Na estreia do projeto por estas bandas – no já longínquo ano de 2008 –, havia pouca gente que poderia afirmar, com toda a certeza, que um evento de tecnologia em que os participantes precisavam acampar por dias no próprio local chegasse à sua décima edição. Ainda assim, contrariando esse espanto inicial e crescendo a cada ano, cá estamos em mais uma Campus Party Brasil – exatamente o décimo capítulo da família.

Abrindo oficialmente seus portões nesta terça-feira (31), a CPBR10 – como é conhecida pelos organizadores e visitantes – já deu um gostinho do que o público vai poder conferir por lá desde hoje até o próximo domingo (5). Antes que os chefões da feira cortassem a faixa que liberou o acesso dos campuseiros ao Pavilhão de Exposições do Anhembi, fomos conhecer um pouco mais sobre os detalhes e as dificuldades da feira deste ano e pudemos dar uma volta pelo centro de convenções enquanto ele ainda não estava abarrotado de gente.

Liberação de acesso para os campuseiros na #cpbr10

Um vídeo publicado por Marcelo (@marcelogfx) em

Uma CPBR mais humilde

Quem começou o bate-papo pré-abertura do evento foi Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party, que, logo após um vídeo de retrospectiva da feira, fez questão de agradecer a todos os colaboradores e parceiros que tornaram essa edição da CPBR possível. Segundo ele, a crise afetou o mercado como um todo e por consequência limitou os investimentos na convenção e em seu orçamento. Ainda assim, foi possível manter uma boa agenda para o projeto graças ao trabalho de novos e antigos patrocinadores.

O executivo conta, por exemplo, que a Telebras precisou refazer os 2 quilômetros do cabeamento da conexão via fibra para o Anhembi em tempo recorde, para garantir que o público tivesse mais uma vez acesso à internet de 40 Gbps. A escassez de recursos, no entanto, não parece ter afetado a agenda do evento ou comprometido a diversidade de palestras e atrações. “Nem por isso deixamos de trazer convidados interessantes para a Campus Party”, afirmou o executivo.

Francesco Farruggia falou sobre o histórico da Campus Party no Brasil

Para a organização, o jeito foi administrar com mais criatividade o caixa disponível e investir em atrações e materiais nacionais. “Temos brasileiros cheios de energia e força e com muito a ensinar”, acredita Francesco. Adicionalmente, a Campus Party Brasil se manteve firme em uma série de compromissos, como deixar um legado repleto de projetos sociais criados pelo próprio público – através da The Big Hackathon –, incentivar frentes parlamentares para discutir a tecnologia na esfera política e fomentar o desenvolvimento de cidades inteligentes.

O Secretário Municipal de Inovação e Tecnologia da Cidade de São Paulo confirmou o apoio da Prefeitura

Esse último objetivo, aliás, parece casar com as propostas da atual prefeitura paulistana. De acordo com Daniel Annenberg, Secretário Municipal de Inovação e Tecnologia da Cidade de São Paulo, a gestão João Dória está dando continuidade ao apoio regular feito à CPBR e prevê que a integração entre as duas partes tende a ganhar ainda mais força nas próximas edições. “Queremos fazer de São Paulo uma cidade digital e inteligente”, explica Daniel, que aposta que as Secretarias da Educação e Cultura também podem fazer parte da parceria no futuro.

Novidades e baixo custo

Antônio Novaes, diretor-geral da Campus Party, se alongou um pouco mais no tema de como a os administradores do evento tocaram a CPBR10 mesmo com um gasto bem menor do que no passado. “Quisemos trazer os campuseiros para mais perto da organização”, comentou Tonico, como é conhecido pelos veteranos do encontro. Como isso aconteceu? Em um primeiro momento contando com a colaboração do público para mostrar a importância da feira, com muitos deles dando depoimentos emocionantes sobre como a Campus mudou a vida.

Além de “acender a chama dos campuseiros” com esse apelo emocional, eles também puderam sugerir temas e palestrantes para essa décima edição da CPBR. O resultado? Uma avalanche de boas dicas que, depois de votadas pela comunidade, deram origem à abertura de dois palcos extras no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Afinal, a organização esperava escolher 50 palestras nesse formato, mas acabou tendo que lidar com mais de 70 discussões e debates interessantes para os visitantes.

