Maioria das cidades de SP não está preparada para mudanças climáticas

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A maioria dos municípios do Estado de São Paulo não está preparada para mudanças climáticas. Para minimizar o impacto dos extremos previstos para os próximos anos e décadas, é necessário que as cidades tenham a capacidade de formular políticas públicas que facilitem a reforma de seus sistemas habitacionais e de transporte, por exemplo, mas dois terços (66%) dos municípios paulistas têm baixa capacidade de adaptação urbana.

Isso é o que revela um novo estudo publicado na revista Climatic Change por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, em colaboração com autores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O estudo avaliou a capacidade de adaptação de todos os 645 municípios de São Paulo em relação aos efeitos das mudanças climáticas globais. Para isso, os autores desenvolveram um Índice de Adaptação Urbana (Urban Adaptation Index - UAI, em inglês), que leva em conta 26 indicadores de políticas públicas relacionadas a cinco grande temas que influenciam essa capacidade: habitação, mobilidade urbana, agricultura sustentável, gestão ambiental e resposta a impactos climáticos.

Mapa mostra Índice de Adaptação Urbana (UAI, em inglês) dos 645 municípios de São Paulo. Quanto mais próximo de 1 (verde escuro), melhor a capacidade adaptativa do município.Mapa mostra Índice de Adaptação Urbana (UAI, em inglês) dos 645 municípios de São Paulo. Quanto mais próximo de 1 (verde escuro), melhor a capacidade adaptativa do município.Fonte:  Jornal da USP/Reprodução 

Apenas dez municípios (1,5% do total) receberam nota próxima de 1, a nota máxima do índice. A boa notícia é que esses municípios mais bem preparados são justamente os mais populosos do estado, incluindo São Paulo, Campinas e cidades da região metropolitana. Isso acontece porque são precisamente as cidades mais populosas que mais precisam de políticas públicas para suas gestões.

Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram informações provenientes de bases de dados  públicos, como o Perfil dos Municípios Brasileiros e o Censo Agro, produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Falta o básico para a maioria dos municípios

Em entrevista ao Jornal da USP, a pesquisadora Gabriela Di Giulio, professora do Departamento de Saúde Ambiental da FSP, que liderou a pesquisa no âmbito do projeto CiAdapta – Cidades, Vulnerabilidade e Mudanças Climáticas, afirmou que o índice busca qualificar um pouco melhor o debate sobre adaptação às mudanças climáticas no nível municipal.

Entre os indicadores de políticas públicas analisados, estão a presença de planos municipais de habitação, políticas de mobilidade urbana e de incentivo ao uso de bicicletas, políticas de saneamento básico e controle de poluição, leis de proteção ambiental e da biodiversidade.

“Estamos falando de coisas muito básicas. É o mínimo que os municípios precisam ter para aumentar sua capacidade de adaptação; e mesmo esse mínimo não está sendo cumprido”, afirma Di Giulio.

Mapa mostra dimensão de resposta aos impactos climáticos de cada município paulista. Quanto mais próximo de 1 (verde escuro), melhor é o índice da cidade em relação a esse aspecto.Mapa mostra dimensão de resposta aos impactos climáticos de cada município paulista. Quanto mais próximo de 1 (verde escuro), melhor é o índice da cidade em relação a esse aspecto.Fonte:  Jornal da USP/Reprodução 

Quase metade dos municípios não têm sequer planos de habitação ou conselhos municipais para orientar a ocupação de seus territórios, por exemplo. São poucas as cidades paulistas que têm políticas de prevenção a enchentes e deslizamentos, Defesa Civil, mapeamento e prevenção da ocupação de áreas de risco — indicadores importantes para responder a emergências climáticas.

“Não é à toa que quando os extremos climáticos acontecem os resultados nos municípios são devastadores. Quando você olha para essa capacidade de resposta a riscos climáticos específicos, ela ainda é muito fraca. Isso nos chamou a atenção”, avalia Di Giulio.

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