O casal formado pela jornalista Christina Lee e pelo engenheiro Michael Saba mora em uma simpática residência no subúrbio de Atlanta, nos Estados Unidos. Eles levam uma vida normal e confortável, longe de qualquer suspeita — a não ser pelo fato de que, ao menos uma vez por mês, eles são acusados de roubarem celulares alheios.

A casa de Lee e Saba é, por algum motivo bizarro, mostrada como destino de celulares roubados ou perdidos em uma série de aplicativos de segurança e localização. Os serviços de Google, Apple e até companhias terceirizadas mostram o local como ponto atual de sinal do aparelho.

Isso não faz o maior sentido para o casal — e, aparentemente, nem para as empresas. Eles já entraram em contato com operadoras e fabricantes (incluindo as já citadas gigantes) e, até agora, ninguém soube resolver o problema, alegando que ele está fora do controle dessas companhias.

Em busca do celular perdido

São dois problemas gerados por esse mal entendido bizarro. O primeiro é o incômodo: especialmente durante a noite, o casal precisa atender a porta e ouvir histórias de pessoas que perderam o aparelho e receberam a indicação de que o dispositivo está lá. A resposta é sempre "Desculpe, mas nós não estamos com o seu smartphone".

O segundo é a segurança: volta e meia, os ânimos das vítimas estão exaltados e eles se recusam a acreditar que Lee e Saba realmente são vítimas de um fenômeno inexplicável. Eles temem que algum indivíduo violento resolva partir para a ignorância ao encontrar a casa, por exemplo. Em junho de 2015, a polícia foi até a residência em busca de uma garota desaparecida cujo celular apontava para a casa. Mais de uma hora se passou enquanto os oficiais vasculhavam o local, sem encontrar nada.

Mal-assombrada pela tecnologia

Os telefones não parecem ter muito em comum: são iPhones e Android de operadoras como AT&T, T-Mobile e Verizon. O site Fusion entrevistou especialistas em busca de uma resposta e, sem dados ou relatórios, nem mesmo eles conseguiram achar uma resposta.

Há algumas teorias. O analista de segurança Ken Westin acha que trata-se de uma falha da triangulação das torres de celular. O motivo? Na hora de localizar um aparelho, o aplicativo usa a informação de GPS do celular, a torre de celular usada para uma conexão recente e o mapa das redes WiFi conectados.

Algo parecido já aconteceu em 2013 a um homem de Las Vegas. A explicação da operadora Sprint? A casa do cidadão "estava no centro de um círculo geométrico que mostrava a área de um setor de celular da Sprint" e era a localização padrão mostrada quando um ponto preciso não podia ser determinado. Só que o caso de Lee e Saba envolve operadoras diferentes — até há três torres próximas da casa, mas nenhuma operadora admitiu problemas.

Outra possibilidade é que o mapeamento WiFi esteja errado e que todas as operadoras usem a mesma base licenciada de informações. Lee e Saba não estão dispostos a deixarem o fenômeno sinistro estragar suas vidas: eles planejam uma ação contra a FCC (Comissão Federal de Comunicações) e pedir a ajuda de políticos locais.

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