A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, com suas raízes se estendendo por oito países diferentes. Esse imenso ecossistema, porém, é ameaçado pelo desmatamento, comandado especialmente pela ação de madeireiros na região. Para evitar que isso avance, porém, moradores contam com seus próprios esforços e, também, com a tecnologia, mais especialmente com smartphones antigos e uma inteligência artificial da Google.

Por meio do Chefe Naldo Tembé, o povo tembé entrou em contato com o grupo de engenheiros e desenvolvedores Rainforest Connecton, que criou um sistema de monitoramento escalável que usa aprendizado de máquina e dispositivos antigos a fim de manter os ouvidos atentos na floresta em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana.

“Construir um hardware que sobreviva na floresta é desafiador, mas estamos utilizando o que já está lá: as árvores”, conta o fundador e presidente da Rainforest Connection Topher White. “Escondemos smartphones modificados alimentados com painéis solares — chamados de dispositivos ‘Guardiões’ — em árvores de áreas ameaçadas, e monitoramos continuamente os sons da floresta, enviando todo o áudio para os nossos servidores baseados na nuvem pela rede telefônica local.”

Ao serem armazenados na nuvem, as gravações são analisadas pela plataforma de aprendizado de máquina TensorFlow, desenvolvida pela Google, a fim de compreender o que foi registrado. É assim que esse conjunto de monitoramento identifica, por exemplo, a presença de motosserras ou caminhões em meio à floresta.

O passo seguinte do projeto é o programa “Guardiões do Planeta”, lançado na última semana com centenas de estudantes de matemática, engenharia, tecnologia e ciências de Los Angeles, Estados Unidos. Os jovens entrarão em contato com o povo Tembé e desenvolverão seus próprios dispositivos “guardiões” para intensificar o monitoramento de ações ilegais de madeireiros na Amazônia.

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