(Fonte da imagem: Reprodução/Western Digital)

Depois dos artigos sobre processadores, memórias, placas de vídeo, fontes e placas-mãe para PCs gamer, hoje trazemos mais um texto produzido em parceria com Ronaldo Buassali para falar de um importante componente para uma máquina desse tipo.

O assunto da vez é o dispositivo de armazenamento.  Desde o seu lançamento em 1956, o disco rígido (conhecido como HD ou HDD), sofreu inúmeras modificações. Naquela época, um dispositivo que tinha o tamanho de um armário nem sequer tinha a capacidade de um pendrive.

O HD pode ser considerado o principal meio de armazenamento de dados em massa. Ele trabalha como uma memória secundária, com a característica de ter seus dados preservados mesmo quando o computador é desligado. É um componente mecânico, o que o torna mais suscetível a problemas.

Há diversas interfaces comuns nesse tipo de componente, como o Serial ATA, o SCSI, o SAS e outras menos conhecidas. Como estamos falando de PCs gamers, vamos abordar apenas os HDs e SSDs (Solid State Drive) com interfaces SATA 2 (3 GB/s) e SATA 3 (6 GB/s), deixando de lado padrões antigos e menos comuns como o mSata e o Sata Express.

Uma vez que o nosso objetivo é orientar o leitor quanto ao armazenamento para um PC destinado para jogos, não vamos abordar neste artigo HDs externos, Flash Drives, cartões de memória e outros meios menos utilizados, dando foco apenas para o HD, SSD e o SSD Híbrido.

HD híbrido

Os drives híbridos de estado sólido são HDs (com discos mecânicos) que reservam parte de seu espaço para um SSD embutido. Geralmente, a parte SSD é pequena (8 GB), insuficiente até mesmo para a instalação do Windows. Acontece que essa memória de estado sólido não é exatamente um espaço para o usuário instalar apps e jogos.

(Fonte da imagem: Divulgação/Seagate)

Um SSHD é inteligente, sendo capaz de armazenar automaticamente os blocos mais utilizados no SSD, através de um sistema de cache. A ideia aqui é otimizar a taxa de transferência, que pode superar facilmente os 500 MB/s, e garantir agilidade no processamento de informações (economizando tempo em diversas tarefas).

Os discos híbridos são opções interessantes para substituir um antigo HD. Ele alia as melhores características das duas tecnologias de armazenamento: a grande quantidade de espaço do HD tradicional para armazenamento em massa e a rapidez do SSD para um boot mais rápido e mais velocidade com as operações.

Interfaces SATA 2 e SATA 3

A grande maioria dos computadores usa um disco rígido para armazenamento de dados. Atualmente, a interface é o SATA 3, padrão que está no mercado desde 2009, fazendo com que a nossa indicação seja de um HD com essa tecnologia.

Apesar de a diferença em transferência  (popularmente chamada de velocidade) entre o SATA 2 e o SATA 3 ser pequena, não recomendamos mais os HDs da interface antiga, pois já são produtos descontinuados e os preços são praticamente os mesmos em relação aos dispositivos com o tipo de interface mais recente.

(Fonte da imagem: Divulgação/Corsair)

No caso dos SSD, a diferença de desempenho é ainda mais latente com a utilização do SATA 3, pois esses fazem uso da taxa de transferência mais alta. Portanto, se você quer ter uma experiência aprimorada em seu PC de jogos, recomendamos esse padrão para SSDs e HDs.

Capacidade de armazenamento

O uso do dispositivo de armazenamento depende da quantidade de coisas que o usuário pretende acumular. O preço por GB em um SSD é mais elevado do que em um HD, o que torna a sua utilização mais cara, porém acreditamos que não exista nenhum upgrade mais notável do que a troca de um disco rígido por um drive de estado sólido.

A inclusão de um SSD no sistema causa grande impacto já na inicialização do sistema e se estende durante a utilização do dispositivo em quaisquer outras tarefas. Esse ganho de performance se deve ao grande aumento nas taxas de transferência do SSD.

