A Google resolveu entrar no mercado de smartphones com hardware feito por ela mesma, e isso deixou as concorrentes de orelhas em pé. O primeiro smartphone da empresa já está recebendo ótimos feedbacks dos usuários, apesar de algumas unidades trazerem defeitos no som. Deixando isso de lado, a gente resolveu comparar o Google Pixel ao iPhone 7 da Apple, o smartphone a ser batido em 2017 no mercado internacional.

Tipo de TelaIPS LCD com 16 milhões de coresAMOLED com 16 milhões de cores
Tamanho de Tela4.7 polegadas5 polegadas
Resolução de Tela1334 x 750 pixels1920 x 1080 pixels
ChipsetApple A10 Fusion APL1W24Qualcomm MSM8996 Snapdragon 821
Memória RAM2 GB de RAM4 GB de RAM
Armazenamento Interno32/128/256 GB32/128 GB
Câmera Traseira12 MP, abertura f/1.8, distância focal 28mm, OIS, com resolução máxima de 4032 x 3024 pixels12 MP, abertura f/1.8, sensor de 1/2.3", pixels de 1.55µm, com resolução máxima de 4032 x 3024 pixels
Capacidade de Bateria1960 mAh2770 mAh

Design e construção

No que diz respeito ao design, nenhum desses smartphones se destaca tanto. O Pixel é praticamente a materialização da neutralidade, com um design simplista e que não chama atenção. Para pessoas que não são tão ligadas em celulares, ele pode muito bem passar completamente despercebido. No lado da Maçã, o iPhone 7 mais uma vez trouxe um design reciclado da geração passada, que não tem nada de novo senão a opção de cor “Jet Black”.

A textura do alumínio do celular da Google é mais áspera, o que o torna menos escorregadio

Em questão de construção, o iPhone parece um pouco mais bem-acabado que o Pixel por conta das suas bordas bastante arredondadas. Isso passa uma sensação melhor nas mãos em comparação com os cantos meio chanfrados do Pixel. Contudo, a textura do alumínio do celular da Google é mais áspera, o que o torna menos escorregadio que o iPhone. É algo pode parecer desimportante, mas pode fazer a diferença quando você está segurando o celular sem muita atenção.

O Pixel é maior que o iPhone 7 em todas as suas dimensões e também pesa 5 gramas a mais. Esse último detalhe é praticamente imperceptível, mas a diferença de tamanho é notável, especialmente por conta da borda gigante abaixo da tela, a qual aparentemente não serve para nada, pois não existem botões ou saídas de som. Isso deixou o celular da Google maior do que o necessário e acaba prejudicando o design. O iPhone também tem bordas largas, mas há um botão home e alto-falantes estéreo. Esse último ponto inclusive faz falta no Pixel, que tem um som bem inferior ao do iPhone.

Por outro lado, a tela do Pixel é claramente melhor que a do iPhone 7. Além do fato de ser mais espaçosa, ela tem mais resolução e uma densidade de pixels bem mais alta. Podemos falar também da tecnologia AMOLED presente no smartphone Android, que possibilita cores mais vivas e maior contraste em relação ao iPhone. Mesmo assim, a tela do iPhone ainda é mais brilhosa, o que facilita a utilização ao ar livre, mas nenhum desses dois é campeão em luminosidade de display como os smartphones da Samsung ou da Sony.

Desempenho e software

Em benchmarks, o iPhone sempre fica na frente do Pixel. O chip A10 Fusion da Apple claramente é mais otimizado para atividades mais exigentes que o Snapdragon 821 da Qualcomm, que está presente no Pixel. Mas isso raramente representa alguma diferença no uso diário, uma vez que a interface do Android é bem mais ágil que a do iOS, e o tempo de carregamento de apps é praticamente o mesmo entre os dois. O Pixel ainda tem o dobro de RAM do iPhone, o que lhe garante mais apps rodando em segundo plano.

a bateria do Pixel tem maior capacidade que a do iPhone, mas o tempo de uso dos dois é praticamente o mesmo

No que toca à autonomia de bateria, temos um empate. O Pixel tem uma célula de maior capacidade, mas o tempo de uso dos dois é praticamente o mesmo, com o Pixel sobrando uns 3% ou 5% a mais de carga no fim do dia. Isso acontece porque o iOS é mais econômico. Contudo, o Pixel carrega muito mais rápido que o iPhone quando conectado à tomada. Você consegue 100% de carga entre 60 e 90 minutos com o Pixel. Já o iPhone 7 pode levar quase o dobro desse tempo dependendo da situação.

Na parte do software, esses são os dois celulares com o software mais atualizado em suas respectivas plataformas. O Pixel tem o Android Nougat 7.1.1, enquanto a oferta da Apple chega com o iOS 10.2. O Robô continua sendo um sistema operacional bem mais versátil que o iOS e agora permite usar tela dividida para multitarefa sem personalização de fabricantes. O software da Apple traz essa funcionalidade apenas em tablets. Vale lembrar que o Android Nougat ainda tem o Daydream, uma plataforma para realidade virtual bem avançada e que já conta com vários visualizadores compatíveis. Por enquanto, não há qualquer previsão de que a Apple um dia vá lançar algo do tipo.

Mais simplicidade nessa área é melhor, mas há quem prefira o contrário

O iOS, por sua vez, tem uma tela de bloqueio mais completa, enquanto a do Android está sendo cada vez mais simplificada. Na minha opinião de jornalista de tecnologia, mais simplicidade nessa área é melhor, mas há quem prefira o contrário. A Apple ainda deu uma grande melhorada em desempenho do SO e fez uma grande “revolução” no iMessage. Contudo, como no Brasil essa aplicação é bem pouco usada por conta da popularidade do WhatsApp, não vemos como isso pode ser relevante de alguma forma.

Temos que comentar também sobre o Google Assistente e a Siri. A solução da Google para assistente digital em smartphones é claramente mais avançada que a da Apple em conversação, podendo entender contexto e responder de forma mais natural e objetiva, mas a Siri — por ser veterana — ainda tem mais integração com apps de terceiros. Isso pode mudar em breve, mas não há como ter certeza. Vale ressaltar que o assistente do Pixel ainda não funciona de forma oficial em português, mas espera-se que isso seja revertido em pouco tempo, já que o software no Allo, o mensageiro da Google, já fala nossa língua. Por outro lado, a Siri já fala português há algum tempo.

Câmera

Em questão de câmera, o Pixel quase sempre faz fotos melhores que as dos iPhones. Isso não é fruto do hardware, mas sim do processamento de imagens da Google. Ao colocar os celulares lado a lado, o iPhone parece ter uma imagem melhor antes de você fazer a captura, mas, logo que você olha as imagens na galeria do celular, a situação muda completamente. Isso porque o HDR+ do Pixel é aplicado depois da captura e faz uma diferença gigantesca na qualidade das imagens. Ele exagera um pouco em alguns momentos e normalmente traz resultados menos realistas que os da câmera do iPhone 7, mas as imagens são quase sempre mais bonitas.

O Pixel trabalha bem melhor com o alcance dinâmico e expõe as imagens de modo mais equilibrado, sem deixar que o céu fique estourando em fotos de paisagens, por exemplo. Fotos noturnas também são o forte do aparelho da Google, que faz imagens excelentes na maioria das vezes, enquanto o iPhone sofre com ruído e cores desbotadas.

A câmera traseira do celular da Google tem 12.3 MP e abertura de f/2.0. O iPhone 7, por sua vez, vem com 12 MP e f/1.8. As frontais são de 8 MP no Pixel e 7 MP no iPhone.

O iPhone também perde na câmera frontal, especialmente em situações com pouca luz. O HDR+ do Pixel “opera milagres” nesse quesito; a lente do celular da Google é mais ampla na frente, oferecendo mais espaço para você colocar mais gente na mesma selfie.

Em questão de vídeo, o Pixel tem uma estabilização de imagem muito boa, mas ela é meio estranha. É como se o seu celular fosse um drone perfeitamente estável no céu e, de repente, se movesse para outro lado de um jeito esquisito. A estabilização ótica do iPhone 7 deixa os vídeos bem mais tremidos, mas não tem esse efeito. Por isso, a gente pode dizer que o Pixel faz vídeos curtos melhores, já que não dá tempo para o efeito estranho incomodar, e o iPhone registra vídeos longos melhores. Ambos gravam em 4K e podem capturar em câmera lenta.

Preço e disponibilidade

As versões básicas do Pixel e do iPhone 7 custam a mesma coisa nos EUA: US$ 649 (cerca de R$ 2,1 mil na cotação atual) por dispositivos com 32 GB de armazenamento. As duas marcas oferecem opções com 128 GB de espaço, mas só a Apple tem um modelo com 256 GB. Como nenhum dos dois tem slot para cartões de memória, isso pode ser uma vantagem. Mas será que vale a pena pagar muito mais caro (US$ 200 a mais do iPhone 7 de 32 GB para o de 256 GB) por espaço de armazenamento nativo quando existem tantos serviços de nuvem por aí?

O dispositivo da Apple é vendido em cinco cores diferentes, e o da Google em três, sendo uma delas um azul superestiloso e chamativo. O destaque no lado da Maçã é o Jet Black. Claro que essas coisas são bem subjetivas, e você realmente não deveria escolher seu celular só por causa da cor. Seja como for, o iPhone é mais fácil de comprar desbloqueado nos EUA. O Pixel sem bloqueio de operadora é relativamente difícil de achar em lojas físicas, o que pode forçar você a comprar pela web e pagar muito mais IOF no cartão de crédito.

  • Obs.: é possível emitir cartões de crédito virtuais e pagar menos IOF em compras no exterior.

No fim das contas, estamos diante de dois aparelhos incríveis e que oferecem um grande leque de funcionalidades. Se você se importa mesmo com a câmera, a melhor opção é o Pixel. Ele ainda tem a vantagem de ter o Android, que é bem mais popular entre os brasileiros, mas o fato de o assistente ainda não funcionar por aqui é um pouco decepcionante. Se você não quer se incomodar com isso e ainda deseja um celular muito bom, o iPhone 7 talvez seja uma boa.

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