Ergonomia, segundo a International Ergonomics Association (IEA), é uma disciplina científica que aplica princípios teóricos, dados e métodos ao design a fim de otimizar o bem-estar do homem. Ela já foi aplicada na pré-história, quando nossos ancestrais iniciaram a produção de utensílios com formas e usabilidades práticas para suas vidas.

Hoje, tal disciplina científica passou a ser cada vez mais empregada no aperfeiçoamento de objetos. Um exemplo disso estaria na evolução do aparelho de barbear — que passou de uma única lâmina da navalha para três lâminas agrupadas em um formato prático ao manuseio de qualquer pessoa, garantindo ainda um barbear mais eficiente e menos agressivo à pele.

E assim aconteceu com outras coisas comuns ao nosso dia a dia, indo desde a escova de dente ao automóvel. Dessa forma, era de se esperar que os gadgets — especialmente os de última geração — possuíssem regras e estudos aprofundados quanto à ergonomia, com grandes companhias disputando o aperfeiçoamento do design de aparelhos para que estes ofereçam um melhor desempenho e conquistem o bem-estar do consumidor.

A busca pelo design perfeito

Como o design de um aparelho é um detalhe essencial para a satisfação do cliente, os chamados ergonomistas contribuem para o planejamento de um determinado produto a fim de fazê-lo compatível com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.

O controle-teclado AlphaGrip é um dos que visam revolucionar o design de produtos (Fonte da imagem: Reprodução/Ergonomic Info)
No mundo dos dispositivos eletrônicos, torna-se crucial entender o consumidor e em quais contextos o aparelho poderá ser utilizado. Com base nisso, as empresas também priorizam o desenvolvimento de produtos que apresentem uma funcionalidade clara — em que a pessoa se sinta confortável em usá-lo sem precisar se esforçar muito para isso.

Assim, é fácil compreender os questionamentos que as empresas fazem quanto aos materiais que serão empregados em seus aparelhos: são leves? Possuem uma textura adequada ao tato (não vai escorregar ou incomodar a pele)? Quando o aparelho for locomovido, o material oferecerá resistência a batidas e variações ambientais?

Do display ao encaixe da mão

A escolha da matéria-prima é essencial no processo, mas as decisões não param por ai. Como é necessário fazer um aparelho que demande pouco esforço no manuseio e na compreensão de suas funções, é preciso aplicar posicionamentos adequados para os botões, saídas de som, tela etc., além de definir o próprio formato do dispositivo inteiro — que deve se encaixar da melhor forma possível em diferentes tipos de mãos, por exemplo.

O teclado Maltron pode parecer estranho, mas possui uma ótima ergonomia (Fonte da imagem: Reprodução/Ubergizmo)
Outros questionamentos ainda reforçam a busca pela ergonomia e design ideais, abordando diferentes detalhes para cada tipo de aparelho: o display possui um tamanho satisfatório? O teclado é necessário? Os espaços entre as teclas são suficientes?

Mouse estiloso, confortável e com botões zoados

No entanto, apesar da intensa procura por um design que atenda às necessidades dos consumidores, as companhias podem “escorregar” e levar ao mercado produtos não tão satisfatórios assim. Um bom exemplo disso pode ser visto no mouse DeathTaker, da Genius. Desenvolvido especialmente para jogos, o dispositivo possui um ótimo encaixe para qualquer tamanho de mão, peso e estabilidade ajustáveis e um visual estiloso.

(Fonte da imagem: Divulgação/Genius)
Entretanto, o DeathTaker pecou em um ponto ligado fortemente à sua funcionalidade: o posicionamento dos botões. Para um acessório que se diz especializado em MMORPGs e RTS, os botões foram dispostos de uma maneira que exige verdadeiros malabarismos com os dedos para alcançar a maioria deles — processo que se torna ainda menos intuitivo em meio a uma partida intensa.

Nintendo 3DS: outra vítima dos “maus” botões

(Fonte da imagem: Divulgação/Nintendo)
Ainda no universo dos games, o Nintendo 3DS, apesar de portátil, também oferece um design pouco favorecido quanto aos botões. Com a mudança de posicionamento entre o Power, Start e Select — que foram deixados em locais poucos instintivos e diferentes do DS —, é quase garantido que o jogador se confunda e desligue sem querer o dispositivo algumas vezes.

Design exato para a digitação

O Teclado Multimídia Quad (K7900) já é um exemplo positivo de como o design e a ergonomia, quando combinados de forma harmoniosa, resultam em um produto que exerce bem as suas principais funções. Com teclas quadradas e planas, o modelo da Mtek apresenta uma fina espessura e dimensões reduzidas que o tornam leve e elegante.

(Fonte da imagem: Divulgação/Mtek)
Além disso, o espaçamento entre as teclas é satisfatório, pois evita que a pessoa realize os constantes erros de digitação ocasionados pela proximidade das letras. O teclado também é sensível e não demanda esforço para que uma tecla seja acionada — ao digitar, a pressão exigida pelos dedos é a mínima possível.

Galaxy S2 versus S3

O Galaxy S3 é um dos mais poderosos smartphones atuais. Deixando de lado todas as suas potencialidades tecnológicas, no entanto, o aparelho da Samsung possui alguns pontos negativos, especialmente no quesito de design. Se por um lado 0,5 polegada a mais de tela tem seus méritos, o display maior também traz alguns incômodos.

(Fonte da imagem: Divulgação/Samsung)
Diferentemente do que acontecia com o Galaxy S2, a versão mais recente, ao ser encaixada na mão, oferece dificuldades para o uso do dedão — que arduamente alcançará o ponto mais alto da tela, lhe forçando a usar, em alguns casos, as duas mãos. Além disso, o material da tampa da bateria é muito fino e pode ser estragado facilmente, perdendo pontos no quesito durabilidade.

A guerra por patentes

Apesar das “escorregadas” de design que podem ser encontradas em diversos dispositivos, ainda há vários acertos, e a disputa no mundo dos aparelhos eletrônicos é tão acirrada que as empresas dificilmente comentam sobre o processo e os critérios da análise ergonômica de seus produtos. Isso acontece especialmente por todas visarem o sigilo das suas patentes, que garantem a exclusividade da marca.

Assim, a guerra por ideias de design é uma das características atuais do mercado, e a Apple — considerada uma das companhias mais inovadoras nesse quesito — é um bom exemplo de como a proteção das informações ergonômicas dos aparelhos se tornou algo rígido.

Além da Área 51, as oficinas de design da Maçã estão na lista dos lugares mais protegidos e antivisitantes que existem atualmente. A companhia dificilmente comenta sobre seus processos e planejamentos — e um dos poucos detalhes que se tem é que o processo de design é muito voltado à concepção e criação de protótipos. 

Fonte: Mashable, Mac World Brasil, Process for Usability e International Ergonomics Association

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