Febre na virada dos anos 1990 para os anos 2000, as salas de bate-papo eram o ponto de encontro entre desconhecidos de todo o mundo na internet que ainda engatinhava, na era das conexões discadas, dos “belíssimos” sites em HTML, dos GIFs em baixa qualidade e contadores de visitas exóticos.

Grupos de conversa no WhatsApp, que normalmente reúnem amigos e familiares, estão servindo como as salas de bate-papo dos anos 2010

Com o passar do tempo, a dinâmica de comunicação na internet mudou muito. Veio o ICQ, o MSN Messenger e as conversas ficaram mais privadas e com pessoas que você conhecia um pouco mais. A interação entre estranhos passou para as redes sociais, com o finado e saudoso Orkut e, ultimamente, com o Facebook. Além deles, muitas outras plataformas fizeram o papel de reunir pessoas desconhecidas para conversarem sobre assuntos em comum.

Com o advento dos dispositivos móveis, os apps comunicadores caíram nas graças dos usuários. Aplicativos como WhatsApp, Telegram e Messenger permitem conversas em tempo real com pessoas cujos contatos sejam conhecidos por você. Porém, como o Brasil é mestre em reviver antigas manias, grupos de conversa no WhatsApp, que normalmente reúnem amigos e familiares, estão servindo como as salas de bate-papo dos anos 2010.

Como isso funciona?

As “salas de bate-papo” do WhatsApp funcionam diferentemente daquelas que frequentávamos (se você está próximo dos 30 anos pelo menos) antigamente. Geralmente a existência desses grupos de desconhecidos é divulgada em redes sociais como o Facebook. Lá, você deixa o seu número de contato e o administrador do grupo o adiciona no comunicador.

O novato deve se apresentar para o grupo, exibir fotos para se identificar e as pessoas o conhecerem melhor, e às vezes é exigido que se informe idade e a cidade de onde é

Geralmente os grupos possuem assuntos específicos, como futebol, política, carros, namoro, vale tudo na hora de inventar uma sala de bate-papo moderna. Existem até, é claro, as que só servem para compartilhar conteúdo pornográfico. Essas estão entre as mais populares.

Geralmente, existem regras de comportamento nesses grupos: o novato deve se apresentar para o grupo, exibir fotos para se identificar e as pessoas o conhecerem melhor, e às vezes é exigido que se informe idade e a cidade de onde é. Agressões verbais e outros tipos de ofensas são proibidos, assim como fazer propagandas de outros grupos e – em alguns – até discutir assuntos que fujam do tema da sala.

Entrando na onda

Aproveitando essa popularidade repentina, um jornalista do interior do estado de São Paulo criou uma rádio que é transmitida completamente através de um grupo do WhatsApp. Marcos Pereira recebe pedidos de música dos participantes e três vezes por dia (às 9h, 15h e 20h) as transmite juntamente com suas vinhetas e pitacos usando o recurso de mensagens de áudio do aplicativo.

Outro que viu mais vantagens no “retorno” das salas de bate-papo foi Patrick de Oliveira, criador do aplicativo MeuZapGrupos. Nele, reúnem-se cerca de 450 grupos que desejam receber novos membros. Através dessa plataforma, você escolhe o tema do qual você deseja participar e entra nas salas com praticidade.

Acessando o WhatsApp Web

Todas classes

Os usuários que procuram grupos dessa maneira fazem parte de todas as classes sociais, das mais baixas às mais altas. Ricos juntam-se em salas “diferenciadas” do WhatsApp que só aceitam novos membros por meio de indicação. Nelas, discutem-se programas típicos dos endinheirados, além de serem distribuídos convites VIP para festas exclusivas e outras regalias.

Voltando ao mundo real, a popularidade do novo bate-papo só tende a crescer. Dessa maneira, servindo como um tipo de rede social, o WhatsApp deixa de ser apenas um aplicativo de comunicação direta com desconhecidos e passa a fazer a função de unir pessoas ligadas por algum fator em comum. A internet tem reforçada, dessa maneira, uma de suas principais funções: a de diminuir o mundo.

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