Ciência muda nome de genes por causa do Microsoft Excel

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Há 16 anos, os geneticistas começaram a notar que o editor de planilhas da Microsoft estava renomeando genes automaticamente – na maioria das vezes, para datas. Desde então, a comunidade científica pede para que Bill Gates dê um jeito no Excel mas, como nada foi feito, o Comitê de Nomenclatura Genética da Organização para o Genoma Humano (acrônimo em inglês HUGO) decidiu mudar os nomes dos genes que o software insiste em “consertar”.

O problema afeta o nome de certos genes, como o MARCH1 (acrônimo para Membrane Associated Ring-CH-Type Finger 1), cujo nome é convertido pelo Excel para 1-Mar (1º de março). Depois de inseridos os dados, os geneticistas eram obrigados a rever a planilha linha por linha, coluna por coluna.

O problema acontece também com o Apache OpenOffice Calc mas não no Sheets, da Google. A Microsoft não respondeu a um pedido do site The Verge por comentários.

Erros para todos os lados

Em 2004, um grupo de cientistas ligados ao estudo do câncer publicou um artigo no qual dizia que “as conversões dos dados [pelo Excel] afetam pelo menos 30 nomes de genes; as conversões de tipos de pontos flutuantes afetam pelo menos 2.000, se os identificadores Riken forem incluídos. Essas conversões são irreversíveis; os nomes originais dos genes não podem ser recuperados.”

Doze anos depois, cientistas do Instituto Baker para Coração e Diabetes apontaram novamente para o problema: "Uma varredura programática das principais revistas de genômica revela que aproximadamente um quinto dos artigos com listas suplementares de genes feitas no Excel contém conversões errôneas de nomes de genes.”

À esquerda estão os erros por publicação (a barra em preto indica a média); à direita, quantos erros foram identificados, por ano.À esquerda estão os erros por publicação (a barra em preto indica a média); à direita, quantos erros foram identificados, por ano.Fonte:  Genome Biology/Reprodução 

Note-se que o problema não afeta somente o trabalho de geneticistas: pesquisa publicada no Journal of Organizational and End User Computing em 2009 apontava que 90% das planilhas em uso em empresas continham erros pelas mudanças feitas pelo Excel nos dados inseridos.

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