Uma das grandes paixões do público esportivo é o mundo do automobilismo. Dentre as tantas categorias de corrida, a que mais prende a atenção é a Fórmula 1, a classe de corrida mais famosa do mundo é também a que traz uma enormidade de inovações tecnológicas todos os anos. Além do investimento na parte mecânica, a Fórmula 1 vem apresentando novidades no setor de segurança e de eletrônica.

Com tantas novidades, assuntos polêmicos e notícias no ramo dos carros de corrida, o Baixaki resolveu fazer um artigo para abordar um pouco do que as equipes de Fórmula 1 usam em seus carros. Este artigo é parte da série de textos Car Tech, a qual aborda diversos assuntos sobre tecnologias nos automóveis e que pretendem beneficiar as pessoas e o mundo.

Alta tecnologia nos carros da F1

O assunto do momento: KERS

Os fanáticos por Fórmula 1 já devem ter ouvido comentários a respeito do mais novo sistema utilizado em carros da categoria. O KERS (Sistema de Recuperação de Energia Cinética) está sendo introduzido nos carros de Fórmula 1 e que tem como objetivo principal economizar energia e diminuir o nível de poluição gerado pelos automóveis.

Evidentemente, o sistema KERS foi desenvolvido, também, para fazer um melhor proveito da energia que é desperdiçada durante as corridas. O sistema é muito complexo, mas a ideia básica de funcionamento dele é simples: armazenar a energia excessiva gerada durante a frenagem para utilizá-la posteriormente. A energia que é guardada automaticamente pelo KERS pode ser usada a qualquer momento durante a aceleração.

Imagem interna do KERS da WilliamsNos carros de Fórmula 1 o KERS não é de uso obrigatório, contudo algumas equipes vêm optando por sua utilização. Obviamente, há mais de uma versão do sistema — até porque o KERS é um conceito —, mas cada empresa pode desenvolver o seu próprio (confira a imagem ao lado, que mostra o KERS da Williams) ou utilizar um pronto. O KERS pode ser mecânico, hidráulico ou elétrico, porém de maneira geral seu funcionamento será o mesmo.

O sistema é composto por diversas peças: algumas servem para captar a energia durante a redução de velocidade, outras para armazenamento da carga (geralmente uma bateria) e algumas são utilizadas para liberar a energia armazenada para que o carro acelere ainda mais. Como a utilização do KERS é manual, o sistema deve ter um controle de botões instalado no volante, o que exige mais um conjunto de peças.

Para efeito de curiosidade, o peso do KERS pode variar entre 10 kg e 30 kg (depende apenas do fabricante). O KERS tem feito tanto sucesso, que até mesmo alguns desenvolvedores já estão criando ferramentas para utilizar o sistema em jogos (confira o vídeo abaixo).

KERS em 2010

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que regulamenta e controla os eventos da Fórmula 1 aprovou a utilização do sistema no ano que vem, porém as equipes de corrida fizeram um acordo de que não utilizar mais o KERS. Segundo o que foi dito pelas equipes, o KERS é um sistema de trapaça, que faz o carro acelerar 10% a mais do que o normal, fator que exige menos habilidade do piloto. O acordo foi realizado e as equipes não devem usar mais o sistema no ano que vem. No entanto, a Williams já afirmou que pretende usar o KERS, independente do que tenha sido combinado no acordo.

Vale frisar, que em 2009 nem todas as equipes usaram o KERS, mas os carros que tinham o sistema instalado estavam em vantagem. Talvez esse seja um dos principais motivos do possível abandono do sistema em 2010, pois nem todas as equipes investiram em tecnologia ou compraram um sistema de terceiros.

KERS: em breve num veículo perto de você

Como o sistema KERS vem apresentando grandes benefícios, a Torotrak anunciou o desenvolvimento de um protótipo do KERS para ônibus. O sistema para ônibus não será exatamente igual ao que é utilizado na Fórmula 1, afinal, um ônibus não precisa correr tanto. O projeto da Torotrak será focado na melhor utilização da energia do veículo e claro, na economia de combustível. Este projeto ainda está em teste, mas muito em breve o KERS deve estar presente em muitos ônibus e carros de passeio.

