Recentemente, a equipe do TecMundo foi convidada para cobrir um aspecto diferente da tecnologia. Isso quer dizer que não conferimos smartphones tops de linha, placas de vídeo de última geração ou drones poderosos. Desta vez, a oportunidade foi para conhecer de perto algo que damos pouco valor no dia a dia, mas é um equipamento tão próximo da gente como PCs ou notebooks: as lavadoras de roupas. Assim, na última quinta-feira (13), demos um passeio bem proveitoso pela fábrica da Whirlpool, no interior de São Paulo.

Esse nome pode parecer estranho para quem não é tão antenado nesse mercado e pode rolar até aquela brincadeira de “ah, mas não é, assim, uma Brastemp”, certo? Na verdade, é sim! A Whirlpool é simplesmente a maior fabricante mundial de eletrodomésticos e dona de linhas como Consul, KitchenAid e, claro, Brastemp. O evento realizado em Rio Claro – a cerca de 175 km da capital paulista –, foi feito especialmente para comemorar o lançamento da primeira lavadora 15 kg da Brastemp, que entra de vez no segmento de alta capacidade.

Capacidade alta, mas mantém o carinho

De acordo com Adriano Ioriatti, diretor de engenharia da empresa, o produto faz parte do novo posicionamento da marca no mercado. “A Brastemp quer ser reconhecida por criar produtos que ofereçam ótimo desempenho e um visual diferenciado”, explica. A boa capacidade da máquina e os sete modos de lavagem, por exemplo, mostram que é uma máquina voltada para grandes famílias e que vai cuidar bem da roupa de todos.

Os modelos BWH15 (branco com detalhes em preto), BWS15 (branco com detalhes em preto) e BWN15 (totalmente metalizado) foram totalmente desenvolvidos em Rio Claro. Inicialmente, os engenheiros do Centro de Tecnologia da Whirlpool no local criaram modelos digitais que passaram por simulações no próprio computador. Conforme o processo foi avançando, prototipagens feitas com impressoras 3D de alto desempenho garantiram os polimentos derradeiros do projeto, além de possibilitarem testes físicos em todo equipamento.

O resultado final é uma máquina parruda, mas que não vai ficar parecendo um paquiderme na sua lavanderia ou cantinho da limpeza. Além do belo design, muito disso se deve ao bom trabalho feito na organização do espaço interno, que precisa acomodar o cesto mais encorpado. Isso significa que dá para lavar o uniforme encardido de todo seu time de futebol – e se bobear até os de alguns dos adversários – sem sacrificar o espaço em casa. Confira abaixo as configurações da lavadora:

Especificações Técnicas

  • Cor: Branco ou Evox
  • Material do gabinete: Aço zincado ou Evox
  • Material do cesto: Inox
  • Material da tampa: Vidro
  • Capacidade: 15 kg (roupa seca)
  • Funções: Lava, enxágua e centrifuga
  • Abertura da tampa: Superior
  • Dimensões (LxAxP): 66,5 cm x 106,8 cm x 73 cm
  • Peso: 44,9 kg
  • Voltagem: 110 V ou 220 V
  • Potência: 550 W
  • Classificação Energética: A (consumo aproximado de 0,024 kwh/ciclo/kg)
  • Baixo consumo de água: Classe A (consumo aproximado de 12,3 litros/ciclo/kg)
  • Programas de lavagem: 7 (rápido, roupas íntimas ou leves, dia a dia, branco + branco, cores + vivas, cama e banho, edredon especial)
  • Nível de água: 4 (extra-baixo, baixo, médio e alto)
  • Enxágue: 5
  • Centrifugação: 750 rpm
  • Tipo de água: Entrada fria, sem auto aquecimento
  • Dispenser: Gaveta
  • Tipo do painel: Eletrônico
  • Molho: Sim
  • Lava edredons: Sim
  • Eliminação de fiapos: Filtro pega fiapos
  • Trava de segurança: Sim
  • Seleção de tipo e cor de roupa: Sim
  • Preço sugerido: R$ 2.499

Vista privilegiada

O quê? Não liga para o produto porque suas roupas sempre aparecem “magicamente” lavadas e dobradinhas poucos dias depois de serem usadas? Queria mais detalhes sobre tecnologia? Sem problemas! Isso porque a Unidade Whirlpool Rio Claro junta um centro de desenvolvimento de ponta e a própria fábrica dos produtos da empresa em um só lugar. Claro que tivemos a chance de dar uma volta por lá e pudemos conferir o passo a passo da fabricação do eletrodoméstico que te faz andar com a roupa cheirosa por aí.

