O cenário político recente do país é notavelmente pouco propício para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. O problema mais recente que tem tirado o sono dos pesquisadores do Brasil é o anúncio de que a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pode cortar mais de 200 mil bolsas de estudo e pesquisa.

Pensando nessa necessidade e tentando defender os investimentos na educação e na ciência, alguns pesquisadores se uniram e formaram o grupo Cientistas Engajados na tentativa de organizar a primeira “bancada da ciência” dentro do cenário político brasileiro. Os pré-candidatos até então são Walter Neves, antropólogo e professor aposentado da USP, e Mariana Moura, doutoranda que pesquisa a transferência de valores da cadeia energética. Ambos devem concorrer a deputado federal e estadual respectivamente pelo Partido Pátria Livre (PPL).

Pensamento atrasado

Walter Neves tem como objetivo na esfera federal recuperar a autonomia do Ministério da Ciência e Tecnologia desvinculando-o do Ministério das Comunicações

O problema, para quem ainda não compreendeu, é bastante grave: em 2010, o investimento nessa área foi de R$ 10 bilhões. No ano atual, 2018, não passou de R$ 3,4 bilhões. Além disso, quando o presidente em exercício Michel Temer assumiu o cargo, fundiu o MCTIC com o Ministério das Comunicações, deixando claro o desdém pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia.

Walter Neves tem como objetivo na esfera federal recuperar a autonomia do Ministério da Ciência e Tecnologia desvinculando-o do Ministério das Comunicações e aumentar gradativamente o investimento nessa área, chegando até o patamar de 3,5% ao ano e definindo o valor como piso mínimo na Constituição. Mariana Moura quer integrar os diferentes institutos, universidades e entidades para melhor aproveitar o que está disponível na esfera estadual de SP.