Hubble ganha nova missão: formar uma biblioteca UV de estrelas

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Depois de três décadas, o veterano telescópio espacial Hubble tem uma nova missão: o Ultraviolet Legacy Library of Young Stars as Essential Standards (Biblioteca do Legado Ultravioleta de Estrelas Jovens como Padrões Essenciais, acrônimo em inglês ULLYSES), que será como um catálogo espectral que vai traçar, através de perfis em ultravioleta, a infância estelar.

Foram incluídas no projeto mais de 300 estrelas – das mais jovens e pouco massivas de dez nascedouros na Via Láctea a estrelas maduras espalhadas em galáxias anãs próximas, como as Nuvens de Magalhães.

"Um dos principais objetivos do ULLYSES é formar uma amostra de referência completa a ser usada para criar, futuramente, bibliotecas espectrais que capturam a diversidade de estrelas, garantindo um conjunto de dados permanente para uma ampla gama de tópicos astrofísicos," disse, em comunicado da NASA, a líder do programa, a astrônoma Julia Roman-Duval, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI), de onde partiu a iniciativa.

Na Grande Nuvem de Magalhães, as estrelas-alvo estão marcadas em amarelo (observações anteriores do Hubble) e azul (programa ULLYSES).Na Grande Nuvem de Magalhães, as estrelas-alvo estão marcadas em amarelo (observações anteriores do Hubble) e azul (programa ULLYSES).Fonte:  NASA/ESA/STScI/ULLYSES 

Segundo ela, "espera-se que o ULLYSES tenha um impacto duradouro sobre pesquisas futuras de astrônomos de todo o mundo". O STScI, juntamente com o anúncio sobre o programa, está lançando o primeiro conjunto de observações catalogado pelo ULLYSES, com dados espectrais de estrelas quentes, massivas e azuis de galáxias anãs nas vizinhanças da Via Láctea.

Planetas em formação

A atmosfera terrestre filtra a maior parte da radiação ultravioleta emitida pelas estrelas e, por isso, telescópios na Terra jamais conseguiriam levar a cabo uma tarefa como a ULLYSES. O Hubble, no espaço, é o único capaz de registrar o crescimento e maturidade das estrelas jovens, que expelem boa parte de sua energia em radiação ultravioleta.

Sóis jovens podem significar planetas em formação. O ultravioleta irradiado por protoestrelas separa moléculas e penetra nos discos de gás e poeira ao seu redor – o nascedouro de planetas.

Na Pequena Nuvem de Magalhães, as imagens já captadas pelo Hubble (amarelo) e as que foram incluídas no ULLYSES.Na Pequena Nuvem de Magalhães, as imagens já captadas pelo Hubble (amarelo) e as que foram incluídas no ULLYSES.Fonte:  NASA/ESA/STScI/ULLYSES 

“A radiação UV intensa influencia a química desses discos, afetando por quanto tempo eles existirão; isso, por sua vez, tem relação direta com as chances de um planeta ser habitável, sua química e composição atmosférica. Esta coleção única está permitindo uma pesquisa astrofísica diversa e estimulante em muitos campos", disse Roman-Duval.

Dez milhões de anos

O Hubble não ficará sozinho em sua tarefa: a ele deve se juntar, futuramente, o telescópio espacial James Webb, que fornecerá imagens em um espectro mais amplo no infravermelho. Segundo o comunicado da NASA, “trabalhando juntos, Hubble e Webb fornecerão uma visão holística das estrelas e da história da formação estelar do universo".

O Hubble captura a luz ultravioleta, a luz visível e o infravermelho próximo.O Hubble captura a luz ultravioleta, a luz visível e o infravermelho próximo.Fonte:  NASA/ESA/Divulgação 

Mesmo agora, a missão do telescópio espacial vai complementar o trabalho de instrumentos no solo e no espaço, como o observatório espacial de raios-X Chandra e o radio-observatório Atacama Large Millimeter Array (ALMA), fornecendo um conjunto de dados sobre os primeiros dez milhões de anos de evolução estelar.

Segundo a NASA, o trabalho ajudará diversos campos da astronomia, "incluindo a formação e evolução de galáxias, a mecânica e a perda de massa das supernovas, como as estrelas impactam a formação de planetas e de que forma suas emissões afetam a composição do meio interestelar. A utilidade dos dados é praticamente infinita, e afetará nossa compreensão do Universo de maneiras que ainda não podemos prever.”


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