Você deu uma boa olhada na imagem acima? O círculo negro cobrindo a mão do rapaz não lembra aqueles buracos que os personagens de desenhos animados pintam para ir rapidamente de um lugar a outro? Acontece que não existe truque algum na foto — e nenhum portal maluco foi photoshopado na cena.

Lembra disso?

De acordo com Bec Crew, do site Science Alert, se trata de um objeto que foi revestido com uma substância chamada Vantablack — que nada mais é do que o material preto mais preto já criado pela Ciência. E, acredite, caro leitor, a substância é preta pretinha mesmo!

Escurão

Segundo Bec, o Vantablack foi desenvolvido por cientistas britânicos em 2014 e, na época, ele já foi chamado de material mais escuro já produzido pelo homem — capaz de absorver impressionantes 99,96% da luz visível, da ultravioleta e da infravermelha também. Mas, não contentes com o resultado, em 2016, os pesquisadores anunciaram que eles haviam tornado o Vantablack ainda mais preto, tanto que nenhum espectrômetro do mundo era capaz de medir a quantidade de luz que o material pode absorver.

É muito preto!

Na verdade, o Vantablack não é um tipo de pigmento ou tinta, mas sim uma cobertura feita de milhões e milhões de nanotubos de carbono. De acordo com os cientistas que desenvolveram o material, os nanotubos contam com comprimentos que variam entre 14 e 50 mícrons e medem aproximadamente 20 nanômetros de diâmetro — isto é, cada tubinho tem um diâmetro 3,5 mil vezes menor do que um fio de cabelo humano!

Só a título de referência, uma superfície de 1 centímetro quadrado revestida com o Vantablack contaria com 1 bilhão de nanotubos. Então, o que acontece é que, quando a luz atinge esse emaranhado de tubinhos, ela penetra entre os minúsculos espacinhos que existem entre eles e é capturada quase instantaneamente e absorvida por essas estruturas — e não é refletida de volta ao ambiente.

Assim, a quase total ausência de refletância cria superfícies que são quase perfeitamente pretas — tão pretas que o nosso cérebro tem dificuldade em processar o que os nossos olhos estão vendo. Isso porque, para perceber os objetos que temos diante de nós, é necessário que eles reflitam alguma luz, então, ao não refletir nada, os itens cobertos com Vantablack parecem um buraco sem fundo, um vácuo.

Veja um exemplo abaixo, onde dois objetos idênticos, um revestido com Vantablack e o outro não, se encontram lado a lado:

Viu como a peça tridimensional parece perder todas as suas feições?

Impressionante, não é mesmo? Pois o Vantablack que os cientistas usaram nas amostras que você viu ao longo da matéria não é a versão “superpower” do revestimento, mas uma capaz de absorver apenas 99,8% da luz. Essa opção foi criada na forma de spray com o objetivo de tornar o material comercializável. Contudo, não pense que qualquer pessoa pode colocar as mãos nesse curioso produto — e pintar seu carro para transformá-lo em um buraco negro ambulante!

Olha que pretume!

De momento, cientistas que inventaram o Vantablack apenas podem enviar pequenas amostras para laboratórios de pesquisa, determinadas companhias, museus, universidades e outras instituições de ensino, por exemplo, e só depois de que o objetivo de uso e a identidade das pessoas que fizeram o pedido sejam verificados.

Aliás, se você está se perguntando qual utilidade um revestimento como esse poderia ter — além de transformar o seu carro em uma anomalia invisível —, segundo os inventores do Vantablack, ele foi desenvolvido para reduzir o reflexo da luz e, portanto, pode ser empregado em câmeras de infravermelho de alto desempenho, sensores, instrumentos científicos, equipamentos de calibragem de satélites etc.

Além disso, devido ao seu alto poder de absorver a luz e converter sua energia em calor, o Vantablack poderia ser empregado no desenvolvimento de novos dispositivos de obtenção de energia solar. Ou, quem sabe, para cobrir jatos e satélites espiões...

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