Já no caso dos HDs, sua tecnologia vem evoluindo constantemente, o que nos leva a indicar os modelos mais novos, pois possuem taxas de transferência mais elevadas. As capacidades recomendadas para os PCs Gamer de entrada são a partir de 500 GB, lembrando que se podem encontrar facilmente HDs com até de 4.000 GB (4 TB). A Hitachi tem até modelo de 6 TB.

(Fonte da imagem: Divulgação/Toshiba)

Vale ressaltar que o custo do GB cai para HDs de maior capacidade (um HD de 1 TB geralmente custa menos que o dobro do que outro de 500 GB), algo que deve ser ponderado na hora da compra. Para os SSDs, a recomendação é optar por modelos com mais de 60 GB, sendo que esses já são "pequenos" e possivelmente insuficientes às necessidades do jogador.

Rotação do HD

O disco rígido possui um motor que mantém sua rotação constante, e também é um dos responsáveis pela durabilidade do disco. Para gravar e ler as informações são usadas cabeças de leitura eletromagnéticas, fixadas a um braço móvel que realiza o acesso a todo o disco.

Desta forma, fica fácil compreender por que a velocidade de rotação vai influenciar diretamente no desempenho do HD. Quanto maior for a quantidade de rotações por minuto, maior será a velocidade de acesso na hora da leitura dos dados no disco.

Os HDs antigos trabalhavam a 3.600 rotações por minuto (RPM). Atualmente, temos HDs com mais de 10.000 RPM. Ainda é comum encontrarmos HDs de 5.400 RPM, principalmente em notebooks, mas, como nosso assunto são computadores gamers, nossa indicação é para que o HD trabalhe com 7.200 RPM.

Cache

A memória cache serve para armazenamento temporário, onde as informações acessadas com maior frequência são armazenadas para acesso rápido.  Sua maior vantagem consiste em evitar o acesso ao dispositivo de armazenamento, que pode ser demorado, garantindo mais agilidade na leitura de algumas informações.

(Fonte da imagem: Divulgação/Hitachi)

Em computadores em que uma grande quantidade de dados é usada frequentemente, um HD com mais memória cache pode oferecer muitos benefícios, visto que mais informações podem ser acessadas com mais rapidez, aumentando a performance geral da máquina.

Em meados de 2006, o padrão utilizado para o buffer era de 8 MB. Ao longo dos anos, esta especificação foi melhorada, chegando aos 128 MB (bastante caros, por sinal) nos HDs mais robustos. Nossa recomendação para um PC gamer é optar por um disco que tenha 64 MB de memória cache, mas, se não for possível, recomendamos evitar os HDs com menos de 32 MB.

Curiosidade

Ao comprar um HD ou SSD e instalar ele no seu computador, você vai se deparar com um fato curioso: a quantidade informada pelo seu sistema operacional é inferior à rotulada nele.

Isso acontece por causa da linguagem usada para este tipo de componentes. Essa curiosidade é simples de entender: 1024 é o valor mais aproximado de 1000 na base binária (2). Dessa forma, 1 Kilo (1.000) de bytes corresponde a 1.024 bytes. Vamos exemplificar:

  • 1 GB deveria ser = 1.024 x 1.024 x 1.024, que totaliza 1.073.741.824 bytes, mas os fabricantes utilizam 1 GB como 1.000 x 1.000 x 1.000 = 1.000.000.000 bytes.

Dessa forma, temos 73.741.824 bytes a menos, que representam 70 MB a menos por Gigabyte. Assim, um HD normalmente comercializado por “1 TB” (1 Terabyte = 1 TB = 1.000.000.000.000 bytes), seguindo a proporção indicada, vai chegar nas mãos do consumidor com 930 GB.

Armazenamento em RAID

O armazenamento em RAID (Redundant Array of Inexpensive Disks ou Arranjo Redundante de Discos Independentes) é um modo de armazenamento composto por dois ou mais elementos individuais (HD ou SSD). Com esse sistema, é possível aumentar o desempenho ou até mesmo a segurança dos dados.

Os mais utilizados são o RAID 0, que faz com que os elementos trabalhem simultaneamente como se fossem um só disco (aumentando a rapidez de transferência de dados), e o RAID 1, quando um elemento se espelha ao outro, tornando mais seguras as operações.

