e fácil a histórico médico e profissionais da área.

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