A Boeing anunciou durante a SciTech — uma feira dedicada a tecnologia aeroespacial que aconteceu em Orlando, EUA — um novo projeto de aeronave militar teoricamente capaz de voar a mais de 6.100 km/h. Estamos falando aqui de velocidades equivalentes ou superiores a Mach 5, cinco vezes a velocidade do som. Em termos práticos, seria possível dar uma volta completa na Terra com ele em apenas 6,5 horas e mais alguns minutos, dependendo do tempo necessário para aceleração até Mach 5.

Ainda é cedo para ter um design finalizado para o veículo

O projeto de avião hipersônico está em fase de desenvolvimento, por isso ainda não existe um protótipo funcional. O que a companhia mostrou no evento foi apenas um modelo do que poderia vir a ser o design final do avião. Vale destacar, entretanto, que Kevin Bowcutt, cientista líder de projetos hipersônicos na Boeing, explicou que ainda é cedo para ter um design finalizado para o veículo.

O interessante desse projeto, é o seu sistema de propulsão. O avião usaria turbinas tradicionais para chegar até Mach 3 e, a partir daí, um novo formato de propulsão seria ativado. Isso acontece porque em velocidades equivalentes a Mach 3 ou superiores, a pressão do ar na entrada das turbinas é tão grande que não se faz mais necessário o uso de hélices para forçar a entrada do ar nos “motores”. Dessa forma, um formato de turbina sem hélice entraria em ação, aumentando a velocidade do avião exponencialmente.

Desenvolver uma aeronave que decola, acelera através de Mach 1 e vai até Mach 5 ou mais é um problema realmente difícil

“Desenvolver uma aeronave que decola, acelera através de Mach 1 e vai até Mach 5 ou mais é um problema realmente difícil”, disse Bowcutt ao Aviation Week durante SciTech. “O impulso específico de um motor que respira ar diminui com velocidade crescente, portanto você precisa tonar a turbina maior para chegar até Mach 5. Mas fazer isso significa ter uma entrada de ar maior, bem como um bocal/saída maior, e chegar a Mach 1 dessa forma é mais difícil”, explicou.

Por conta disso, o avião precisa de um sistema de propulsão combinado. Um formato faz a aeronave decolar e acelerar até metade do caminho e, quando não consegue mais ser efetivo, o segundo modelo toma conta da situação. Não temos informações mais concretas, contudo, sobre a forma de alternância entre esses dois formatos.

Incialmente, a Boeing estava financiando a pesquisa e o desenvolvimento desse projeto sozinha, mas, agora, agências governamentais civis e militares dos EUA estão envolvidas, o que pode fazer as coisas andarem mais rapidamente.