Snapdragon em Marte: Qualcomm detalha seu papel em exploração espacial

3 min de leitura
Imagem de: Snapdragon em Marte: Qualcomm detalha seu papel em exploração espacial
Imagem: Nasa/Reprodução
Avatar do autor

“A missão Mars 2020 foi um marco não só para a tecnologia e a ciência, mas para a humanidade de maneira geral”. É assim que diretores da Qualcomm definem um dos projetos mais ousados dos últimos anos. Por meio de uma conferência virtual, o TecMundo foi convidado para conversar com dois profissionais que participaram diretamente de todo esse plano mirabolante de engenharia.

Apesar de o pouso do rover Perseverance no solo de Marte ter acontecido em 18 de fevereiro, as pesquisas e estudos para que isso acontecesse já duram anos. Desde meados de 2013 os detalhes da tarefa começaram a ser pensados não só pela NASA, mas por cientistas do mundo todo.

O esforço global para levar o robô até o planeta vermelho tem como objetivo buscar sinais de vida antiga e coletar amostras do solo para futuro envio à Terra. A jornada espacial que durou 7 meses foi um alívio para os envolvidos no projeto.

Mars 2020

“Tudo da Missão Mars 2020 foi bastante desafiador. Mas a colaboração entre o governo norte-americano, a NASA e a Qualcomm foi o fator-chave para que a missão fosse bem-sucedida”, argumentou Chris Pruetting, diretor sênior de Desenvolvimento de Negócios de Tecnologias Governamentais da empresa.

A Qualcomm participou da atividade fornecendo a tecnologia – principalmente o chip – para o Ingenuity, helicóptero que viajou acoplado ao Perseverance. O objeto voador fará 5 voos de teste em Marte para analisar e entender melhor a atmosfera do planeta.

“Precisamos realizar esses testes para saber se o helicóptero não ficará preso na areia, por exemplo. Nós ensaiamos para que ele consiga entrar até em cavernas, mas precisamos colocar isso na prática”, disse Dev Singh diretor de Desenvolvimento de Negócios em Robótica Autônoma, Drones e Máquinas Inteligentes da Qualcomm.

Testes e discussões

Chris e Dev revelam que participar do projeto é motivo de muito orgulho e uma experiência única. Contudo, não foi só de animação que o experimento foi conduzido; pelo contrário, foi necessário muito trabalho duro.

Eles contam que o processo foi complexo e que para chegar ao resultado foi dada muita atenção à qualidade dos materiais usados. Dev lembra, por exemplo, que a radiação de Marte foi um dos pontos de atenção das várias equipes de técnicos.

“Nós fizemos muitos testes de voos no ano de 2019 em câmaras que simulam a atmosfera de Marte. Eles foram essenciais para entendermos algumas dificuldades, como a comunicação, que não é a mesmo que no ambiente da Terra”, exemplificou Chris.

Apesar dos testes nos últimos 2 anos, a Qualcomm começou a trabalhar nos equipamentos por volta de 2014. O processador escolhido para equipar a Ingenuity foi o Snapdragon 801, famoso conhecido de pessoas que tiveram um Samsung Galaxy S5, Moto X ou Sony Xperia Z3.

A versão integrada ao helicóptero, porém, foi modificada para atender às demandas espaciais. A plataforma é mais eficiente no gasto de energia, por exemplo, para mostrar que é possível fazer um voo guiado a mais de 60 milhões de quilômetros de distância.

“A tecnologia foi o centro de tudo que fizemos e é incrível como o projeto evoluiu ao longo dos cerca de 6 anos. Nesse sentido, o trabalho com a JPL (Laboratório de Propulsão à Jato da NASA) foi essencial”, lembrou Chris.

Futuro

Os diretores da Qualcomm foram sinceros e disseram que dão um passo de cada vez; por isso, eles não falaram sobre missões planejadas já para os próximos anos.

“Tem muita energia envolvida nisso e mesmo aqui na Terra já estamos lidando com problemas reais de drones que atuam em fazendas, por exemplo”, disse Chris. “Essa é a nossa missão agora, mas muitas outras virão”, prometeu Dev.

Nada foi dito sobre quando deverá ocorrer o primeiro voo com a Ingenuity e ambos explicaram que nos próximos 30 dias a questão será avaliada. Sobre o porquê só serão realizados 5 voos, Dev argumentou que essa é uma missão de demonstração e que realizar um já seria um grande avanço.

Helicóptero Ingenuity

Por último, ambos voltaram a exaltar o fato histórico que estamos vivendo neste momento e como isso impactará o mundo. Chris defendeu que a tendência é que tudo fique menos custoso no futuro e que particularmente os drones serão peças muito úteis no dia a dia de bilhões de pessoas.

Para os aficionados, Dev citou que o Ingenuity é como o rover Sojourner de 1997. “Se tudo der certo, também vamos mudar a forma como a exploração espacial é feita”, finalizou.