Tecnologia AMD nos carros da Ferrari e na FIA

Por incrível que pareça, a fabricante de processadores AMD resolveu se unir a uma equipe de automobilismo. Muita gente pensava que a AMD apenas patrocinava a Ferrari, investindo dinheiro e ganhando com a divulgação nos carros e capacetes da empresa de corrida. Todavia, a AMD fez uma parceria e as duas empresas juntas desenvolveram o Ferrari Data Center. A AMD é pioneira em tecnologia computacional para Fórmula 1, investe neste mercado desde 2002.

AMD presente nos carros da Ferrari

A introdução de tecnologia da AMD nos carros da Ferrari foi fundamental, porque fez com que a empresa italiana tivesse uma forma mais rígida e eficiente de controle sobre seus veículos. A participação da AMD nas corridas é bem simples: a tecnologia da fabricante de processadores serve para cuidar da parte de telemetria dos carros. O sistema que a AMD criou coleta dados dos carros da Ferrari e envia diretamente para o Ferrari Data Center, onde a equipe de corrida monitora quase tudo que está acontecendo no carro.

Opteron - Processador potente nos computadores da FerrariSegundo o site oficial da AMD, todo o processo tecnológico utilizado nos carros da Ferrari e no Data Center da equipe de Fórmula 1 é realizado graças à tecnologia AMD64 e aos processadores AMD Opteron. A parceria entre as duas gigantes funcionou tão bem que agora a AMD é a parceira tecnológica oficial da FIA e vai proporcionar equipamentos — processadores, chipsets, placas de vídeo e outros componentes— para a Federação.

Volante controla tudo

Por incrível que pareça, o carro de Fórmula 1 pode ser quase totalmente controlado pelo volante. Antigamente, o piloto precisava manusear vários itens do carro, utilizando botões, marchas e pedais. Com o avanço da eletrônica, os volantes utilizados em automóveis de F1 receberam várias inovações, fator que excluiu muitos botões e facilitou o acesso aos recursos. Atualmente, os volantes possuem botões para as seguintes funções:

Volante de Fórmula 1

  • Troca de marcha (para cima, para baixo e neutro)
  • Limitador de velocidade enquanto o carro estiver no box
  • Impulso e ajuste do Motor
  • Controle de tração
  • Alavanca de embreagem
  • Informações sobre voltas, estado do carro e status dos companheiros de equipe
  • Informação sobre o ângulo da asa
  • Controle do sensor lambda

Todos estes itens são apenas algumas das funções que os volantes podem executar, porém cada modelo possui botões e um número de recursos que varia muito. Vale lembrar que todas as informações e ações que podem ser efetuadas pelo volante são exibidas na tela LCD (em alguns carros já são usadas telas LED) que fica no centro do volante.

Capacetes resistentes e de alta tecnologia

Fórmula 1 é uma modalidade de corrida diretamente ligada a alta velocidade. Quando se fala em alta velocidade, logo vem a mente a possibilidade de acidentes. Por isso, há diversas empresas que investem no setor de segurança e proteção dos automóveis — e dos equipamentos utilizados pelos pilotos. Quem acompanha notícias pela televisão ou através da internet, certamente viu em primeira mão imagens, vídeos, sites e jornais mostrando o acidente de Felipe Massa. Veja o acidente:

Acidentes como o de Massa fazem as empresas investirem ainda mais em pesquisas para a construção dos capacetes e das roupas dos pilotos. Em síntese, os capacetes não possuem grande tecnologia eletrônica, porém na hora de construí-los é necessário usar tecnologia de ponta para manuseio e manipulação do material empregado no capacete.

Capacetes de alta resistência

O capacete utilizado por Felipe Massa era de altíssima resistência, mas a viseira não tinha proteção, era feita de plástico. A Schuberth, empresa que fabrica os capacetes como o utilizado por Massa, já anunciou que irá modificar o modo de fabricação. Na próxima linha de capacetes da fabricante será empregado um disco de titânio no ponto de fixação da peça. Abaixo você pode conferir a super-resistência de um capacete de Fórmula 1, o qual resiste a tiro, a fogo e muito mais. Confira no vídeo abaixo: