O chip brasileiro desenvolvido por pesquisadores da USP conhecido como “Sampa” foi aprovado para uso no LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas do mundo. Um comitê internacional de revisores conferiu os detalhes e a funcionalidade do chip. Os testes foram feitos no Brasil, na Suécia, na França, na Rússia, nos EUA e na Noruega. Essa versão do Sampa vem sendo desenvolvida desde 2016.

O Sampa agora se prepara para entrar em produção em massa. A USP afirma que serão fabricadas 88 mil unidades pela TSMC em Taiwan, e a maioria delas será destinada ao LHC, localizado na fronteira entre a França e a Suíça. O LHC será desligado em 2019 para uma grande atualização de equipamentos, e é nessa atualização que o Sampa entra.

Em 2021, o chip brasileiro será utilizado nos detectores de partículas do LHC

Em 2021, quando o acelerador de partículas deve voltar a funcionar, o chip brasileiro será utilizado nos detectores de partículas do LHC, conhecidos como TPC (Time Projection Chamber) e MCH (Muon Chamber). Esses detectores fazem parte do experimento Alice (A Large Ion Collider Experiment).

Ao Jornal da USP, o professor Marcelo Gameiro Munhoz explicou que a tecnologia do Sampa foi 100% desenvolvida no Brasil. “O projeto é todo brasileiro, com a participação de um cientista norueguês em uma das partes. A propriedade intelectual do chip é nossa”, disse. Munhoz deve acompanhar a produção do chip em Taiwan.

O projeto é todo brasileiro. A propriedade intelectual do chip é nossa

O Sampa também será usado em menor escala em equipamentos comerciais. Pesquisadores da USP estão desenvolvendo dispositivos de detecção de radiação que poderão ser eventualmente empregados em aparelhos de raio X médico. Além de Munhoz, também coordena o projeto do Sampa o professor Wilhelmus Van Noije.