Um gênio inspirador. Um cretino oportunista. Algumas pessoas possuem um dom especial de serem carismáticas e arrebanharem para perto de si outras pessoas dispostas a compartilhar uma mesma ideia. Na maioria das vezes, pessoas com essas características passam para o grupo daqueles que influenciam o mundo, para o bem ou para o mal.

É mais ou menos essa a ideia que se tem de Steve Jobs ao assistir o filme “Jobs”, produção estrelada por Ashton Kutcher (de “Efeito Borboleta”) e dirigida por Joshua Michael Stern (de “Promessas de Um Cara de Pau”) que estreia neste final de semana nos cinemas brasileiros.

O filme é apenas o primeiro inspirado na biografia do cofundador da Apple. A Sony Pictures, por intermédio do roteirista Aaron Sorkin (de “A Rede Social”), produz atualmente outro filme baseado na vida de Steve Jobs, mas a produção ainda não tem data para estrear.

Jobs por Ashton Kutcher

Ashton Kutcher é alguém no mundo da tecnologia. O ator, estrela do seriado “Two and a Half Men”, se considera um geek e investe os seus lucros em start-ups de tecnologia. Para interpretar Steve Jobs, Kutcher assistiu a centenas de horas de vídeos de apresentações do cofundador da Apple.

(Fonte da imagem: Divulgação/PlayArte)

Em momentos mais extremos, chegou a viver apenas à base de frutas e suco de cenoura, reprisando a dieta que Jobs seguia, o que lhe causou uma internação por conta de problemas estomacais. Tanto esforço parece ter valido a pena. Bastam alguns minutos de filme para perceber que Kutcher, de fato, cai como uma luva para o papel.

A similaridade nos gestos durante as apresentações e o jeito arcado de andar, somados a uma maquiagem competente capaz de deixá-lo extremamente parecido com o criador da Apple, ajudam o espectador a desvincular a imagem do ator famoso do personagem que vemos na tela.

Sem muita profundidade

Se você espera conhecer em detalhes a vida de Steve Jobs a partir do filme em exibição nos cinemas, já pode mudar de ideia. “Jobs” é centrado em um período que vai da entrada do executivo na faculdade, na década de 70,  até o lançamento do iPod, em 2001.

Josh Gad (Steve Wozniak) e Ashton Kutcher (Steve Jobs). (Fonte da imagem: Divulgação/PlayArte)

Embora tudo seja apresentado de forma cinematográfica – característica justificável do ponto de vista do entretenimento –, há uma preocupação apenas com o contexto dos fatos, mas não com a forma como eles de fato aconteceram. Essa escolha criativa rendeu críticas negativas ao filme por parte de Steve Wozniak, que declarou não ter gostado muito do que viu. 

Gênio ou vilão?

A marca deixada por Steve Jobs no mundo da tecnologia é inegável. Entretanto, o conceito de genialidade, ao menos como muitos imaginam para Jobs, é apresentado de forma bem diferente. Apesar de o filme ser sobre ele, claramente é Steve Wozniak o gênio técnico por trás da criação do Apple I.

A Steve Jobs, em um primeiro momento, cabe um papel secundário, mas não menos importante, que é a capacidade de transformar as “ideias malucas” de um grupo de nerds trabalhando dentro de uma garagem em uma oportunidade comercial passível de receber investimentos de grandes empresários. Escrúpulos, nesses momentos, são meros detalhes.

O perfeccionismo extremo de Jobs, que resultou em atrasos de produção muitas vezes injustificáveis para os acionistas, também está presente no filme. Assim como a sua incredulidade, no início de carreira, com a impossibilidade de utilizar um termo já patenteado – problema que viria a sentir na pele anos depois ao ser plagiado e que, de certa forma, mostra o porquê da preocupação excessiva da Apple em registrar todas as patentes possíveis e imagináveis.

(Fonte da imagem: Divulgação/PlayArte)

Vale a pena?

“Jobs”, o filme, não é nenhuma obra-prima e está mais preocupado em manter viva a alma do “mito Steve Jobs” do que em ser estritamente biográfico. Entretanto, ainda assim a produção entra para a lista obrigatória de filmes a serem vistos por aqueles que acompanham o dia a dia da tecnologia – ainda que o longa não seja para eles e sim para o grande público. Cinematograficamente não é um grande filme, mas é um bom entretenimento.

Gênio ou vilão, Steve Jobs, tanto o da vida real como o do filme, parece ter o dom de despertar em quem está à sua volta algum tipo de sentimento. É impossível ficar indiferente a ele, mas entre seguir as suas ideias ou se tornar apenas mais um a ser humilhado em público em seus momentos de fúria há uma linha muito tênue cuja escolha não é das mais fáceis.

De tudo isso, a lição que fica não poderia ser outra: melhor ou pior, a Apple sem Steve Jobs nunca foi e nunca será a mesma empresa.

O Tecmundo assistiu ao filme "Jobs" a convite da PlayArte Pictures.

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