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Ciência

Médicos pioraram na detecção de câncer por dependência da IA, revela estudo

Pesquisa mostrou que médicos experientes tiveram uma queda de 20% na taxa de detecção de câncer.

Avatar do(a) autor(a): Equipe TecMundo

schedule18/08/2025, às 13:30

Um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou que médicos experientes podem ter uma queda de desempenho na detecção de câncer após dependerem de ferramentas de inteligência artificial (IA). 

A pesquisa, que acompanhou especialistas em endoscopia na Polônia, levantou preocupações sobre a perda de habilidades clínicas, um fenômeno conhecido como "des-skill", que ocorre quando a confiança excessiva em tecnologias automatizadas enfraquece a capacidade de análise humana.

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O estudo analisou a taxa de detecção de câncer de cólon em 19 médicos, todos com vasta experiência, durante três meses antes e três meses após serem auxiliados por uma IA. 

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A pesquisa acompanhou médicos experientes e concluiu o desempenho caiu significantemente ao dependerem destas ferramentas. (Imagem: Getty Images)

E o resultado foi alarmante: ao voltarem a trabalhar sem o apoio da tecnologia, a taxa de detecção dos profissionais caiu 20% em comparação com o período anterior à introdução da IA.

Dependência tecnológica 

A queda de desempenho entre médicos veteranos sugere que o impacto do "des-skill" pode ser ainda mais crítico para profissionais menos experientes. 

O dilema da dependência tecnológica se torna evidente, pois, embora a IA possa trazer ganhos significativos e auxiliar no diagnóstico precoce de doenças, ela também pode levar a uma diminuição do raciocínio crítico e da atenção humana, como já apontado em outras pesquisas.

O desafio agora é encontrar um equilíbrio. Embora dois em cada três médicos nos Estados Unidos já utilizem alguma forma de IA em seu trabalho, o estudo serve como um alerta para a comunidade médica. 

A tecnologia deve ser vista como uma aliada, e não como uma substituta para a análise humana, para não diminuir a capacidade de identificar erros, diagnósticos incorretos ou informações inventadas.

No contexto da saúde, a perda de habilidades clínicas não é apenas um problema profissional, mas uma questão que pode ter consequências graves. 

O estudo reforça a importância de um uso consciente da tecnologia, garantindo que a competência e a atenção dos profissionais continuem sendo decisivas para a prática médica e, consequentemente, para a segurança e a vida dos pacientes.