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Ciência

Conheça os drones capazes de fazer detecção de radiação

Equipamentos especializados e equipados com sensores protegem operadores humanos, mapeiam ambientes e ajudam em estudos ou acidentes.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule24/03/2026, às 16:00

Estamos acostumados a ver drones empregados em alguns setores mais convencionais, como para capturar vídeos ou fotos do alto e monitorar a segurança de um evento, além de serem pilotados como uma atividades de lazer. Porém, existe uma função ainda pouco difundida para esses equipamentos com grande importância para a ciência.

Aos poucos, drones se transformam em alternativas para detectar radiação no ambiente, uma tarefa até então restrita para pessoas que integram equipes de investigação, pesquisa ou segurança.

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Como mostra a série brasileira Emergência Radioativa, em alta na Netflix ao contar a história da tragédia envolvendo o Césio-137 em Goiânia, o contato com determinadas substâncias ou um alto índice de emissão de radiação traz consequências a curto e longo prazo para o corpo. Ou seja, a ajuda da tecnologia nesses casos é muito bem-vinda e pode até ajudar a salvar vidas que seriam prejudicadas por esse tipo de serviço.

Como funcionam os drones que detectam radiação?

Drones usados para detecção de radiação possuem basicamente o mesmo formato tradicional de outros veículos aéreos não tripulados e em miniatura. Eles são compostos de hélices e motores elétricos que permitem a movimentação, além de sensores de geolocalização e estabilização no ar, como um gimbal.

O diferencial está na presença de sensores que são acoplados ao corpo desses drones e são capazes de fazer a medição de radiação no ambiente. Eles ajudam a identificar inclusive qual é o isótopo radioativo encontrado no ambiente, o que ajuda na criação de uma estratégia de contenção.

Essa avaliação a partir de drones é realizada de forma similar ao procedimento mais convencional, que utiliza os chamados contadores Geiger‑Müller. Esses monitores são capazes de detectar radiação ionizante usando um tubo de gás.

Se há radiação no ambiente e ela passa por esse tubo, uma descarga elétrica é gerada e produz "cliques" que são contabilizados pelo sensor. É essa sinalização sonora que é exibida em um mostrador e indica a quantidade de partículas radioativas presentes.

Além deles, os drones podem usar outros sensores, como detectores cintiladores (que usam cristais que "vibram" ao conato com radiação) e espectrômetros de raios‑gama, mais voltados para a identificação dos pontos específicos que são os picos de energia.

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Drones fazem o mapeamento 3D e até geram mapas de calor em tempo real com o nível de radiação em turbinas. (Imagem: Reprodução/Flyability)


Para além de substituírem o trabalho humano por motivos de segurança, esses drones fazem ainda uma segunda tarefa que dificilmente conseguiria ser realizada simultaneamente por um operador de sensores.

Ao utilizarem GPS para se movimentar e por contarem normalmente com uma câmera que faz gravações de vídeo (e pode trazer até sensores de temperatura ou que "enxergam" bem no escuro), os drones podem combinar esses dados para gerar mapas detalhados do ambiente — não só mapeando locais internos e externos, mas também trazendo a variação da radiação em cada ponto.

Possíveis aplicações no mercado

Esses equipamentos especializados podem ser utilizados em diferentes situações, tornando o processo mais seguro e, em alguns aspectos, até otimizado em relação ao trabalho feito por um ser humano. Algumas das situações em que eles são úteis incluem:

  • Atuação em emergências nucleares e acidentes, como vazamentos em usinas, para mapear reatores e laboratórios possivelmente contaminados com radiação e ajudar na formulação de medidas de evacuação;
  • Inspeção de usinas, laboratórios e locais de descarte de lixo radioativo, para averiguar a segurança desses locais em relação às emissões de material radioativo e possíveis exposições a pessoas, animais e reservas de água;
  • Monitoramento de ambiente, solo e água em pesquisas, fornecendo informações importantes sobre a radioatividade em áreas de mineração, zonas que já passaram por algum desastre (como as imediações de Chernobyl, por exemplo).

Os drones especializados nessa função são feitos por companhias especializadas. Marcas como Flyability e Fly4Future são algumas das referências atuais nesse setor, com o modelo Elios 3 RAD Payload sendo uma das referências em qualidade dos sensores.

Porém, a utilização desses equipamentos não deve significar a substituição completa da atuação humana. Isso porque os sensores do drone podem não ser tão versáteis e avançados quanto os equipamentos de ponta da área, em especial pelas limitações de peso e tamanho que eles podem carregar.

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Além disso, a operação no ar pode gerar dados imprecisos em comparação com o nível de radiação a nível do solo. Relatórios de fiscalização e adequação legislativa, por exemplo, são atividades que exigem uma medição mais completa.

Apesar do alto nível de segurança e eficiência operacional que proporcionam, drones de detecção de radiação hoje ainda são vistos como auxiliares ou tecnologias de uso preliminar, com algumas situações ainda exigindo a atuação humana — já com a vantagem de maiores informações a respeito de eventuais riscos e uma análise do que esperar no local.

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