Alguns podem acreditar que o YouTube seja uma simples plataforma para passar o tempo, mas ele vai muito além disso. O serviço é uma ferramenta incrível para o exercício da democracia e se prova um canal excelente para a propagação de culturas alternativas que por motivos diversos jamais encontrariam espaço na mídia mainstream.

Este artigo inaugura um novo quadro no TecMundo – a partir de agora, faremos entrevistas periódicas com personalidades que fazem sucesso no YouTube e construíram carreira através dessa ferramenta. Para iniciar essa série, convidamos ninguém menos do que a cantora MC Mayara para bater um papo conosco a respeito de seu trabalho.

Já falamos sobre ela anteriormente aqui no site. O último clipe da artista, “Ai Como Eu Tô Bandida Dois”, atingiu mais de 1 milhão de visualizações em menos de um mês de existência no YouTube. Embora muita gente tenha entendido o vídeo como apenas mais uma “zoeira huerística”, a verdade é que a produção se refere de uma forma divertida aos movimentos sociais defendidos pela jovem – com destaque, claro, ao feminismo.

Carreira e cotidiano

De acordo com a própria cantora, já aos nove anos de idade Mayara gostava de cantar funk carioca e sempre recebeu apoio dos amigos e da família para seguir essa a vida artística. “Foi o YouTube que alavancou a minha carreira. Quando virei MC, comecei a frequentar baladas e conheci o eletrofunk”, comenta. Segundo a curitibana, sua principal dificuldade na época foi convencer seu empresário de que ela já tinha 18 anos e podia trabalhar.

Mayara é otimista quando questionada se a mídia tradicional – que sempre se manteve limitada a veicular conteúdos mais conservadores – está se abrindo para esse novo ritmo musical. “Tem muita gente que faz eletrofunk. A Anitta, o Naldo e a Ludmilla, por exemplo, apenas mudaram o nome para funk pop. Mas é o mesmo eletrofunk que nós já fazemos há muito tempo”, diz.

E não pense que a rotina da artista é fácil. As gravações de músicas e clipes são feitas sempre às segundas e terças-feiras, enquanto os shows geralmente ficam para os fins de semana. Harmonizando a vida profissional, Mayara também precisa cuidar da Manuella, sua filha nascida no ano passado. “Acho que consigo conciliar bem. No momento não estou envolvida com ninguém, não quero um relacionamento sério pois quero resolver minha vida antes”.

“Não temos mais liberdade de expressão”

Embora suas músicas costumem abordar tópicos bastante discutidos no feminismo – em especial a liberdade sexual da mulher –, a artista diz que “não se considera 100% feminista”, já que discorda, por exemplo, da legalização do aborto. A respeito dos fãs, Mayara afirma que eles não lhe causam problemas e que está sempre disposta a atendê-los da melhor forma possível.

Todo mundo tem sua sexualidade. O importante é explicar que as coisas acontecem na idade certa.

Perguntamos também para a cantora a respeito de um recente projeto que fez sucesso na web: o jogo mobile Pika das Galaxyas, que seria lançado para as plataformas Android e iOS, mas foi recusada em ambas as lojas dos sistemas operacionais por causa do conteúdo erótico. “Não temos mais liberdade de expressão hoje em dia, né? Já tá escrito lá que é um jogo para maiores de 18 anos, não é culpa minha se um menor de idade vai lá e baixa”, desabafa.

Aproveitando o assunto, vale a pena observar que a funkeira não vê problemas em crianças ouvindo e cantando funk carioca, desde que elas sejam educadas pelos pais. “Minha filha escuta minhas músicas e eu não vejo problemas nisso, até porque eu não faço letras tão pesadas. Todo mundo tem sua sexualidade, mas ninguém admite. O importante é explicar que as coisas acontecem na idade certa”.

Uma mensagem séria em um formato bem-humorado

A respeito de seu mais recente sucesso na web, o clipe “Ai como eu tô bandida Dois”, Mayara conta que a ideia foi reunir todas as causas sociais que a cantora costuma abordar em suas músicas (como as lutas contra o machismo, o racismo e a homofobia) e transmitir essa mensagem de uma forma bem-humorada. “Hoje em dia as pessoas prestam mais atenção em coisas bem-humoradas”, explica a artista.

Muita gente odiou porque não entende o contexto do clipe.

Embora a jovem esteja satisfeita com a recepção do vídeo, ela lamenta que muitos internautas não tenham compreendido a mensagem da produção. “Muita gente odiou porque não entende o contexto do clipe, não entende que estamos lutando contra os preconceitos e acham que só queremos chamar atenção. Não entendem, por exemplo, que o raio simboliza a libertação sexual da mulher”, explica.

E as “recalcadas” que se segurem: as críticas não parecem abalar a MC curitibana, que até nos contou sobre seus planos profissionais para os próximos meses. A ideia é fazer uma sequência de sete vídeos, sendo que o próximo ilustrará a música Dia de Ousadia (gravada em parceria com a Dz Mc’s) e o terceiro será referente à canção “7 Pecados Capitais”. Fica o aviso da Mayara: “Vai ser pica”.

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