Comandado por um grupo de cientistas liderado pelo paulistano Miguel Nicolelis, o projeto Andar de Novo pretende permitir que um paraplégico dê o pontapé inicial da Copa de 2014. Para isso, está sendo desenvolvido um exoesqueleto biônico controlado por pensamentos cuja etapa de testes com humanos deve ser iniciada em junho deste ano.

A revelação foi feita na última segunda-feira (20) durante uma palestra na Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência pública responsável pelo financiamento da iniciativa orçada em R$ 33 milhões. “As primeiras simulações do exoesqueleto já foram feitas e, para minha satisfação, ele funciona como planejado”, declarou Nicolelis à Folha de S. Paulo.

Segundo o pesquisador, que está à frente do Instituto de Neurociências de Natal (IINN) e atua como professor da Universidade Duke, já ocorreu uma simulação na qual um macaco usou um protótipo do exoesqueleto. Ele acredita que, dentro de alguns meses, o animal já consiga andar com o auxílio do dispositivo sem nenhum problema aparente.

Testes com humanos

Os primeiros voluntários humanos devem ser selecionados pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) de São Paulo. Segundo Neiva Paraschiva, diretora-executiva da associação que gerencia o IINN, os primeiros testes não vão ter caráter invasivo — assim, não haverá a conexão direta de eletrodos ao cérebro dos pacientes escolhidos.

Ao todo, vão ser selecionadas dez pessoas que apresentem lesão modular incompleta, o que permite a elas ter certo grau de movimento. Nicolelis afirma que a parceria com a AACD vai permitir a construção de um laboratório ampliado que, segundo ele, será o centro de reabilitação robótica mais avançado do planeta.

“Se tudo der certo, um brasileiro ou uma brasileira, jovem adulto, de até 1,70 m, com até 70 quilos, vai levantar de uma cadeira de rodas, realizar 25 passos da linha lateral até o centro do gramado e abrir a Copa com um chute da ciência brasileira para toda a humanidade”, afirmou o cientista claramente emocionado.

Machado Neto, da AACD, afirma que o prazo relativamente curto que a equipe de pesquisadores tem à disposição não é um problema. “É um desafio, mas os desafios produzem grandes resultados”, declarou. Ele acredita que, mesmo que o exoesqueleto não cumpra totalmente as expectativas, ainda assim é importante apostar nesse tipo de pesquisa. “Temos toda sorte de pacientes, o importante é melhorar a qualidade de vida deles”, explica.

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