É importante recomendar que os drives sejam da mesma capacidade e modelo para evitar problemas e informar que o RAID não protege contra erros e falhas, que podem danificar e causar a perda de dados.

TRIM

Os dados em um SSD são acumulados em conjuntos de blocos. O TRIM é um comando que informa ao SSD quais blocos estão livres e quais estão realmente em uso. Quando o usuário deleta dados que estavam gravados, estes precisam esperar até que se forme um grupo de blocos para que liberar fisicamente esta memória.

Os drives de estados sólido que possuem o comando TRIM têm uma melhoria na identificação dos dados apagados. O TRIM organiza essa função e, consequentemente, melhora o desempenho, acelerando esse processo de limpeza. Ele também promove maior vida útil ao componente, que é relacionada ao número de ciclos de escrita e exclusão dos dados.

(Fonte da imagem: Divulgação/Intel)

O TRIM não é suportado por todos os sistemas operacionais, por isso é importante verificar essa questão. Para referência, essa tecnologia é compatível com Windows 7, Windows 8 e 8.1, Mac OS X Lion e Snow Leopard com instalação de um software especial. Recomendamos que  um SSD para um PC gamer tenha habilidade para executar esse comando.

Durabilidade

A vida útil de um HD é muito difícil de ser determinada. Por ser um componente mecânico, ao duração pode estar relacionada com a intensidade de uso e também com a fadiga do material. Isto quer dizer que é possível ter um HD antigo funcionando há muito tempo, da mesma forma que um novo venha a apresentar problemas em poucos meses.

Nos drives de estado sólido, a quantidade de ciclos que são escritos e apagados vai influenciar diretamente em sua vida útil, portanto é normal verificar uma queda de desempenho depois de um tempo de utilização (principalmente se esta for intensa).

As controladoras que cuidam do funcionamento do SSD têm esse gargalo, mas isso não nos faz deixar de recomendar esses componentes. Alguns SSDs com controladoras LAMD (Link A Media Devices) mostram superioridade em termos de durabilidade, o que pode ser pesado na hora da compra (os mais conhecidos são os Corsair Neutron Series).

Taxas de transmissão de dados

Popularmente chamada de "velocidade", a taxa de transmissão de dados, assim como seu próprio nome define, é a quantidade de informação transmitida por unidade de tempo. Os índices mais utilizados são a escrita e leitura sequencial, referenciados na unidade MB/s. Existem outros indicadores para análise, mas esse é o mais utilizado.

Podemos ter para HDs e SSDs taxas de transferência que variam desde menos de 100 MB/s até mais de 500 MB/s. Justamente por isso, é importante que o comprador pesquise e avalie o produto antes da compra para achar o que melhor atenda suas necessidades.

Marcas

No caso dos HDs, as marcas mais comuns são Samsung, Western Digital, Seagate, Toshiba e Hitachi. Para SSDs, temos Intel, Corsair, OCZ (que agora é Toshiba), Kingston, Samsung, Sandisk, Plextor, Crucial, G.Skill e outras.

Dicas importantes

  • Procure por modelos mais recentes, pois as tecnologias mais evoluídas garantem melhor desempenho;
  • Evite modelos de HDs e SSDs com interfaces antigas, pois a nova (SATA 3) já está no mercado há bastante tempo e o custo é praticamente o mesmo;
  • Marcas consagradas costumam ter melhores produtos e garantia, por isso recomendamos produtos que sejam de confiança;
  • O tamanho "tradicional" do HD é de 3,5" (polegadas) e do SSD 2,5". Atualmente, os melhores gabinetes, mesmo os modelos mais simples, possuem baias adequadas para instalação desses componentes. Para gabinetes antigos ou incompatíveis com SSDs, há adaptadores para o seu encaixe.

Este foi mais um artigo da série PC gamer. Esperamos que você esteja acompanhando as dicas atentamente e possa montar uma máquina de qualidade. Caso você tenha mais dicas, fique à vontade para usar o espaço de comentários. Até a próxima!

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