O avanço tecnológico sempre vem de pesquisas revolucionárias, e a descoberta de uma forma de produção de nanofitas de fosforeto parece ter encontrado a solução para um dos grandes problemas dos aparelhos eletrônicos modernos: a bateria. Até podemos nos organizar e lidar com o tempo de carregamento de nossos aparelhos celulares, mas o problema é um pouco maior quando não podemos sair pela manhã porque nosso carro elétrico ainda está carregando.

Um dos grandes empecilhos para o uso de carros elétricos é sua baixa autonomia energética, reflexo da pequena capacidade das baterias e seu tempo de carregamento. Os materiais utilizados atualmente não possibilitam uma otimização tão grande dessas variáveis, mas uma descoberta acidental pode mudar esse jogo.

A grande novidade foi publicada em uma matéria no site The Conversation, na qual Chris Howard, professor da University College London contou que pesquisava uma forma de separar camadas de cristais de fósforo em folhas bidimensionais quando, ao invés de atingir seu objetivo inicial, conseguiu criar pequenas e longas faixas de fosforeno, chamadas de nanofitas, com dimensões de 1 átomo de espessura, 100 átomos de largura e comprimento maior do que 100 mil átomos.

Visão do futuro

Diversos cientistas já haviam publicado estudos prevendo o uso potencial de nanofitas de fosforeno, mas até agora nenhum deles tinha conseguido criá-las. Uma das principais revoluções seria na manufatura de baterias, pois através desse material os íons poderiam se mover aproximadamente mil vezes mais rápido do que nas de lítio, utilizadas atualmente.

Essa alteração faria com que o tempo de carregamento fosse reduzido drasticamente, aliado a um aumento de 50% de capacidade, considerando baterias com as mesmas dimensões. A descoberta das nanofitas é apenas o primeiro passo para que elas sejam amplamente utilizadas, já que novas pesquisas ainda precisam ser realizadas, validando as predições dos estudos teóricos e otimizando a solução para que possa ser viabilizada comercialmente.

(Fonte: Reprodução/UCL)

Apesar da necessidade de aprimoramento, Howard é otimista e diz que "os mais de 20 anos de desenvolvimento das baterias de lítio nos mostram que a estrada entre a descoberta e o uso eficiente pode ser longa, mas, com a sociedade cada vez mais se afastando dos combustíveis fósseis, esperamos que esse caminho seja percorrido o mais rápido possível".