Apesar de muitas áreas terem surgido por causa da robótica, essas máquinas podem dificultar a profissão de algumas pessoas. É justamente dos empregos ameaçados pela utilização cada vez mais intensa de robôs que vamos falar neste artigo. Veja se você também está em perigo ou se pode respirar aliviado, pelo menos por enquanto.

Os robôs ainda custam mais do que a mão de obra humana no geral, mas eles estão se tornando cada vez mais vantajosos: os custos vão diminuindo e as habilidades vão se superando. As máquinas são capazes de realizar tarefas variadas, desde as mais simples – como preencher formulários e tornar possível a leitura computadorizada de jornais e artigos – até as atividades mais complexas – como controlar um veículo com autonomia.

(Fonte da imagem: iStock)

Devido a esses avanços, os robôs muitas vezes podem substituir pessoas que passaram por anos de estudo até se especializarem em uma área, sem ser necessária a realização de treinamentos para a atuação do computador. Você já parou para pensar se o seu emprego e a sua carreira estão seguros? Qual a possibilidades de você ser substituído?

Narrative Science: um jornalista esportivo versão robô

Narrative Science foi criada em 2010, como parte de um projeto de pesquisa dos cursos de engenharia e jornalismo da Northwestern University. A ferramenta gera dados brutos que são interpretados e usados pela Quill – uma plataforma de inteligência artificial – para gerar notícias sobre esportes, como boletins sobre jogos dos mais variados tipos.

O programa que foi gerado para ajudar os jornalistas acabou se tornando uma grande ameaça para a carreira desses profissionais. Isso porque, além de fazer o trabalho dos redatores, muitas vezes o resultado da escrita é considerado melhor do que o realizado por boa parte dos funcionários humanos.

"Nós transformamos dados em histórias e insights" (Fonte da imagem: Reprodução/Narrative Science)

Um exemplo da eficiência desse programa foi mostrado quando o site de notícias esportivas Deadspin desafiou o robô jornalista a reescrever uma história publicada em um jornal local – que falava sobre um jogo de beisebol considerado perfeito. Aparentemente, o escritor responsável pelo texto havia arruinado a estrutura da nota e o Narrative Science, por meio do Quill, conseguiu não somente consertar a publicação, como também a deixou muito mais chamativa.

Isso aconteceu principalmente pelo foco que é dado pelos leitores às notícias e artigos na web: eles querem ir direto ao ponto e saber os fatos mais relevantes do jogo (seguindo o mesmo exemplo) – sem enrolação nem perda de tempo. E foi exatamente o que o robô fez.

Apesar desses fatos, os jornalistas ainda não precisam se preocupar de fato com essa tecnologia ou com ferramentas similares. O meio esportivo, com seus dados técnicos, torna possível essa abordagem, mas não são todas as áreas que permitem a criação de textos bem estruturados e coerentes, como os produzidos por um redator formado e qualificado.

Foxconn: robôs no lugar de funcionários

Desde o ano de 2011, notícias anunciam que a fábrica responsável pela colocação dos aparelhos portáteis da Apple no mercado está com planos que substituir a sua linha de produção por robôs. Essa implantação começou de fato no segundo semestre de 2012, como noticiado pelo Tecmundo.

(Fonte da imagem: Reprodução/JapanFocus)

Neste caso, a intenção não era exatamente focar nos baixos custos, mas sim na precisão do trabalho realizado pelos robôs. Isso porque a mão de obra humana ainda é considerada mais barata do que a robótica, mas também mais passível de erros, o que gera perda de tempo e retrabalho, que acabam não compensando a economia realizada em um primeiro momento com os gastos mais acessíveis da linha de produção normal.

Além disso, a empresa também adquiriu robôs especiais para supervisionar e aprovar a produção da terceira versão do tablet da Apple, chamado de iPad 3. Para isso, foram implantadas máquinas de raios X capazes de inspecionar a solda utilizada nas placas de circuito, assim como identificar possíveis defeitos de fabricação ali mesmo, antes de o produto ser enviado para o consumidor final.

Prescrições médicas com 100% de precisão

Apesar de ainda se tratar de equipamentos extremamente caros e de tamanho imenso, robôs como PillPick são uma ameaça ao futuro de qualquer farmacêutico que se preze. Isso porque a máquina é capaz de reconhecer prescrições médicas e criar os remédios manipulados com 100% de precisão: em mais de 350 mil operações realizadas, o instrumento não apresentou um erro sequer.

(Fonte da imagem: Reprodução/Swisslog)

Considerando que milhares de pessoas acabam mortas todos os anos por conta de medicamentos gerados de maneira errada, esse índice de acerto pode significar uma boa pedida no futuro, apesar dos custos. A máquina foi desenvolvida pela empresa Swisslog e encontra-se no Centro Médico de São Francisco, relacionado à Universidade da Califórnia.

Prato do dia: comida chinesa do Robochef

Assim como as demais profissões já citadas neste artigo, a de chefe de cozinha também está na lista das funções ameaçadas pelo avanço da tecnologia. Um exemplo que ilustra muito bem o assunto é o Robochef, criado pela empresa MIK.

A máquina é especializada em comida chinesa, podendo preparar os mais variados pratos da culinária sem que você precise colocar a mão na massa: basta colocar os ingredientes e esperar que a preparação seja finalizada. O equipamento foi desenvolvido por uma compania japonesa, mas encontra-se disponível para venda em diversos países, inclusive no Brasil, pela quantia de 10,9 mil dólaes.

Atores e cantores robóticos

Apesar de até agora falarmos mais sobre tipos de trabalhos mais técnicos, mesmo no caso do jornalista-robô, o que menos se espera é que haja uma substituição de vagas na indústria do entretenimento. Isso porque, afinal de contas, como pode ser possível entreter e cativar pessoas se máquinas e programas de computadores não são capazes de se emocionar – ou são?

Nos últimos tempos, é possível encontrar alguns casos de cantoras e cantores que são nada mais e nada menos do que projeções holográficas extremamente sofisticadas. Esse é o caso da artista japonesa Hatsune Miku, que se tornou uma grande febre no Japão em 2011 sem nem sequer existir de verdade. A voz e a forma de agir eram totalmente virtuais, ou seja, sem interferência alguma de humanos.

Outro caso é o RoboThespian, uma máquina com o “corpo” semelhante ao de um ser humano e que possui habilidades impressionantes de cantor e ator. Segundo os desenvolvedores, esse robô é um exemplo de que a robótica não precisa gerar apenas modelos pensando na utilidade deles, mas também em puro entretenimento.