No início deste ano, a Dell reforçou seu portfólio de monitores no mercado brasileiro lançando por aqui o P2314T, modelo disponível no mercado internacional desde novembro de 2013. O valor do produto, contudo, assustou alguns consumidores em potencial: ele chegou às gôndolas nacionais custando pouco mais de R$ 1,6 mil, enquanto o preço sugerido nos Estados Unidos é de US$ 400 (cerca de R$ 910 sem impostos).

Com 23 polegadas, o P2314T se enquadra como modelo intermediário na linha de monitores sensíveis ao toque da Dell e tem como principal diferencial a sua base de apoio, que é constituída por dois “pés” que podem ser distanciados de acordo com a vontade do usuário, permitindo um ajuste fino na inclinação do produto (sendo possível até mesmo deixá-lo quase que completamente na horizontal).

Mas será que esse design curioso é uma feature inovadora o suficiente para justificar o alto preço do aparelho? O TecMundo teve a oportunidade de testá-lo durante alguns dias e conferir de perto o custo-benefício do modelo. Continue lendo nosso review completo para saber se vale a pena investir seu dinheiro.

Design inteligente e funcional, mas com falhas

Sejamos francos: a Dell parece entender algo que nem todas as grandes empresas de tecnologia entendem. O design de um produto não deve ser simplesmente bonito, mas também funcional. O P2314T é um excelente exemplo disso – mais do que ser um tanto elegante e atraente, o modelo possui um sistema de suporte bastante criativo e que nos impressionou assim que retiramos o gadget da caixa.

Sua base é composta de duas hastes paralelas cuja distância pode ser ajustada à vontade, fazendo com que o display fique mais ou menos inclinado. Em sua abertura total, o suporte deixa o monitor a um ângulo tão extremo que ele pode até mesmo ser considerado uma mesa sensível ao toque (ou um “tablet gigante”, se você preferir).

Essa flexibilidade é uma característica bastante interessante do P2314T, permitindo que você posicione a tela da forma mais confortável possível para utilizá-lo apenas com o uso dos dedos (ou de uma caneta própria para telas touch). Com certo nível de inclinação, você consegue até mesmo escrever pequenos textos usando o teclado virtual do Windows.

Contudo, como nada é perfeito, é óbvio que o modelo analisado também conta com alguns pontos negativos em relação ao seu visual. Além de ser bastante pesado (7,10 kg), alguns consumidores podem considerá-lo exageradamente grosso – julgamento que possui certo fundamento, visto que o produto possui o tamanho de alguns all-in-one disponíveis no mercado nacional (ele tem quase a mesma espessura do HP ENVY Recline 23). Amantes dos monitores “slim” certamente vão se sentir um pouco incomodados com isso.

Qualidade de imagem: nada além do esperado

Se tirar o P2314T da caixa nos deixou de boca aberta, o mesmo não pode ser dito acerca do momento em que ligamos o monitor pela primeira vez. Não que o modelo tenha uma qualidade de imagem insatisfatória, mas ela não é nada além do mínimo que esperávamos de um produto com preço tão restritivo. As cores são vívidas e o brilho da tela se mostra bem agradável caso você saiba configurar o display corretamente (usar alguns modos definidos ou ativar o modo de economia energética deixa a luminosidade fraca demais).

Através de seu menu de configuração (que, por sinal, é bem simples e intuitivo, demandando apenas quatro botões para ser explorado), você pode alternar rapidamente entre sete modos de imagem pré-configurados: Multimídia, Filme, Jogo, Texto, Quente, Frio e Padrão (que, obviamente, é aquele que já vem ativado quando você liga o monitor). É pouco provável que você vá querer utilizar tais perfis de fábrica, sendo mais recomendado fazer os ajustes com suas próprias mãos de acordo com suas necessidades.

A única coisa que nos incomodou bastante é o fato de que o P2314T é demasiado reflexivo. Sem brincadeira alguma, é perfeitamente possível usá-lo como um espelho ao abrir uma imagem completamente negra em tela cheia. Na redação do TecMundo, onde o ambiente é bem iluminado, foi impossível não ficar chateado com o reflexo das lâmpadas que encheram o monitor – eles atrapalham bastante em alguns momentos, nos forçando a procurar um ângulo mais confortável em alguns momentos pontuais.

Sem usar o mouse e o teclado

Com suporte a dez toques simultâneos, o touchscreen do aparelho possui uma precisão satisfatória. É óbvio que ele não apresenta um desempenho tão apurado quanto uma mesa de ilustração ou coisa do tipo, mas é o suficiente para o uso cotidiano e joguinhos simples do Windows 8 (que tal tocar piano virtual?).

Apenas ficamos um pouco decepcionados com a sensibilidade da tela quando resolvemos testá-la utilizando uma caneta própria para esse tipo de display – foi preciso fazer certa pressão para que o acessório fosse reconhecido pelo monitor.

Além disso, o vidro do P2314T é muito suscetível a manchas e marcas de dedo, sendo necessário passar um paninho na tela frequentemente caso você pretenda fazer bastante uso do touchscreen (a parte boa é que o produto já acompanha uma flanelinha apropriada!).

Conexões, cabos e consumo de energia

Em questão de conectividade, o monitor da Dell agrada por ser equipado com quatro portas USB que você pode utilizar para conectar quaisquer periféricos que desejar (sendo que duas delas estão posicionadas em uma localidade bem confortável, no lado esquerdo do display, enquanto as outras estão em sua região traseira). A quinta porta USB é do tipo upstream e deve ser utilizada para ativar o touchscreen. Para fazer a transmissão de vídeo, é possível escolher entre conexões HDMI, DisplayPort 1.2 ou a boa e velha VGA.

A fonte do modelo é externa, e isso quer dizer que você terá que lidar com um enorme e pesado retângulo embutido no cabo de energia do gadget. E, por falar em energia, um ponto positivo do P2314T é seu baixo consumo de eletricidade – por volta de 17 W em condições habituais –, especialmente se você pensar que estamos falando de um monitor touchscreen e com 23 polegadas.

Como citamos anteriormente, ele possui ainda um modo de “consumo inteligente” capaz de regular o brilho da tela automaticamente de acordo com a necessidade, evitando um desperdício de energia elétrica proveniente de uma configuração com luminosidade exacerbada. É um recurso legal para quem quer economizar o máximo possível e não tomar sustos no fim do mês, mas tenha em mente que tal funcionalidade nem sempre regula o brilho a um nível apropriado para um uso confortável.

Vale a pena?

O Dell Touch P2314T está longe de ser um monitor ruim, mas seu preço pode ser um pouco difícil de engolir. Contudo, visto que o mercado nacional está carente de bons modelos de telas sensíveis ao toque (especialmente com 23 polegadas), ele acaba se consagrando como uma das únicas opções realmente boas nesse segmento.

Com uma qualidade de imagem “normal” e poucos recursos realmente chamativos, podemos dizer que seu alto valor é proveniente apenas da touchscreen e da base inclinável – se essas duas características não forem importantes para você, vale mais a pena investir em um modelo sem sensibilidade ao toque e com painel de melhor qualidade. A própria Dell conta com a linha de monitores UltraSharp, cuja versão de 23 polegadas pode ser encontrada por pouco mais de R$ 900 na loja oficial da companhia.

Agora, se você possui um orçamento amplo e procura um monitor com bastante estilo para dar uma modernizada no seu quarto ou escritório, talvez valha a pena cogitar a aquisição de um P2314T. Você certamente vai achar bem divertida a possibilidade de inclinar o monitor em ângulos absurdos e utilizá-lo com uma verdadeira mesa sensível ao toque.

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