Tonico declarou o amor da Campus Party pela comunidade brasileira

Dessa forma, o orçamento mais humilde não impediu que a CPBR10 tivesse um recorde de tablados para as apresentações – nove, no total – e contasse ainda com uma boa leva de novidades. A área aberta ao público geral, por exemplo, foi bastante expandida. Simuladores aéreos e automotivos, escape rooms, lutas entre robôs, campeonato de drones, atividades makers e estandes de diversas empresas devem estar prontos – a partir de quarta-feira (1º) – para entreter as 80 mil pessoas esperadas para esse setor gratuito durante os próximos dias.

A ideia é que a padoca “No Céu Tem Pão” torne as manhãs do evento mais animadas

Quem vai ficar na parte restrita da convenção – e passar um tempão dormindo em barracas e fazendo download a velocidades de cair o queixo – também vai curtir algumas boas adições neste ano. Além de uma infinidade de ações e palestras reservadas a esse público, o espaço recebe pela primeira vez uma padaria para complementar a disputada área de alimentação. A ideia é que a padoca “No Céu Tem Pão” – nome escolhido pelos próprios campuseiros – torne as manhãs do evento mais animadas, com uma boa oferta de cafés e pães.

Sintonia fina

Durante a coletiva de imprensa, outros três parceiros da Campus Party Brasil mostraram por que suas marcas têm tudo a ver com o evento, a tecnologia e a inovação. Companheiro de longa data, o Sebrae, representado por sua diretora técnica Heloisa Menezes, revelou que o “namoro” de sete anos entre as duas entidades será finalmente oficializado na CPBR10 com a assinatura de um projeto para esquentar ainda mais o cenário de empreendedorismo digital – um tema que, cada vez mais, tem se tornado sonho e objetivo dos jovens.

Francesco e Heloisa acreditam que tanto o evento quanto o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas aprenderam muito ao longo dos últimos anos, sempre com a finalidade de oferecer o melhor conteúdo e a melhor plataforma para quem quer começar uma startup.

A parceria entre Sebrae e Campus Party deve durar ainda mais tempo

A Telebras, por sua vez, em sua segunda participação na feira, garante que estar na Campus é estar de olho no futuro e fazer parte de importantes discussões a respeito do universo digital. Para Ribamar Mendes, gerente do escritório regional da operadora, por exemplo, a presença na CPBR é algo tão importante quanto o lançamento do novo satélite da companhia para o território nacional, que deve ocorrer em março e “iluminar” boa parte das regiões brasileiras com pouco ou nenhum acesso à banda larga de qualidade.

Por fim, a Visa, que reforça a sua presença na Campus Party Brasil, vê uma sintonia total da companhia com o clima da feira. Para o Country Manager Fernando Teles, é obrigação de uma marca como a Visa devolver aos jovens e à sociedade um pouco da inovação desenvolvida internamente na empresa. Além disso, o evento é uma oportunidade única de buscar novos talentos, já que o público da Campus – e o brasileiro em geral – tem “um empreendedorismo latente” e que pode trazer novas tecnologias ao ramo de pagamentos.

A coletiva de imprensa trouxe a visão de cada um dos patrocinadores em relação ao evento

Para transformar esse cenário fértil em um “ganha-ganha” para ambos os lados, a Visa oferece em seu estande, entre outras atividades, uma hackathon de 24 horas feita sob medida para atrair participantes que vão quebrar a cabeça para elaborar soluções que melhorem a experiência de compra do consumidor final. “É algo que faz muito mais parte do seu dia a dia do que parece. [...] Foi por isso que resolvemos aumentar a nossa participação na Campus Party”, analisou Fernando em entrevista ao TecMundo.

O que vem por aí!

Essa foi apenas uma prévia do que a décima Campus Party Brasil vai apresentar durante seus seis dias de duração, com debates que vão da participação da mulher na tecnologia e a popularização da Internet das Coisas a empreendedorismo e cultura gamer. Afinal, a CPBR deve abrigar 8 mil campuseiros, receber mais de 80 mil visitantes e oferecer cerca de 700 horas de conteúdo em um espaço de 77,7 mil metros quadrados.

Para saber mais a respeito do evento e conferir mais notícias de um dos encontros geeks mais esperados do ano, continue de olho no TecMundo e acompanhe a nossa cobertura. E aí, o que você mais espera dessa CPBR10? Deixe a sua opinião mais abaixo, na seção de comentários.

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