Os livros, a TV e os filmes há anos contam histórias fantásticas nas quais a consciência humana ou a de outros seres vivos pode ser transferida para um computador e, posteriormente, para uma máquina capaz de materializar um corpo físico para essa nova mente digital. Nós já vimos isso mais recentemente no longa Transcendence: A Revolução, de 2014, mas o mesmo conceito já foi mostrado na série Caprica (2010) e em várias outras histórias. Agora, parece que a ciência encontrou uma forma de mais uma vez transformar a ficção em realidade.

A nova criatura foi inclusive treinada a balançar um objeto em sua cauda com sucesso

Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Viena, na Áustria, conseguiram copiar o cérebro de um verme da espécie Caenorhabditis elegans para um computador e, em seguida, dar um corpo robótico para o animal. A nova criatura foi inclusive treinada a balançar um objeto em sua cauda com sucesso.

O robô foi treinado a balançar o objeto por um processo muito similar ao adestramento de cães, que consiste em recompensar o animal quando ele realiza determinada ação para incentivá-lo a repeti-la quando solicitado. Nesse caso, o verme já tinha o impulso natural de se contorcer quando seu corpo era tocado, então aprender a balançar o objeto adequadamente foi aparentemente uma extensão disso.

verneEsquema mostra como robô se comporta da mesma forma que o verme

Vale destacar ainda que a “cópia original” do cérebro do verme é única “linha de código” inserida no programa de computador que controla o robô. Não houve nenhum tipo de programação por parte de seres humanos. O verme original em seu corpo orgânico mede apenas um milímetro e tem somente 300 neurônios em seu sistema nervoso. Por ser uma criatura extremamente simples, foi possível fazer o experimento com sucesso.

Segundo os pesquisadores, o comportamento do verme robô é bem similar ao da criatura original

Segundo os pesquisadores, o comportamento do verme robô é bem similar ao da criatura original. Isso é determinado pelas funções neurais que a criatura desenvolveu biologicamente, as quais foram copiadas para um computador através de um procedimento não detalhado completamente.

Apesar de o verme ser uma criatura simples e, provavelmente não consciente de si, nada indica que, com mais informações e melhores técnicas, não seja possível copiar o cérebro de algum animal mais complexo para um computador. No momento em que for possível transferir a consciência de um mamífero, por exemplo, estaremos perto de levar a mente humana para o meio digital e, tecnicamente, permitir que pessoas vivam para sempre. Não temos, contudo, nenhuma previsão de quando ou como exatamente isso poderia acontecer.