Com as recentes descobertas relacionadas aos asteroides que ameaçam a Terra, muitas hipóteses de como seria possível destruí-los começaram a surgir. Uma das ideias mais citadas entre as pessoas é referente à utilização de bombas atômicas para fazer com que os corpos espaciais fossem desviados ou quebrados.

Mas será que é possível causar uma explosão nuclear no espaço? Sem oxigênio, seria possível fazer com que os explosivos reagissem? É  o que descobriremos neste artigo. Primeiro, vamos a uma rápida explicação de como é o funcionamento dessas armas poderosas.

Como funciona a bomba?

Bombas atômicas, como as utilizadas no Japão (na Segunda Guerra Mundial), não funcionam por processos de combustão, mas sim de fissão nuclear. Por essa razão, não existe a necessidade de fogo para que sejam detonadas. Toda a reação é feita no interior da bomba e é a partir dela que a energia será expandida. (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Há dois tipos de bombas de fissão nuclear, as por implosão e as por pistola. Enquanto as primeiras trabalham com cargas mais próximas ao núcleo do material radioativo, as segundas precisam de um projétil interno – capaz de ativar as cargas explosivas. Quando ativados, os núcleos radioativos são divididos (fissão) e a expansão acontece rapidamente, causando um enorme aumento de pressão e a consequente explosão.

É um processo similar ao que aconteceu no “Big Bang”: uma quantidade grande de energia encontra-se em “dormência”; de repente, a pressão aumenta e a expansão começa. Em poucos segundos, ela já está dominando vastas áreas. Na Terra, a explosão causa um levantamento enorme de poeira e fogo, devido ao deslocamento de ar e calor gerado pela bomba.

É possível levá-la para o espaço?

Ogivas nucleares não são os objetos mais estáveis do mundo (até porque elas precisam da instabilidade dos átomos para que possam entrar em fissão para explodir), mas ao contrário do que muitos pensam, transportá-las em altas velocidades não oferece riscos tão grandes.

Por essa razão, as ogivas poderiam ser enviadas até o espaço de dois modos: foguetes e mísseis – ambos já testados pelas forças armadas dos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria. Os resultados foram positivos (pelo menos no transporte), mas algumas consequências forçaram o encerramento dos testes.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Os principais objetivos das nações que realizaram as operações (Rússia e Estados Unidos) eram relacionados às interferências e desativações de satélites inimigos, mas conforme relatado pelo How Stuff Works (em inglês), era difícil identificar a procedência dos satélites e, por isso, muitas vezes ocorreu “fogo amigo”.

Outro problema foi referente ao pulso eletromagnético causado pelas explosões, que provocou panes elétricas em grande parte do planeta. Mas a principal consequência está no futuro. Especula-se que a radiação gerada pelas explosões permaneça sobre a atmosfera terrestre, o que pode causar danos a missões espaciais e astronautas que sejam enviados ao espaço.

Como seria a explosão nuclear espacial?

Como nós já dissemos, as explosões nucleares ocorrem pela fissão das partículas, causando reações de dentro para fora. São expansões em altíssimas velocidades, que destroem o que estiver por perto, devido à quantidade de energia liberada. Mesmo no espaço, algo parecido com isso poderia ser visto.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Logicamente não haveria o fogo que pode ser visto na Terra, pois não há oxigênio para ser queimado. Mas não é por isso que a explosão passa despercebida pelos olhos humanos. A radiação dos materiais envolvidos está, em sua maior parte, em frequência maior do que o ultravioleta.

Mas existe também uma parte visível na expansão radioativa e ela produz flashes que permeiam o azul e o branco (como se fosse um azul muito claro). Segundo relatos de Bernard J. OKeefe, no livro "Nuclear Hostages" (em que conta o que viu nos testes norte-americanos de 1962), as explosões nucleares no espaço criaram uma aurora assustadora no céu.

O que a NASA diz?

Em nossas pesquisas, encontramos um material preparado pela agência espacial norte-americana (NASA) sobre o tema. No artigo “Nuclear Weapon Effects In Space” (Os Efeitos das Armas Nucleares no Espaço), estão explicitadas algumas das reações que as bombas teriam ao atingir uma região de vácuo total.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Confirmando o que já dissemos anteriormente: ao contrário do que acontece na Terra, fora da atmosfera não existe a explosão de fogo, pois não há oxigênio. Sem ar, também não é possível que a expansão gere calor, pois não há partículas para vibrar termicamente.

Por outro lado, a radiação não precisa de matéria para se propagar. Na verdade, sem a presença de qualquer elemento, não existe atenuação da radiação, que só diminui de intensidade por causa da distância. Por essa razão, os elementos radioativos resultantes das explosões nucleares espaciais duram muito mais tempo do que os gerados ao nível do mar.

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Como você pode ver, as bombas nucleares podem realmente explodir no vácuo do espaço. Apesar de não gerar as “explosões” como estamos acostumados a ver na Terra, a expansão da energia que existe no material radioativo do interior delas é capaz de causar alguns estragos.

Sem chamas ou deslocamento de ar (justamente por não existir ar), o processo libera luzes azuis e brancas, além de dispensar uma enorme quantidade de radiação. Por isso, se alguém perguntar se é possível explodir uma bomba atômica no espaço, você já sabe o que responder.

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