Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley descobriu um novo material que poderá eventualmente ser utilizado para transformar calor em energia elétrica. O material é um tipo de perovskite sintético que, incialmente, foi concebido apenas para funcionar como um “vidro inteligente”, capaz de mudar de cor e opacidade conforme a incidência de raios solares. Durante testes, os pesquisadores descobriram que poderiam utilizar o material para transformar o calor da luz solar em eletricidade e mantar a características de mudança de fase do vidro intacta.

Dessa forma, essa perovskite não apenas serve para impedir que muita luz e calor do sol entre dentro de um edifício por suas janelas, por exemplo, mas também ajuda a gerar eletricidade conforme é aquecido. Um artigo científico detalhando a descoberta foi publicado na revista Nature.

Por enquanto, entretanto, essa perovskite só consegue converter 7% da energia que recebe em forma de calor para eletricidade e a uma temperatura de 100 °C, o que o torna inviável para uso comercial. Também há limitações quanto às cores do vidro quando ele recebe calor. No momento, o material só consegue sair do transparente para laranja, marrom ou vermelho, o que limita suas aplicações arquitetônicas e também em veículos, ou mesmo casas.

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O objetivo dos pesquisadores agora é melhorar a tecnologia para que ela comece a produzir eletricidade a partir de 50 °C ou 60 °C, o que já seria útil em regiões quentes, uma vez que a temperatura da superfície de uma janela em um prédio comercial pode chegar a esses valores sem muita dificuldade em um dia de sol. Novas cores também estão sendo estudadas.

Apesar disso, não existem previsões para quando ou se essa tecnologia um dia se tornará comercialmente viável. No caso da geração de eletricidade, estima-se que seria necessário converter pelo menos 10% da energia incidente.