O lixo espacial pode comprometer as pesquisas científicas sobre o asteroide Apophis que estão sendo preparadas para quando ele passar a cerca de 32 mil km de distância da Terra, em abril de 2029, de acordo com um novo estudo publicado recentemente no periódico The Planetary Science Journal. O artigo aponta chance de colisão entre os detritos e o corpo celeste.
Com aproximadamente 370 metros de comprimento, o “Deus do Caos”, como o asteroide descoberto em 2004 também é conhecido, será acompanhado de perto pelas missões RAMSES da Agência Espacial Europeia (ESA) e OSIRIS-APEX da NASA quando se aproximar da Terra. Ambas objetivam aproveitar a oportunidade rara de estudar uma das maiores rochas espaciais observadas em tal distância.
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Empurrão inesperado
Atravessando uma região da órbita terrestre lotada de satélites em funcionamento e grandes quantidades de lixo espacial, o Apophis deve passar a apenas alguns quilômetros de distância dos detritos. Dessa forma, existe a possibilidade de colisão com os fragmentos deixados por missões passadas.
- É o que dizem pesquisadores do Instituto de Física Aplicada “Nello Carrara” do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), que inicialmente tratavam essa chance como nula;
- Mas depois de analisar a trajetória da rocha espacial várias vezes, os especialistas acreditam que há uma pequena, porém real, possibilidade de encontro entre ela e os detritos;
- Caso isso aconteça, uma pequena cratera pode ser aberta na superfície do Apophis, lançando fragmentos para o espaço;
- Assim, as eventuais colisões causariam modificações no asteroide no exato momento em que ele estaria sendo estudado pelas missões da ESA e da NASA.
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Embora não seja suficiente para modificar a trajetória do Deus do Caos, o “empurrão inesperado” proporcionado pelo lixo espacial dificultaria as análises dos efeitos que a força gravitacional da Terra provoca no corpo celeste. A expectativa da comunidade científica é estudar novas camadas internas reveladas pelo fenômeno.
Por outro lado, essas pequenas colisões podem não ser totalmente catastróficas. Os autores ressaltam que a cratera aberta pelos impactos e a nuvem de poeira gerada devem fornecer dados interessantes para observações adicionais das missões espaciais.
Sem riscos para a Terra
Classificado como potencialmente perigoso, o asteroide Apophis causou apreensão na época de sua descoberta devido às chances de colisão com a Terra nas próximas décadas. No entanto, cálculos recentes descartaram esse risco por pelo menos 100 anos.
Isso não muda mesmo que o objeto celeste sofra vários impactos com o lixo espacial em 2029, como destaca o estudo. “O mais importante a salientar é que qualquer impacto no asteroide não alteraria sua órbita de forma significativa”, destacou o astrodinamicista Alessandro Rossi, coautor da pesquisa.
A aproximação do Apophis também deverá ser aproveitada pelos cientistas para treinar novos sistemas de defesa planetária. Confira os detalhes nesta matéria.
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