Situado próximo à entrada de um terreno gigantesco na ensolarada cidade interiorana – eleita a mais nerd do Brasil há alguns meses –, o prédio dedicado ao desenvolvimento de produtos chama atenção logo de cara. Um belo showroom mescla itens clássicos e modernos das diversas marcas da companhia, desde a primeira lavadora nacional da Brastemp até a badalada máquina de bebidas B.blend. A coleção traz ainda equipamentos feitos exclusivamente para o mercado latino, fora do Brasil.

Porém, situado no centro da sala visitada e protegido por paredes de vidro está o destaque do local: uma vista explodida da Brastemp Ative! 11 kg. A suspensão das peças por fios faz com que pareça que estamos observando uma breve pausa no tempo para que seja possível apreciar o rico trabalho na criação e montagem do produto. “É para chamar atenção mesmo e mexer com os engenheiros”, brinca Adriano Ioriatti, dizendo que é uma forma impactante de mostrar aos funcionários e projetistas que o trabalho deles é real.

Estressando por uma boa causa

O segundo prédio visitado é dedicado exclusivamente à validação dos projetos desenvolvidos internamente. O que isso quer dizer exatamente? A forma mais simples de explicar é imaginar que o galpão é uma espécie de seção de tortura ininterrupta para itens do setor de lavanderia. Calma, é tudo por um bom motivo: para garantir que os produtos cheguem perfeitos para você e para que ninguém sofra com surpresas desagradáveis ou perigosas. Nesse lugar, são feitos testes de todos os tipo e níveis para assegurar a qualidade dos equipamentos.

A regra principal é simular situações adversas bem absurdas para forçar a falha de componentes e avaliar o ciclo de vida dos dispositivos em um tempo muito menor que o de uso real pelos consumidores. Em uma das salas uma máquina é banhada constantemente por jatos de água – de todos os ângulos – para fazer o papel de produtos que ficam expostos a chuvas e outras intempéries naturais. Claro que esse é uma das análises mais tranquilas e uma das poucas que pudemos chegar bem pertinho.

Diversos testes adicionais se concentram em aspectos perigosos da aparelhagem e visam exatamente evitar riscos aos usuários. A que avalia a resistência da tampa de vidro à pressão, por exemplo, permite que uma apoiada momentânea na peça não se torne um conjunto de cicatrizes feias. Salas dedicadas ao estresse do motor e fiação elétrica também se espalham por um longo corredor, mas o cheiro de queimado que sai delas ajuda tanto a afastar como dar um ideia do que se passa lá dentro.

Roupa suja se lava… no serviço!

Ainda que seja fácil chamar esse recanto dos teste de “pequeno prédio dos horrores”, há uma outra parte do local bem mais tranquila e aconchegante. Para testar a longevidade das lavadoras, há um salão inteiro forrado com essas máquinas, que trabalham dia e noite – todos os dias – com uma variedade ampla de configurações, níveis de água e potência de agitação. Para complementar a brincadeira, são avaliados ainda os níveis de sujidade indicados pelo INMETRO e também uma escala de cores e maciez dá própria Whirlpool.

Para dar conta de tudo isso, são gastos quilos e mais quilos de sabão em pó diariamente – frutos de parceria com uma fabricante do produto. Parece pouco? Segure, então, os 60 milhões de litros de água usados nesse tipo de operação todos os anos. Esse montante é tratado e reutilizado uma infinidade de vezes no mesmo processo, claro. Mesmo assim, de onde vem tudo isso de roupa suja? É tudo simulação também?

Segundo Michel R. Barbi, gerente sênior de engenharia, os funcionários da companhia contribuem com uma parte do material. No Laundry Day, o pessoal é convidado a trazer sua trouxinha de roupa para ser lavada no local e, de quebra, ainda falam sobre o que acharam do resultado final – um feedback adicional para a empresa. Além disso, alguns consumidores também são trazidos de tempos em tempos para participar desse mesmo tipo de experiência, geralmente no período de lançamento de novas máquinas.

