Não me levem a mal: sou muito fã de carros, mas sou mais fã de automobilismo. Sendo assim, tenho uma queda especial por carros que, digamos, carregam consigo um pedigree das competições.

É por isso que o novo Alpine A110 já tem um espaço reservado no meu coração: ele é uma releitura perfeita de um dos maiores ícones da história do rally mundial – e isso é o suficiente pra que boa parte da água que faz parte da minha composição corporal vá embora na forma da mais pura baba.

Isso porque o A110 original era como a síntese do prazer em dirigir.

O novo A110 não só traz um visual moderno que resgata muitas referências do carro que o inspirou, mas carrega as mesmas características que fizeram do A110 uma lenda: ele é pequeno, leve e ágil. São 252 cavalos que, apesar de parecer pouco, precisam mover apenas 1.080 kg.

Como já se passaram 50 anos desde a primeira geração do carro, algumas coisas mudaram. O câmbio agora é apenas automático, com sete velocidades e embreagem dupla. O motor é um 1.8 turbo de quatro cilindros que não está mais disposto na traseira e sim a frente do eixo traseiro.

A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em apenas 4,5 segundos, uma marca muito parecida com carros de calibre, como por exemplo os Porsches 911. A velocidade máxima é estimada em 250 km/h e, como nos velhos tempos, o carro soa estupidamente bem:

O interior também foi modernizado e está requintado, mas sem abrir mão de alguns itens retrô, como é o caso dos botões do sistema de infotainment no formato de “switch”. Os bancos de encosto fixo são revestidos de couro e pesam apenas 13 kg cada, mas a mágica mesmo aconteceu na estrutura do veículo.

Para alcançar o baixo peso, a equipe de desenvolvimento da Alpine criou um chassi de alumínio, para combinar a leveza com a rigidez torcional necessária para que o carro tivesse uma dirigibilidade dinâmica e extremamente precisa.

As dimensões deixam evidente que a proposta do carro é ser um pequeno notável: são 4,18 metros de comprimento, com 1,8 metro de largura e apenas 1,25 metro de altura. Há espaço para duas pessoas, mas pouca coisa além disso: não há, por exemplo, um porta-luvas dentro do modelo.

A intenção da Alpine, que hoje é uma subsidiária da Renault, é entrar no mercado europeu justamente para bater de frente com os Porsches da família 718, mas seu principal rival tem nome e sobrenome: Alfa Romeo 4C, que, assim como A110, também teve sua construção pautada no baixo peso e agilidade.

Se não bastasse tudo isso, por fora ele é simplesmente um espetáculo. A dianteira traz os faróis duplos que se tornaram uma marca registrada do A110 original, e a traseira agora ostenta uma saída única de escape, além do desenho suave e fluido da parte de trás do veículo. É um tributo e tanto à tradição da Alpine.

Infelizmente as vendas ficaram restritas à Europa, o que significa que nem mesmo os norte-americanos terão acesso às primeiras unidades que farão parte de uma edição limitada de lançamento e que serão vendidas pela bagatela de € 58,5 mil, ou R$ 195 mil em conversão direta.