Como a guerra na Ucrânia atrapalha viagens espaciais e pesquisa científica?

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Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano, o mundo tem visto e sentido os efeitos da guerra desencadeados em diversos setores sociais, econômicos e geopolíticos. Esses impactos rapidamente se estenderam também ao espaço, colocando em risco diversas atividades e pesquisas de longa data.

Ao longo das últimas décadas, a colaboração internacional no setor espacial cresceu exponencialmente entre diversos países do mundo e, em especial, desde o esfriamento das tensões da corrida espacial entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, na segunda metade do século passado, essas colaborações desempenharam papel fundamental para o desenvolvimento de novas e mais sofisticadas tecnologias.

Estação Espacial InternacionalEstação Espacial InternacionalFonte:  NASA/Roscosmos 

As parcerias, que tiveram como um dos principais marcos iniciais a colaboração dos programas espaciais Apollo e Soyuz no ano de 1975, culminaram na colaboração contínua para a realização e manutenção da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), em órbita da Terra desde 1998.

Contudo, as fortes represálias e sanções por parte de países ocidentais à Rússia desde o início da invasão da Ucrânia ameaçam gravemente também o espírito cooperativo que imperou entre as nações, mesmo em épocas de convulsões políticas anteriores.

Um dos primeiros efeitos dessa invasão foi o cancelamento do lançamento do foguete russo Soyuz, previsto para ocorrer no dia 4 de março, que iria colocar 36 satélites de internet em órbita. O lançamento dos satélites, que pertencem à empresa de comunicações OneWeb, foi cancelado depois que a Rússia exigiu que o governo do Reino Unido — um dos principais financiadores da OneWeb — garantisse que os satélites não seriam usados para fins militares. O lançamento está suspenso por tempo indeterminado.

Roscosmos desarmando o foguete Soyuz com os 36 satélites da OneWeb no Cosmódromo de Baikonur no dia 4 de marçoRoscosmos desarmando o foguete Soyuz com os 36 satélites da OneWeb no Cosmódromo de Baikonur no dia 4 de marçoFonte:  Roscosmos 

Além deste, a agência espacial russa, a Roscosmos, também interrompeu todos os lançamentos previstos do foguete Soyuz do centro de lançamentos europeu na Guiana Francesa, que são conduzidos pelo fornecedor francês de lançamentos Arianespace.

Os cancelamentos também têm ocorrido em vias opostas: o centro aeroespacial alemão (DLR) anunciou, no dia 26 de fevereiro, o desligamento de um instrumento de busca por buracos negros em um satélite russo e interrompeu toda cooperação científica com a Rússia como forma de protesto.

O telescópio “caçador de buracos negros”, chamado eROSITA, foi lançado em 2019 do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo do satélite Spectrum-Roentgen-Gamma, que foi construído na Rússia.

Módulos dos espelhos do telescópio eRosita.Módulos dos espelhos do telescópio eRosita.Fonte:  Johannes Buchner 

Entretanto, até a presente data, além de tensões virtuais entre funcionários da NASA e da Roscosmos nas redes sociais, nenhum impacto nocivo afetou o funcionamento da ISS. Ambas agências espaciais afirmaram que a operação da ISS continua como de costume.

Atualmente, a estação abriga quatro astronautas estadunidenses, dois cosmonautas russos e um astronauta europeu. Uma nova tripulação russa com três cosmonautas está prevista para chegar à ISS no final deste mês a bordo da Soyuz.

A ISS tem sido, desde sua criação, um ponto alto na colaboração espacial entre países. A esperança é que este símbolo de união em prol de um interesse científico comum continue no decorrer dos próximos meses.

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