Um estudo realizado pelo Woods Hole Oceanographic Institute, com base nos dados de mais de 250 mil voos comerciais entre a Costa Oeste dos Estados Unidos e o Havaí, mostrou que o tempo de percurso entre os dois lugares tem aumentado lenta e progressivamente. Na verdade, é uma questão de míseros minutos que passam despercebidos para os passageiros, mas que pode significar um aumento considerável em custos para as companhias aéreas, que na somatória de todas as viagens e todo o tempo extra gastam mais com combustível para as aeronaves.

Porém, não pense que isso tem algo a ver com um possível distanciamento ocasionado pela movimentação de placas tectônicas ou que as ilhas que conhecemos como Havaí esteja à deriva em pleno Oceano Pacífico. Tudo é causado por alterações climáticas a longo prazo que afetam o planeta como um todo.

Voando pelos ventos nada pacíficos do Pacífico

Vamos explicar: conforme as temperaturas na região equatorial do oceano Pacífico aumentam e diminuem, as ondas atmosféricas são enviadas na direção das latitudes mais altas, tanto para o norte quanto para o sul. Tudo isso é também influenciado pelos efeitos do famoso El Niño, alterações significativas na distribuição da temperatura do oceano no Pacífico Sul que acontecem mais ou menos a cada 3 a 5 anos e duram de 15 a 18 meses.

O aumento no tempo de percurso também amplia os gastos com combustível e a emissão de CO2 na atmosfera.

Sempre que El Niño está na área, pode-se esperar ventos fortíssimos assolando a maior massa marítima da Terra, e isso afeta bastante os voos feitos do oeste dos EUA até seu 50º estado. O gráfico a seguir mostra uma comparação entre a diferença de horário dos voos entre Los Angeles e Honolulu e a média da velocidade dos ventos no percurso. Os gráficos praticamente se encaixam, tamanha é a relação entre os dois fatores.

A linha azul mostra a diferença de tempo nos voos e a linha preta é a média de velocidade do vento no Pacífico

A tendência é piorar?

Todas as alterações climáticas causadas pelos abusos ambientais do ser humano são as causadoras dos efeitos que acarretam atrasos e que podem parecer inofensivos inicialmente. Na verdade, esse aumento no tempo de percurso também amplia os gastos com combustível e, por consequência, a emissão de CO2 na atmosfera. Mais dióxido de carbono no ar significa mais problemas climáticos, El Niño mais forte, ventos mais velozes e voos ainda mais demorados. Surge assim um “efeito bola de neve”.

Em 2011, os gastos em combustível de companhias aéreas americanas atingiram US$ 47 bilhões, cerca de R$ 148 bilhões.

Além disso, os custos para as empresas aéreas aumentam vertiginosamente. Em 2011, os gastos em combustível de companhias americanas atingiram US$ 47 bilhões, cerca de R$ 148 bilhões, um valor altíssimo para a receita operacional total da indústria de US$ 192 bilhões, em torno de R$ 609 bilhões. Isso pode crescer cada vez mais conforme os problemas atmosféricos forem atrasando os cerca de 30 mil voos diários que têm os Estados Unidos como partida ou chegada.

No fim das contas, esse “pequeno” atraso resultaria em mais de 300 mil horas extras de voo por ano, exigindo 3,8 bilhões de litros de combustível a mais que vão lançar 10 bilhões de quilos de CO2 na atmosfera. Vendo por esse lado, a diferença não é tão mínima assim.

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