Trocar sal comum por versão com menos sódio pode salvar vidas, diz estudo

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Trocar o sal tradicional de cozinha por uma opção mais saudável – que contenha menos cloreto de sódio e mais cloreto de potássio – pode prevenir a morte de milhões de pessoas em todo o  mundo a cada ano. Este é o resultado do estudo conduzido por pesquisadores do George Institute for Global Health, da Austrália.

A pesquisa, considerada um dos maiores estudos de intervenção dietética já realizados no mundo, foi publicada na revista New England Journal of Medicine (NEJM).

Durante cinco anos, os pesquisadores analisaram os dados de saúde de aproximadamente 21 mil adultos de áreas rurais de cinco províncias da China. Todos tinham mais de 60 anos, além de histórico de pressão arterial mal controlada ou derrame na família.

Como funcionou o estudo?

O estudo analisou uma população de aproximadamente 21 mil pessoas durante 5 anos (Fonte: Pexels)O estudo analisou uma população de aproximadamente 21 mil pessoas durante 5 anos (Fonte: Pexels)Fonte:  Pexels 

O chamado Salt Substitute and Stroke Study (SSaSS) – ou Estudo sobre Derrame e Substituto do Sal, em tradução livre – consistiu em dar para metade da população analisada um sal com uma concentração menor de cloreto de sódio. Esse composto, na verdade, possuía 70% desse elemento e 30% de cloreto de potássio, ao passo que o sal tradicional de cozinha é formato totalmente de cloreto de sódio.

Após os cinco anos de estudo, os resultados mostram que houve uma redução considerável em alguns males nessa população:

  • Redução de 14% na ocorrência de derrames
  • Redução de 13% na ocorrência de eventos cardiovasculares importantes
  • Redução de 12% nas mortes em decorrência do excesso de sal na alimentação

Vale ressaltar que esses benefícios foram alcançados sem que algum outro problema tenha sido identificado – como um efeito colateral adverso pelo uso do cloreto de potássio na alimentação. Além disso, os participantes do estudo alegaram que a mudança no gosto e sabor dos alimentos é praticamente imperceptível, o que significa que essa é uma alteração que não exigiu grande esforço por parte da população analisada.

Resultados positivos

Os participantes apresentaram uma redução significativa em males associados ao excesso de sal (Fonte: Pexels)Os participantes apresentaram uma redução significativa em males associados ao excesso de sal (Fonte: Pexels)Fonte:  Pexels 

Os bons resultados desse estudo motivaram os pesquisadores a se pronunciar em favor desse substituto para o sal de cozinha. Bruce Neal, professor e participante dessa pesquisa, afirma que "se o sal comum fosse trocado por esse substituto com menos sódio em todo o mundo, milhões de mortes prematuras poderiam ser evitadas todos os anos".

Com base nessa descoberta, os pesquisadores envolvidos no estudo sugerem que os governos de todo o mundo passem a criar políticas para incentivar a substituição do sal comum por essa alternativa. Além disso, eles também convocam os fabricantes e os comerciais para se adaptarem para a produção e comercialização desse produto. E finalmente chamam os consumidores a adotarem essa mudança em sua alimentação.

"Além de demonstrar benefícios claros para a saúde dos participantes, esse estudo também afasta as preocupações sobre os possíveis riscos do uso desse sal. Não vimos nenhuma indicação de qualquer dano do potássio que foi adicionado a esse substituto. É claro que os pacientes com alguma doença renal grave não devem usar esse composto, mas de qualquer forma eles também precisam se manter longe do sal comum", afirmou Neal.

ARTIGO New England Journal of Medicine DOI: 10.1056/NEJMoa2105675