Nascimento de uma lavadora

Depois de conhecer esse paraíso do cheiro de lavanda, foi a vez de se embrenhar de vez na linha de produção das máquinas da Brastemp – com direito a um par de botinas própria para o ambiente, óculos de proteção e protetor auricular. Próximo à porta do local, fardos e mais fardos de plástico ocupavam uma boa parte do horizonte, dando ideia da importância do material em todo o processo. Isso, claro, não poderia estar mais correto, já que o item é usado em abundância depois de ser transportado para dentro do lugar.

Em meio a um labirinto de cabos, canos, fios e maquinário pesado, o plástico derretido é injetado em uma série de moldes que geram grande parte das peças de uma lavadora de roupas. Depois de prontas, uma parte delas é realocada em longas prateleiras ou caixas para serem transportadas e alimentar máquinas em outros pontos do galpão. O restante é manuseado e acoplado a outras das partes por alguns dos cerca de 4 mil funcionários do local – dos quais 60%, inclusive, são mulheres.

Itens de metal são colocados em esteiras ou em gachos para circularem mais facilmente pelo prédio, formando um trânsito hipnotizante na parte superior do local. Em um determinado setor, dois robôs cuidam do trabalho pesado, unindo a carcaça externa com a parte interna do motor das máquinas de lavar. Essa é a única parte da linha de produção operada completamente por computador, com a dupla robótica anotando quase 100% de eficiência junção de itens que demandariam um esforço bem grande de empregados de carne e osso.

No fim da montagem, cada produto passa por uma série de cabines para inspeção de níveis de ruídos, conferência de funcionalidades e um análise geral – incluindo de estética – por funcionários com um olhar clínico. Essa etapa final também ativa um ciclo completo da lavadora para garantir que tudo esteja dentro dos conformes. “É por isso que algumas pessoas reclamam que seu equipamento novo às vezes chega com o interior úmido na residência”, explica Renato Cerri, gerente da Whirlpool. Viu? É por um motivo nobre.

Big Brother Brastemp

Nossa última passagem pelos domínios da fabricante foi uma verdadeira inversão de emoções. Saindo da barulhenta e sempre ativa linha de produção interna da fábrica pulamos para o escuro e silencioso Laboratório de Usabilidade. Quer dizer, escuro e silencioso apenas para nós, que estávamos em uma salinha à prova de som e com visão para um segundo ambiente – graças a estarmos do lado certo de um espelho falso. Nesse outro local, um cenário iluminado e bem charmoso simula o cômodo de uma casa qualquer.

Todo o processo é observado com bastante atenção por profissionais que tomam notas e avaliam o comportamento do usuário em tempo real.

Lá dentro uma consumidora passava por um teste real de uso do produto, respondendo aos questionamentos de uma pesquisadora e conversando até ficar tranquila com a situação. Convidada para lavar suas roupas, a pessoa fica livre para utilizar o material que quiser – incluindo marca, tipo e quantidade dele – e as configurações da lavagem. Todo o processo é observado com bastante atenção por profissionais que tomam notas e avaliam o comportamento do usuário em tempo real, coletando dados importante nesse tempo.

Como a empresa busca respostas reais para diversos aspectos de seus produtos, esse método pode variar bastante. Analisar a praticidade de uma embalagem pode colocar um consumidor na frente de uma lavadora lacrada para que seja possível sentir a experiência ou dificuldades dele. O cliente sabe que está sendo estudado, mas o clima aconchegante da entrevista e a naturalidade dos testes faz com que isso seja esquecido rapidamente na maior parte dos casos – sem falar da discrição de quem está por trás dos espelhos, que é essencial.

Rotina tecnológica

A lição que tiramos durante a nossa visita à Whirlpool em Rio Claro foi de que a tecnologia que faz parte das nossas vidas vai muito além do que os grandes produtos inteligentes ou de destaque na indústria. Os clássicos eletrodomésticos começam a dar espaço a versões mais novas, rebuscadas e inteligentes e a produção por trás deles traz mais inovações do que imaginamos – tanto no desenvolvimento e execução das peças como na linha de montagem desses aparelhos.

Depois de tudo isso, dá até para ver com outro olhos o ato de juntar a roupa, colocar tudo na máquina e colocar ela para funcionar, não é? No mínimo, dá para apreciar todo o esforço e os testes feitos internamente pelas fabricantes para evitar que aquela vista explodida da lavadora seja reproduzida de forma literal na hora em que você for lavar seu pijama favorito.

Já imaginou como é o ambiente de uma fábrica de lavadoras e a tecnologia por trás desses produtos? Comente sobre o assunto no Fórum do TecMundo!

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