Qual a melhor maneira de conseguir a imortalidade?

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Gosto sempre de dizer aos amigos que temos que deixar um legado, para quê viver sem fazer a diferença? Nem que seja como orgulho para muitos. Viver sem ser bem visto, é como morrer sem ter feito a diferença. Mesmo assim, a morte é o único e maior obstáculo na vida, pois é a única coisa sem solução.

Já passou pela sua cabeça o tanto que trabalha e procura fazer a vida valer a pena para depois ter que morrer? Então, é por isso que eu como neurocientista procuro na inteligência artificial uma solução para sermos eternos, mas de maneira inteligente, sem consequências desastrosas. Qual seria então o melhor processo?

A imortalidade já é possível?

O sonho da imortalidade pode estar mais próximo. A neurociência está explorando a eficácia na transferência de mente por meio de estudos correntes sobre a base física da memória. Seja mediante a criogenia, congelamento do cérebro, ou transportando memórias para a máquina. Seria a alquimia, a pedra filosofal que proporciona a cura e a vida eterna.

Sem delongas, vou explicar como funciona a criogenia e quais os avanços nesta área até então, assim como outros métodos para eternizar a memória. Se o que somos é o que sabemos que somos, se são nossas memórias responsáveis pela razão da vida, se através dela sabemos o que passamos e imaginamos o que poderemos passar, conseguir ter todo processo memorável da nossa história até o ponto de desligamento e ao ativar, as memórias armazenadas são precursoras para as novas memórias, é nela que temos que nos concentrarmos.

A criogenia já é utilizada e com sucesso na preservação de embriões e órgãos humanos, mas no caso da imortalidade, quando temos já formatados engramas de memórias de toda nossa vida em nossos neurônios, o processo teria que ocorrer enquanto vivo, o que não é permitido na maioria dos países, o outro fator é saber quando o indivíduo vai morrer, já que após a morte não terá suas memórias recuperadas. Sem oxigenação as células neurológicas não duram mais do que cinco minutos. E o outro problema é saber o momento certo de reativar o cérebro, como descongelá-lo sem danificar sua estrutura.

Como funciona a criogenia

Primeiro o sangue é drenado do corpo e substituído por um líquido crioprotetor, substância usada para proteger o tecido biológico de danos de congelamento como cristais de gelo que causam danos irreparáveis nas células do organismo, depois submete-se o cadáver a temperaturas inferiores a  -150º C e colocá-lo em um tanque de nitrogênio líquido onde permanecerá de cabeça para baixo, como precaução para o cérebro não sofrer danos caso haja vazamento ficando protegido na base do freezer.

Nomes como James Bedford, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, morto aos 73 anos vítima de câncer nos rins, Ted Williams, astro do beisebol morto com 84 anos, Robert Ettinger, precursor na criogenia, morto com 93 anos e Hal Finney, programador pioneiro em bitcoin, morto com 93 anos, aguardam o momento para serem descongelados no futuro.

Como é feita a cópia do DNA

A cópia do DNA é mais complexo para quem quer atingir a imortalidade, as memórias são limitadas, pode-se ter o indício de personalidade, mas não tem o seu molde. Não terão as memórias amplas de toda uma vida e como disse, sem memória, não há vida.

Por isso, descarto as duas opções acima, as chances na criogenia de, ao voltar, ficarmos desconectados, com disfunção neuronal são grandes. Se um trauma na célula neuronal ocasionado pelo Covid-19 já causam sequelas, imagina o congelamento? Não quero bater o martelo pois estamos falando em ciência, vai que dá certo? Mas para mim, o mais plausível é: salvar a memória e implantá-la num robô.

É possível armazenar a memória em um robô?

A ideia é muito interessante, fazer um upload de toda a sua memória e, bingo! Está de volta no futuro. Mas não é tão simples assim. Sua personalidade é a consequência de todo um molde de memória, genética, cultura, experiências sensoriais, clima e outros fatores que fazem você ser quem você é.

São fenômenos microscópicos e quânticos que estamos relatando, para quem leu o Princípio da incerteza de Heisenberg, iria concluir que isso não seria possível. A subjetividade que releva a mente, memórias emocionais, é o maior desafio na inteligência artificial.

A princípio deveria ser feito o escaneamento e a transferência das memórias do cérebro para um programa de computador, sem que isso danifique o cérebro, ou correria riscos de não dar certo e colocar tudo a perder. O problema é a máquina estar convencida de ser você e não te querer ou querer o que é seu, como sua namorada ou namorado por exemplo.

Mas de que adianta trazer nossas memórias de volta se não puder sentir a emoção de tê-las? Vida sem emoção não há motivação. Ou teríamos que fabricar neurotransmissores artificiais para gerar emoção no novo corpo, ou máquina. Mas qual a emoção de quem se curou da dor se não teve a dor?

Ou seja, cada detalhe da vida, cada pingo de chuva que cai na sua testa, transcreve reações que ficam armazenadas derivadas dos sentidos e se os sentidos não forem os mesmos, não é igual, ou seja, não é você.

Primeiro temos que definir o que é a mente. Pessoalmente penso que a mente seja um conjunto de fatores derivados dos neurônios e de toda bioquímica que faz jus à sua existência. Essa dízima periódica emocional define a personalidade com base na consciência que, por sua vez, define você. Sabe a frase que as coisas boas da vida estão nas pequenas coisas? Pois são as pequenas coisas que nos fazem ser quem somos e todo processo biológico tem que acontecer para que um robô seja você, eu, nós no futuro.

Os problemas desses processos para a imortalidade são alguns: Como seria acordar em um outro corpo ou objeto se nossas memórias também foram formatadas com base em nossa aparência física? Como seria ser religado em um mundo diferente do que memorizamos? E saber que as pessoas que amamos não existem mais? E a adaptação ao tempo, à época, se nossas memórias são fabricadas com base em nosso tempo? Como seria renascer em outro tempo sem estar adaptado, quais consequências sofreríamos? E para finalizar, e se reativarmos quando não mais existir humanidade e sermos controlados por máquinas? E se todos decidirem eternizar, onde caberiam tantas pessoas?

Não custa usar a imaginação, pois na ciência, o bom, é pensar que tudo é possível se há chances de ser. Com base na imaginação e no conhecimento é que persistimos nos estudos que revelam descobertas que foram responsáveis por vivermos mais e melhor que antes e para, quem sabe, sermos eternos enquanto duramos.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do TecMundo, é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, com especialização em propriedades elétricas dos neurônios em Harvard. Registro Intel Reseller Technology - Especialista em tecnologia IP:10381444, especialista em neurociência e inteligência artificial pela IBM, especialista em hardware. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo. Formações nas áreas de filosofia, neuropsicologia, mestre em psicanálise, jornalismo, psicologia, membro da Sociedade brasileira e portuguesa de neurociência e da Federação Européia de Neurociência registro PT30079. Diretor da CPAH - Centro de Pesquisas e Análises Heráclito, principal cientista nacional para estudos de inteligência e alto QI.

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