Monitoramento em tempo real: satélites poderão ser usados para nos vigiar

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Como você se sentiria se todos os seus movimentos fossem constantemente acompanhados em tempo real por "olhos invisíveis"? Pois saiba que isso pode acontecer e, em vez de estarmos sendo vigiados por câmeras secretas (ou nem tanto) e agentes infiltrados, a tecnologia dos satélites avançou tanto nas últimas décadas que existe a possibilidade de que esses equipamentos se convertam em espiões superpoderosos e que tudo veem.

Espiões celestes

De acordo com Shelby Brown, do site CNET, pelo menos nos Estados Unidos existem regulamentações em vigor que limitam o alcance dos satélites comerciais e o acesso a dados pessoais da população, mas estamos falando dos EUA e desconsiderando os equipamentos de uso militar ou para fins científicos, certo?

Segundo um levantamento realizado por pesquisadores do MIT, pelo menos no que diz respeito às companhias de satélites comerciais, os dispositivos têm tecnologia suficiente para identificar carros na superfície do planeta, mas não para distinguir características como marca, número de placa e modelo. Além disso, as empresas não cruzam as imagens obtidas pelos equipamentos com informações que permitam a identificação de pessoas.

Entretanto, o número de satélites de observação em atividade é gigantesco e, só para se ter ideia, uma única companhia mencionada no levantamento do MIT, a Planet Labs, conta com 140 deles em órbita com resolução máxima de 1 metro, o que significa que essa empresa sozinha conta com equipamentos suficientes para sobrevoar (e potencialmente vasculhar) o planeta inteiro pelo menos uma vez ao dia.

Vigilância

A Planet Labs explicou que seus satélites são usados para capturar imagens de florestas, plantações, corpos hídricos, estradas e construções, por exemplo, com o objetivo de facilitar o monitoramento diário e em larga escala de como a superfície da Terra vem sendo alterada. Vale lembrar que essa tecnologia pode ser de extrema importância, mas não é preciso ser um gênio para enxergar o potencial para que ocorram abusos e ela possa ser empregada em outros fins — como para vigiar os nossos movimentos.

(Fonte: VideoBlocks/Gorodenkoff)

Além disso, enquanto nos EUA existem normas que limitam o uso e a capacidade dos satélites comerciais, essas regras não se aplicam internacionalmente, o que pode gerar competição com o mercado externo e dar origem a pressões para que as regulamentações sejam abrandadas pelo governo norte-americano.

Lembrando que já existem outras tecnologias para obtenção de dados e imagens, como o sensoriamento remoto por radar e o uso de sensores hiperespectrais, que têm capacidade suficiente para penetrar nuvens e até determinar a composição e altura de objetos na superfície com uma precisão milimétrica e que podem ser usadas em conjunto com os satélites de observação.

E, considerando que os avanços tecnológicos vêm ocorrendo a uma velocidade muito maior do que o ajuste e a criação de novas normas, é possível que a população passe, sim, a ser monitorada em tempo real.

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