A fadiga é sinal de estresse? Saiba como as tecnologias podem influenciar

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Há muito tempo que já ouvimos falar do impacto que a ansiedade e o estresse podem ter em nossas vidas. E a verdade é que temos desdobramentos negativos por causa disso, com o nível exacerbado dos neurotransmissores e hormônios responsáveis por esse estado de “alerta”: adrenalina, noradrenalina e cortisol. Além disso, o stress atravessa os limites da mente e provoca sintomas físicos, sendo o principal deles a fadiga, como resultado da elevada atividade cerebral.

O corpo vai dando sinais de estresse ou ansiedade excessiva, tais como dores musculares, dificuldade para levantar da cama pela manhã e total falta de energia durante o dia. Isso acontece porque o corpo responde diretamente aos estímulos mentais. A alta atividade cerebral, motivada por esses fatores, é criada a partir de pensamentos invasivos, repetitivos e negativos, que desregulam as funções neurais, acabando por gerar desequilíbrio no sistema "mente e corpo".

Efeitos na saúde

As exigências diárias e o excesso de tecnologias têm agravado esse quadro, incluindo as crianças. Em um estudo que publiquei em 2018, mostrei como esse cenário afeta o desenvolvimento cognitivo das crianças, as quais têm tido um QI menor em relação aos seus pais.

A fadiga, considerada um problema atual segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um dos piores males vivenciados pelos seres humanos, em um fenômeno resultante do desequilíbrio da neuroquímica, segundo meus estudos. A fadiga é dividida em etapas: fadiga adrenal e fadiga muscular.

A primeira é a dificuldade do corpo em lidar com o estresse elevado, resultando nas disfunções das glândulas. A segunda é causada pelo excesso de atividades físicas, acontecendo as dores musculares. Também existe a fadiga crônica, vinculada à alta carga de estresse decorrente das vidas profissional e familiar, e a fadiga mental, quando a mente fica sobrecarregada de informações.

Há também outros tipos de fadiga, menos conhecidos: a fadiga sensorial, que atinge o aparelho perceptual do organismo humano – neste caso, ouvidos, olhos e paladar são mais vulneráveis; e a fadiga de verão, que ocorre nos períodos mais quentes, levando à desidratação do corpo. Quando existe uma situação contínua, surge a fadiga crônica, que passa a ser considerada como Síndrome da Fadiga Crônica (SFC).

Até então, apesar do avanço tecnológico, não existia uma resposta concreta para a origem da fadiga. Porém, alguns estudos comprovaram que a fadiga pode ter sua origem na falha de comunicação entre os neurotransmissores.

O papel dos neurotransmissores

Os neurotransmissores são responsáveis por transmitir as informações por meio das pré-sinapses e pós-sinapses, ativando a interação com as células. O perfeito funcionamento do sistema sináptico depende da bainha de mielina. Uma das sinapses químicas de maior importância é mediada pela dopamina o “neurotransmissor da recompensa”.

Quando a liberação é insuficiente, a dopamina ativa o cortisol, que aumenta significativamente as suas substâncias para a imunização contra doenças. Assim, criando a sensação de fadiga e, consequentemente, uma disfuncionalidade dos neurotransmissores.

Outros fatores importantes são os receptores, elementos importantes para a captação de energia, que esperam receber o suficiente para transmiti-la às células, mantendo, assim, o bom funcionamento orgânico do corpo. Estar fadigado não significa estar cansado, mas sim a presença de um distúrbio neural daquilo que desregula o nosso sistema imunológico.

Tais fenômenos podem ter causas genéticas e ambientais, que envolvem traumas, estresse e ansiedade. A minha proposta é traçar hábitos para impedir comportamentos que geram fadiga, pois existem ações diferenciadas das pessoas que trazem consigo distúrbios dos neurotransmissores.

Como combater a fadiga?

Existe solução? Sim, existe. E podemos começar por hábitos aparentemente simples, como dormir oito horas e ter atividades de lazer, como leitura de livros e também se afastar algumas horas por dia de telas. Caminhar, tomar sol, praticar atividades físicas e estabelecer uma dieta equilibrada são também caminhos para ajudar a combater a fadiga.

Essas não são metas difíceis. O problema é que são negligenciadas. Então, é necessário abrir espaços no dia a dia para esses momentos, pois trata-se de uma questão de saúde e é extremamente importante cuidarmos de nós mesmos com disciplina.

Diante de uma rotina, criamos hábitos, pois então que sejam os melhores e mais saudáveis.
É desafiador, mas possível.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do TecMundo, é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, com especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios (Harvard). É membro da Mensa International, a associação de pessoas mais inteligentes do mundo, da Sociedade Portuguesa de Neurociência e da Federação Europeia de Neurociência. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), considerado o principal cientista nacional para estudos de inteligência e alto QI.

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