Há muito tempo a Medicina tenta desvendar os mistérios por trás das causas da alucinação, especialmente porque elas são acionadas por conta de condições específicas e pelas drogas. Isso dificulta bastante a identificação do que realmente transforma nossa percepção. Entretanto, um projeto que usa realidade virtual (ou virtual reality — VR) em conjunto com imagens distorcidas, criadas por uma inteligência artificial (ou artificial intelligence — AI) pode dar pistas de como compreender melhor o cérebro humano.

Simulação troca imagens recorrentes porversões distorcidas

A “Máquina de Alucinação” usa um algoritmo gerado por uma versão aberta da DeepDream, AI da Google, e usa a imersão da VR para oferecer uma experiência capaz de criar “alucinações biológicas”, ou seja, seu corpo realmente sente a “viagem” como se fosse a de ingerir cogumelos, segundo o documento anexado junto à Nature.

O projeto foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Sackler para a Ciência da Consciência da Universidade de Sussex, em Brighton, na Inglaterra. A máquina usa vídeos para emular cenas naturais, como o campus da própria instituição, só que em versões lisérgicas, graças ao uso das chamadas redes neurais convolutivas profundas (DCNNs). Se você já teve pesadelos vendo os sonhos eróticos da DeepDream, então sabe mais ou menos do que se trata.

máquina de alucinação

As DCCNs são um sistema que pode ser treinado para detectar rostos e padrões em fotos e classificar as imagens automaticamente. Quando o reconhecimento é recorrente e acontece “em excesso”, ele cria distorções que realmente podem deixar qualquer com um headset de VR transtornado.

Testes utilizaram voluntários que já usaram drogas

Bem, para chegar a resultados mais plausíveis, era necessário ter voluntários que realmente já tiveram algum viagem de ácido ou cogumelos. Então, os pesquisadores resolveram fazer dois testes. O primeiro foi para examinar a “validade” das alucinações oferecidas pelo gadget. Os 12 participantes avaliaram suas experiências durante a simulação, assim como com vídeos “normais”, e depois responderam um questionário formulado justamente para obter dados sobre experiências psicodélicas.

O potencial para a VR na neurociência é tão grande e continua crescendo. Em cinco anos, isso vai mudar tudo

Os resultados foram comparados com um levantamento feito com voluntários que administraram psilocybin, substância presente nos cogumelos alucinógenos. E a conclusão é que as respostas foram muito similares. O segundo observou se a Máquina de Alucinação poderia levá-los para um estado de “distorção temporal”, em que muitos usuários relatam a perda de noção sobre o tempo. Neste caso, houve grande diferença, o que indica que esse tipo de experiência não pode ser emulada pela VR em conjunto com a AI.

máquina de alucinação

Mas qual a grande razão para a criação dessa máquina? Bem, não é para fins “recreativos”, como muitos poderiam pensar. O desenvolvimento do projeto pode ajudar a compreender melhor o cérebro sob ação de alucinações e ajudar os especialistas a encontrar sintomas de depressão e esquizofrenia. E isso seria um grande passo para evitar problemas, ao invés de tratá-los posteriormente.

O codiretor do Centro Sackler para a Ciência da Consciência da Universidade de Sussex, Anil Seth, ficou tão animado que até mesmo cravou: “o potencial para a VR na neurociência é tão grande e continua crescendo. Em cinco anos, isso vai mudar tudo.” Confira sua apresentação:

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