(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

O professor titular do instituto de Física de São Carlos, Antonio Carlos Hernandes, apresentou hoje (31), na Campus Party Brasil 6 (CPBR6), uma palestra contando detalhes dos avanços que sua equipe tem realizado na produção de um nanopó luminescente que, no futuro, será usado para a fabricação de lâmpadas muito mais eficientes do que a atual.

Logo no início, Hernandes apresentou os principais modelos atuais de iluminação usados pela humanidade e destacou os problemas de cada um. A lâmpada comum, por exemplo, possui apenas 10 mil horas de tempo de vida. Esse valor foi ampliado nas lâmpadas fluorescentes e de LED mas, em contrapartida, essas tecnologias geram uma iluminação bastante artificial, sendo tão brancas que chegam a ultrapassar a coloração luminosa para a qual o olho humano está naturalmente preparado.

É por isso, por exemplo, que o farol de LED de um automóvel pode ofuscar completamente a visão do motorista que passa por ele, afinal, evoluímos para conviver apenas com a luz do Sol. Mas, com o nanopó desenvolvido por Hernandes e uma equipe de cerca de 50 profissionais, as lâmpadas se tornarão muito mais adequadas.

Nanopó e lâmpadas mais eficientes

Com a ajuda da nanotecnologia, os cientistas puderam criar uma substância que se torna branca quando aquecida por um laser. Melhor do que isso: a coloração da luz emitida por esse nanopó varia de acordo com o tipo de laser aplicado, o que permite que, no futuro, o Brasil possa desenvolver uma lâmpada fria, ou seja, que desperdiça pouquíssima energia ao funcionar, mas que também tenha a cor das lâmpadas tradicionais, agredindo menos a visão humana.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Hernandes destacou que, hoje, o projeto ainda está em fase muito inicial, apesar de estar sendo desenvolvido desde 2008. O próximo passo seria encontrar uma forma de produzir esse pó em escala industrial, contornando todas as dificuldades que a equipe enfrentou em laboratório. Uma delas, por exemplo, é o risco de alguém acabar aspirando o pó sem saber, já que esse possui partículas menores do que a de células sanguíneas e o pulmão humano não está preparado para esse tipo de incidente.

Já o produto final não apresentaria esse risco para o consumidor, pois o nanopó seria aplicado como um revestimento sobre o LED.

Críticas ao sistema brasileiro

Quando questionado pelo público sobre as dificuldades que poderiam ser resolvidas pelo Governo Brasileiro, Hernandes contou que, hoje, o problema principal não é tanto conseguir verba, mas sim a falta de mão de obra especializada. Segundo o pesquisador, o repasse de de dinheiro acaba sendo, inclusive, uma das artimanhas do tal “jeitinho brasileiro”: a passagem da verba acaba se tornando uma forma de se livrar da responsabilidade, repassando-a para outra pessoa.

Para ele, a situação poderia ser melhor resolvida caso o governo investisse na formação de pessoas interessadas em se dedicar à ciência. Além disso, faltam esforços para aproximar as empresas das universidade de uma maneira eficiente e, principalmente, há também a necessidade de definir com clareza quais são as áreas prioritárias para o país.

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