Não ligue para aqueles papos de que investir é coisa de empresário ou gente rica: basta apenas um número de CPF e muito menos dinheiro do que parece para que você seja transformado em um investidor.

Esse sonho de muita gente pode ser realidade graças ao Tesouro Direto, uma plataforma de investimento do governo brasileiro que pode transformar as suas economias e garantir o seu futuro financeiramente.

O que é isso?

O Tesouro Direto é uma forma de investimento de renda fixa que envolve a compra de títulos públicos do Tesouro Nacional. Em vez de adquirir ações que constituem uma fração financeira e administrativa de uma companhia, você “empresta” dinheiro para o financiamento do próprio país — com a garantia de receber tudo de volta e com um “agradecimento” na forma de lucros.

Esses títulos existem apenas virtualmente e possuem uma “validade” – ou seja, você recebe o dinheiro depois de alguns anos, já com os rendimentos apropriados. E onde a tecnologia entra nisso tudo? O mais interessante aqui é que o cadastro, a compra e a consulta desses títulos podem ser feitos inteiramente por você, tudo pela internet — e a partir de uma plataforma que lembra muito uma loja virtual, com direito até a um carrinho de compras.

Os títulos atualmente disponíveis com respectivos rendimentos e validades

Por isso, explicamos de forma leve e resumida como funciona esse método de investimento que, em vez de só fazer você perder dinheiro ou ter dores de cabeça, pode garantir lucros bem interessantes.

Poupança: preferência nacional

Historicamente, o brasileiro tem uma confiança absoluta nas contas-poupança em bancos, já que ela quase sempre foi sinônimo de segurança e estabilidade na hora de guardar as economias. Isso faz com que qualquer outra forma de investimento seja vista com desconfiança. Como principal ponto positivo para a poupança, há facilidade em retirar o dinheiro a qualquer momento para a conta corrente – e sem perder ou deixar de ganhar.

Ainda assim, ela é o método de investimento menos indicado para quem deseja ganhar dinheiro na área, já que a rentabilidade é baixíssima, até menos para altos valores. É aí que entra o Tesouro Direto, tão seguro quanto a poupança e dotado de um rendimento muito maior.

O dinheiro vai para quem?

“Bem capaz que eu vou entregar minhas economias para esses políticos corruptos!”, você pode pensar ao ler sobre o Tesouro Direto. É compreensível, mas não é bem assim: o investimento faz parte das economias do país inteiro e é destinado a gastos públicos, como educação, saúde e infraestrutura. Ainda assim, não é possível saber especificamente o destino do seu dinheiro.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional registrou um superávit de R$ 3,2 bilhões em março de 2014. Em fevereiro, o valor foi deficitário, mas nem por isso o Brasil deixa de devolver periodicamente o que foi investido nos títulos públicos. Por isso, é muito mais “fácil” (apesar de ainda improvável) que um banco quebre e precise do seu dinheiro armazenado do que um país inteiro.

Tipos de títulos

Os títulos do tesouro direto são divididos em duas categorias:

Prefixados

Os prefixados são a forma mais segura de investimento: você sabe quanto vai receber por cada um deles, já que não há variáveis na conta. Quem aposta nessa categoria acredita que a taxa de juros da economia brasileira será menor que a prefixada.

Nos prefixados, você paga um valor "X" e recebe "X + investimentos" no final

Os títulos disponíveis nessa categoria são as LTN (Letras do Tesouro Nacional) e as NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F)

Pós-fixados

Os pós-fixados apostam em variáveis de rendimento e o valor que você recebe depende do desempenho da economia nacional. Flutuações do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), um dos índices oficiais que relatam a inflação no país, são essenciais nesses títulos.

Os cupons semestrais são pagamentos "pingados" de rendimentos

Os títulos dessa categoria são NTN-B Principal (Notas do Tesouro Nacional – Série B Principal), NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B), LFT (Letras Financeiras do Tesouro) e NTN-C (Notas do Tesouro Nacional – Série C).

O NTN-C e o NTN-B funcionam de forma diferente: o pagamento das rentabilidades é feito semestralmente por "cupons" de juros (o dinheiro emprestado é liberado só após a validade do título). Isso faz com que você receba os investimentos antes do tempo, mesmo que de forma parcial. Como ponto negativo, se a inflação estiver em queda, o dinheiro recebido também cai a cada seis meses.

Passo a passo: como entrar no Tesouro Direto

1) Cadastro

O primeiro passo é definir quem é o intermediário entre você e o Tesouro Nacional. Assim como em ações, seu dinheiro passa por outra instituição antes de ir parar nas mãos do governo. Se você não contratar os serviços de uma corretora especializada, é possível utilizar a corretora interna do banco em que você mantém uma conta corrente ou poupança.

O investidor costumar confiar menos nas corretoras, mas, como ponto positivo, elas exigem uma taxa de adesão que costuma ser menor (cerca de 0,25% do valor total contra até 0,6% dos bancos).

2) Acesso

Após o cadastro, que também pode ser pela internet, você recebe uma senha provisória para fazer o login no site do Tesouro Direto. A página principal é extremamente simples e você nem precisa saber o que todas as opções significam.

O nome de usuário é o CPF e o código deve ter ao menos um número, um símbolo (como “#” ou “*”, por exemplo) e uma letra em caixa alta.

3) Compra

Após o login, você é redirecionado à página oficial da conta, que possui um menu lateral no canto esquerdo com todas as opções de navegação. Para adquirir títulos, vá em Compra > Agendar.

A aquisição é como em uma loja virtual. Você escolhe os títulos que deseja, coloca a quantidade desejada (o mínimo é 0,2 de um título inteiro) e pede o cálculo das taxas e valores totais. Aí é só adicionar à “cesta” e, se quiser, escolher outros títulos. Feito isso, basta fechar a compra e aguardar a aprovação da corretora. Fora o valor do título você precisa pagar uma taxa de entrada para a BM&FBovespa (0,3% ao ano), a taxa de adesão e o desconto do Imposto de Renda.

Antes de uma compra, recomendamos acessar a calculadora oficial do Tesouro Direto e fazer algumas simulações com diferentes títulos e valores.

4) Consulta

Depois de um mês após a compra, você recebe o extrato por email e pode fazer a consulta pelos mesmos menus da compra.

É só acessar Consulta > Extrato consolidado e conferir valores como o rendimento bruto (sem impostos ou taxas) e o líquido (o que você realmente recebe) daquele momento.

Riscos e perigos

Até aqui, parece tudo muito bonito, mas nem tudo são flores no Tesouro Direto. O investimento é de baixo risco, mas isso não significa ausência de problemas. O maior problema é que não é recomendável retirar o dinheiro antes da validade do título – se isso acontecer, você corre o risco de receber rendimentos menores do que o especulado ou até perder dinheiro.
Além disso, índices levados em conta no cálculo de juros, como o IPCA, podem sair da média prevista e complicar quem comprou certos títulos, especialmente os pós-fixados e de cupons semestrais.

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Mesmo após esse artigo, é recomendável que você consulte o banco ou uma corretora antes de começar a investir. Afinal, é preciso ter certeza de que as economias emprestadas não farão falta e, principalmente, de que os títulos comprados são os mais adequados para as suas necessidades.

Informe-se também pelo site do Tesouro Nacional, que oferece guias completos sobre como começar nessa modalidade de investimento. Se tudo correr bem, o seu "eu do futuro" agradece.

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