Sempre que pensamos em supermateriais, logo nos vêm à mente imagens de tecnologias avançadas da ficção, como tecidos equipados com nanomáquinas e que poderiam formar um traje de combate super-resistente ou mesmo invisível — no melhor estilo Crysis.

Apesar de a realidade não ser tão incrível assim, muitas empresas já estão investindo pesado no desenvolvimento de supermateriais de efeitos diversos, sendo que alguns deles até podem entrar no seu cotidiano muito em breve — se é que já não entrou. Confira alguns desses compostos nesta lista especial do Tecmundo.

Aerogel

É impossível entrar no tema “Materiais do futuro” sem mencionar o aerogel. O composto, que é conhecido como um dos sólidos mais leves, do mundo já havia sido descoberto em 1931 pelo engenheiro químico Steven Kistler, mas só agora os processos industriais estão avançados o suficiente para possibilitar a sua produção em larga escala.

Trata-se de um composto muito fino que tem a estrutura de um gel, mas sem a parte líquida, algo que se parece com uma fumaça sólida. Porém, em vez de ser mole e maleável, ele é bastante rígido, resistente, extremamente leve e possui uma capacidade de isolamento térmico sem precedentes.

Para se ter uma ideia, um pedaço de 2 gramas de aerogel é forte o suficiente para aguentar o peso de um tijolo de 2,5 quilos, sem sofrer qualquer dano. Por ainda ser um tanto caro, os benefícios do aerogel só são usados por aplicações críticas, como em equipamentos espaciais ou máquinas de exploração de petróleo.

(Fonte da imagem: Divulgação/NASA)

Empresas como a Dunlop já utilizam o supermaterial em raquetes de tênis, indicando que o aerogel pode se tornar cada vez mais comum no nosso cotidiano daqui para frente.

Vidro Flexível

Imagine se, em vez se estilhaçar por completo, o vidro da tela da sua TV pudesse se flexionar para absorver o impacto de um pedra atirada contra ele, por exemplo. Apesar de parecer irreal, o tão sonhado vidro flexível está mais perto da nossa realidade do que você imaginava.

(Fonte da imagem: Divulgação/Corning)

O primeiro passo nessa direção já foi dado pela Corning, a mesma empresa que desenvolveu o Gorilla Glass usado na tela de smartphones como o iPhone 4. A companhia conseguiu produzir um vidro com 0,1 milímetro de espessura e que pode ser enrolado em uma bobina sem problemas.

Agora, a Corning pretende usar a nova invenção em telas de tablets e smartphones já em 2013, mesmo que os modelos específicos ainda não tenham sido divulgados. A ideia é deixa-los muito mais resistentes a impactos e até acrescentar um pequeno grau de flexibilidade a eles. Em um futuro mais distante, o vidro especial pode ser usado em painéis solares e até nas janelas de casas.

Adesivos sem cola

A habilidade de fixar objetos de forma rápida, fácil e barata tem infinitas aplicações, tanto que a empresa Loctite se tornou mundialmente famosa graças a uma série de produtos que pode fazer exatamente isso, entre eles, o Super-Bonder. Agora, imagine ter o mesmo poder do superadesivo com a conveniência de descolar e colar à vontade e não deixar nenhum resíduo.

Visão aproximada da pata do lagarto (Fonte da imagem: AutumnLab)

É exatamente essa a ideia de pesquisadores da Universidade de Stanford ao criar a Gecko Tape, uma fita adesiva capaz de fixar praticamente qualquer coisa sem usar cola alguma. O segredo de como fazer isso foi revelado depois de muito tempo de estudo sobre as patas da lagartixa, que sempre conseguiu subir pelas paredes sem dificuldade alguma.

Demonstração do poder de fixação da fita (Fonte da imagem: Berkeley.edu)

A questão está na forma como as patas dos lagartos foram “desenhadas”, com nanoestruturas que agem como pequenas espátulas que causam um pequeno deslocamento de elétrons sempre que se encostam na parede. O resultado disso é uma atração mútua que prende o animal por causa do eletromagnetismo.

Com este incrível poder de fixação, a Gecko Tape já pôde ser usada até mesmo para prender uma pessoa adulta em uma parede totalmente vertical. Os pesquisadores estimam que não deve demorar muito até que este incrível adesivo esteja ao alcance de todos.

Grafeno

Outro material que promete mudar as nossas vidas em vários sentidos é o grafeno, e a prova disso são os inúmeros artigos que o Tecmundo já publicou sobre o composto. Trata-se de uma malha produzida em escala nanométrica em que átomos de carbono são precisamente posicionados para formar uma estrutura de hexágonos com apenas um átomo de espessura.

Estrutura da malha de grafeno (Fonte da imagem: Sociedade Brasileira de Física)

A alta ductibilidade do material somada à sua finura extrema já colocou o grafeno como uma das principais apostas para substituir o silício no futuro. Também é possível enrolar essa malha e formar tubos nanométricos, os tão falados nanotubos de grafeno.

Usando a já bem explorada força dos corpos cilíndricos juntamente com a rigidez e leveza extrema do grafeno, seria possível formar estruturas que antes eram inimagináveis. Um bom exemplo é o projeto científico de se construir um elevador que vai da Terra até o espaço, usando os nanotubos de grafeno como principal material para a imensa torre.

Bateria líquida

Enquanto muitos apostam na célula de combustível ou no etanol como a principal fonte de energia dos carros no planeta, pesquisadores do MIT surgiram com uma alternativa bastante radical: um material que pode fluir como um líquido e que também pode armazenar e descarregar energia, como uma bateria comum.

(Fonte da imagem: MIT News)

Batizado de “Cambridge Crude”, o material viscoso usa lítio quebrado em pequenas partículas envolto em um líquido que serve de eletrólito. Dessa forma, ele poderia ser facilmente “bombeado” para fora do reservatório quando tivesse sua energia descarregada e substituído por um novo, pronto para o uso.

Como se trata de uma bateria como qualquer outra, o consumidor também poderia recarregar o seu carro normalmente em casa, caso tenha tempo de deixá-lo parado. O projeto está sendo parcialmente financiado pela Agencia de Pesquisas Avançadas do Governo Americano e tem como objetivo produzir um protótipo totalmente funcional e pronto para produção em larga escala no próximo ano.

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